LATAM Define: Brasília, Guarulhos e Fortaleza Serão Bases do Novo Embraer E2

A LATAM Brasil finalmente detalhou a estratégia inicial para a operação de seus novos e aguardados jatos Embraer E195-E2. O foco inicial será o mercado doméstico brasileiro, com as aeronaves sendo baseadas em três importantes hubs da companhia: Brasília (BSB), São Paulo/Guarulhos (GRU) e Fortaleza (FOR).
A definição das bases operacionais é um passo crucial após a aquisição surpreendente de 24 aeronaves E195-E2, com opções para mais 50 unidades, marcando o retorno da companhia à operação de aeronaves fabricadas pela Embraer. O CEO do Grupo LATAM, Roberto Alvo, confirmou os planos durante a divulgação dos resultados financeiros de 2025, indicando que as primeiras 12 aeronaves previstas para entrega em 2026 serão alocadas nestes três centros estratégicos.
Estratégia de Malha e Cronograma de Entregas
A introdução dos E195-E2 está diretamente ligada à estratégia de crescimento sustentável e eficiência da LATAM no Brasil. O E195-E2, com sua capacidade otimizada, permitirá à companhia aérea expandir sua presença em rotas domésticas, seja abrindo novos destinos ou aumentando a frequência em voos existentes.
Os executivos da companhia têm trabalhado intensamente para acelerar a entrada em serviço do novo modelo. Enquanto a introdução de uma nova aeronave geralmente leva dois anos ou mais, a LATAM almeja realizar a transição em cerca de um ano, em colaboração estreita com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A expectativa é que as primeiras 12 aeronaves sejam recebidas no quarto trimestre de 2026, com voos iniciando logo em seguida.
Capacidade e Substituição na Frota
O Embraer E195-E2 que será operado pela LATAM terá uma configuração de 136 assentos. Este número é ligeiramente menor que o dos atuais Airbus A319 da frota (que comportam 144 passageiros), sugerindo que o novo jato da Embraer será o substituto natural do A319 em determinadas rotas, oferecendo maior eficiência operacional.
A escolha pelo E2 foi descrita como uma decisão puramente comercial e técnica, encaixando-se perfeitamente na estratégia de malha da empresa. A aeronave menor, em comparação com a família A320, oferece flexibilidade para atender mercados regionais sensíveis ou rotas com demanda que não justificaria um avião maior.
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Impacto no Mercado e Concorrência
A entrada da LATAM com os jatos da Embraer intensifica a disputa no setor aéreo brasileiro, especialmente nos voos regionais, historicamente dominado por outras operadoras que já utilizam aeronaves da fabricante brasileira.
- Novas Rotas: A expectativa é que a introdução dos E2 permita a abertura de até 16 novas rotas em 2026, incluindo potenciais voos exclusivos da LATAM no mercado doméstico.
- Competitividade: A aeronave permitirá à LATAM competir de forma mais eficaz em mercados onde a capacidade menor é mais adequada, buscando expandir a capilaridade da malha aérea para além das grandes capitais.
- Negociações com Estados: Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil, mencionou que a definição final de alguns destinos pode depender de conversas com governos estaduais sobre incentivos fiscais, como a redução do ICMS sobre o querosene de aviação.
Disputa por Pilotos Especializados
A preparação para a operação dos E2 já gerou movimentações no mercado de trabalho aéreo. A LATAM está ativamente recrutando e treinando pilotos com experiência em aeronaves Embraer, o que gerou uma disputa por mão de obra especializada, principalmente com a Azul, que historicamente opera uma frota considerável de jatos Embraer.
Para atrair profissionais experientes, a LATAM ofereceu incentivos financeiros incomuns no mercado nacional, como um bônus de contratação único de R$ 160 mil para comandantes e R$ 80 mil para copilotos aprovados para o modelo E2. A companhia está focada em formar rapidamente um núcleo de tripulações e instrutores para garantir uma entrada em serviço rápida e eficiente, conforme o cronograma de entregas do final de 2026.
Em resumo, a decisão de focar as bases em Brasília, Guarulhos e Fortaleza visa maximizar a conectividade a partir dos principais centros de transferência da companhia, posicionando a LATAM para uma nova fase de expansão regional e eficiência operacional com a introdução da moderna família E2 da Embraer.
