Molon Lidera Aliança com Big Techs por Data Centers no Brasil

O ex-deputado federal Alessandro Molon, notório por sua atuação como relator do Marco Civil da Internet, assumiu a liderança de uma aliança ampliada focada em atrair investimentos em data centers para o Brasil. A iniciativa, que agora se chama Dig.ia – Aliança pela Infraestrutura Digital e Internet Aberta, reúne gigantes da tecnologia, como Google, Meta, Amazon e Microsoft, além de operadoras de infraestrutura, com o objetivo de posicionar o país de forma competitiva no fluxo internacional de capital para a infraestrutura digital.
Transformação e Novo Foco da Aliança
A Dig.ia é uma evolução da antiga Aliança pela Internet Aberta (AIA), criada em 2023 com o propósito principal de resistir à imposição de taxas extras aos consumidores, defendendo a neutralidade da rede.
Com a reformulação, anunciada durante os eventos do MWC (Mobile World Congress) em Barcelona, o escopo da entidade foi significativamente ampliado. Agora, a Dig.ia foca não apenas na defesa da neutralidade da rede, mas também na promoção de um ambiente regulatório favorável à atração de projetos de infraestrutura digital de grande porte, como data centers, cabos submarinos e redes de edge computing.
Alessandro Molon, que agora atua como diretor-executivo da Dig.ia, explicou que a mudança reflete a necessidade de lutar pela infraestrutura digital como um todo, para que o Brasil possa aproveitar a oportunidade de captar grandes investimentos.
Novos Integrantes e Estrutura
A aliança formalizou sua estrutura, passando a operar como uma entidade setorial com CNPJ e sede em Brasília.
Quatro novos associados foram incorporados neste novo formato:
- As empresas de data centers Ascenty, Tecto e a brasileira Scala Data Centers.
- A gigante de tecnologia Microsoft.
Essas empresas se juntam a membros já estabelecidos, que incluem Amazon, Netflix, Meta, Google, TikTok, Mercado Livre e Hotmart, além de entidades setoriais como Abert, Abratel, Abrint e Abstartups.
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O Cenário Legislativo e os Incentivos Fiscais
A mobilização da Dig.ia ocorre em um momento crucial de debates no Congresso Nacional sobre a criação de incentivos fiscais específicos para o setor de data centers.
Uma das principais tentativas de incentivo foi a Medida Provisória (MP) 1.318/2025, que instituía o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). Este regime visava suspender tributos federais na compra de máquinas e equipamentos essenciais para os centros de processamento de dados.
Contudo, a MP perdeu a validade em 25 de fevereiro, pois a comissão mista designada para analisá-la não foi instalada a tempo.
Em resposta, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), apresentou uma proposta com objetivo similar. O Projeto de Lei (PL) 278/2026 foi aprovado na Câmara dos Deputados em 24 de fevereiro e agora segue para análise do Senado Federal.
Molon confirmou que a Dig.ia apoiará ativamente iniciativas legislativas como o PL 278/2026, visando garantir incentivos que reduzam os custos de importação de equipamentos e promovam a segurança jurídica para o setor.
A Importância Estratégica dos Data Centers
O governo federal reconhece a importância do setor, tendo reservado R$ 5,2 bilhões para o Redata no Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) de 2026. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a Política Nacional de Data Centers como um motor para impulsionar toda a cadeia digital do país.
Molon enfatizou que o Brasil possui uma matriz energética entre as mais limpas do mundo, um fator que torna o país altamente atrativo para investimentos em data centers, especialmente aqueles focados em Inteligência Artificial (IA), que demandam grande volume de energia.
Estima-se que o setor de data centers no Brasil esteja projetado para receber aportes de até R$ 500 bilhões até 2030, com a capacidade instalada prevista para quadruplicar, focando em data centers de IA.
Projetos Regionais e Desafios
A atuação da Dig.ia será inicialmente focada no âmbito nacional, mas com desdobramentos regionais planejados. Cidades como o Rio de Janeiro já se movimentam para atrair esses investimentos, com o anúncio da intenção de transformar a capital fluminense em uma AI City, com um hub de data centers próximo ao Parque Olímpico.
Apesar do potencial, o setor enfrenta desafios, sendo o principal a infraestrutura de transmissão elétrica, que precisa ser robusta para atender à demanda constante e rápida dos centros de processamento de dados.
Adicionalmente, há relatos de que, em alguns projetos, big techs utilizam intermediárias para gerenciar a fase burocrática inicial de instalação, buscando blindar suas reputações de potenciais impactos socioambientais, como o alto consumo de água e energia.
A Dig.ia, que mantém a defesa da neutralidade de rede como princípio, concentra sua nova agenda na camada de infraestrutura e governança, buscando um ambiente regulatório estável que garanta a competitividade do Brasil na atração desses investimentos globais.
