Ibovespa Despenca: Bancos Pressionam Índice Após Resultado do Santander

O Ibovespa registrou um dia de forte recuo, sendo significativamente pressionado pela performance negativa das ações do setor financeiro, em especial após a divulgação do balanço trimestral do Santander Brasil (SANB11). A reação do mercado ao resultado do banco espanhol, que abriu a temporada de resultados dos grandes bancos, foi de venda, levando o índice principal da B3 a se afastar das máximas recentes e fechar em queda acentuada.
O pregão foi marcado pela cautela dos investidores, que além de digerir os números do Santander, também estavam atentos a fatores macroeconômicos externos e a temores fiscais domésticos. A performance negativa dos bancos contaminou o humor do mercado, com outras grandes instituições financeiras também registrando perdas expressivas no dia.
Repercussão do Balanço do Santander Brasil
O Santander Brasil foi o primeiro grande banco a divulgar seus números referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25) e ao consolidado de 2025. O banco reportou um lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre, o que representou um crescimento de 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No consolidado de 2025, o lucro totalizou R$ 15,6 bilhões, um incremento de 13% em relação a 2024.
Apesar do crescimento no lucro líquido trimestral e anual, a reação do mercado acionário foi negativa. As ações do Santander (SANB11) abriram o dia em queda, chegando a recuar cerca de 2,7% nos primeiros momentos de negociação. O mercado parece ter focado em pontos específicos do balanço que geraram preocupação, como o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) e a queda na receita total no trimestre.
Detalhes do Desempenho Trimestral
Apesar do lucro ter crescido, a margem financeira (receita de juros) do banco recuou 4% no trimestre, atingindo R$ 15,3 bilhões, pressionada pela margem com o mercado. Por outro lado, a receita de comissões (proveniente de serviços como cartões e seguros) mostrou resiliência, com alta de 4%, somando R$ 5,8 bilhões. A receita total do Santander no 4T25 ficou em R$ 21,1 bilhões, uma baixa de 2% na comparação anual.
Um ponto de atenção foram as provisões para devedores duvidosos (PDD), que apresentaram um aumento de 3% no trimestre e de 9% no ano, sinalizando uma deterioração na qualidade da carteira de crédito ou uma postura mais conservadora do banco em relação a potenciais calotes.
A rentabilidade, no entanto, foi um ponto positivo, com o Retorno sobre o Patrimônio do Banco (ROAE) encerrando o trimestre na marca de 17,6%, um avanço significativo em relação aos trimestres anteriores.
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Contágio no Setor Bancário e o Ibovespa
A divulgação dos números do Santander deu o tom para o setor financeiro no dia. A desconfiança gerada pelo balanço, somada a outros fatores, fez com que outros grandes bancos também fossem negociados em forte baixa. O setor bancário, que possui um peso considerável no cálculo do Ibovespa, atuou como o principal vetor de queda do índice.
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou o pregão com uma queda expressiva de 2,14%, aos 181.708,23 pontos. Essa desvalorização ocorreu em um dia que, na véspera, o índice havia renovado recordes, sugerindo um movimento de realização de lucros generalizada, intensificada pela cautela bancária.
Contexto Macroeconômico e Fiscal
Além dos resultados corporativos, o mercado brasileiro operou sob a influência de um cenário externo e doméstico carregado. No âmbito doméstico, persistiam as preocupações fiscais, ligadas a propostas que poderiam ampliar gastos públicos, o que sempre gera apreensão sobre a trajetória da dívida e a política monetária futura.
No cenário internacional, a atenção estava voltada para os dados de emprego privado nos Estados Unidos (relatório ADP). O número de vagas criadas ficou abaixo das expectativas, o que, paradoxalmente, reforçou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa retomar o ciclo de queda de juros mais cedo. Embora isso seja positivo para o fluxo de capital global, a reação imediata no Brasil foi de aversão ao risco, com o dólar avançando frente ao real.
Projeções e Próximos Passos
Com o Santander dando o pontapé inicial, a temporada de resultados segue com a expectativa dos números de outros gigantes do setor, como o Itaú Unibanco, que divulgaria seus resultados após o fechamento do mercado. A forma como esses outros balanços serão recebidos definirá a sustentação do índice no curto prazo.
Analistas indicam que, embora o Santander tenha apresentado crescimento no lucro, o mercado está cada vez mais sensível a indicadores de qualidade de crédito e despesas operacionais. A expectativa é que os investidores monitorem de perto se a tendência de aumento nas provisões observada no Santander se repetirá em outros pares, pois isso pode sinalizar um ciclo de maior cautela para o crédito no país.
