Reação Global: Nestlé e Danone Enfrentam Crise por Fórmulas Contaminadas

As gigantes da indústria alimentícia Nestlé e Danone estão no centro de uma grave crise de saúde pública internacional após o anúncio de recalls de fórmulas infantis devido à suspeita de contaminação pela toxina cereulide, produzida pela bactéria Bacillus cereus. A repercussão tem sido forte, com autoridades sanitárias em diversos países agindo rapidamente para suspender a comercialização e distribuição dos lotes afetados, gerando preocupação entre pais e queda nas ações das companhias na bolsa de valores.
Expansão da Crise e Envolvimento de Grandes Marcas
A onda de recolhimentos começou com a Nestlé no início de janeiro de 2026, após a detecção da toxina em produtos e relatos de bebês que apresentaram sintomas graves como vômitos e diarreia após o consumo. A crise se agravou rapidamente quando a Danone e a empresa Lactalis também anunciaram recalls voluntários em várias nações, indicando que o problema de contaminação por cereulide não estava restrito a uma única fabricante.
A cereulide é uma toxina termorresistente que pode causar intoxicação alimentar severa, sendo particularmente perigosa para bebês, podendo levar à desidratação grave. A expansão do recall da Danone foi motivada por orientações de agências reguladoras, como a de Singapura, que suspendeu vendas de um produto, e a Autoridade de Segurança Alimentar da Irlanda (FSAI), que notificou a empresa sobre a presença da toxina em ingredientes.
Situação no Brasil e Medidas da Anvisa
No Brasil, a principal ação regulatória foi conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a proibição da comercialização, distribuição e uso de diversos lotes de fórmulas infantis da Nestlé. As marcas brasileiras afetadas incluem Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino.
A crise no país ganhou destaque após a confirmação de dois casos de intoxicação em bebês no Distrito Federal, que apresentaram vômito e diarreia após consumirem os produtos da Nestlé envolvidos no recall. Felizmente, as crianças evoluíram bem após a suspensão do consumo. Até o momento da reportagem, a Danone não teve lotes específicos recolhidos pela Anvisa no território nacional, embora a empresa tenha iniciado recalls em outros mercados.
Veja também:
Impacto no Mercado e Repercussão Financeira
A reação do mercado financeiro foi imediata e notável. As ações da Danone registraram quedas significativas, chegando a despencar no início do pregão, refletindo a gravidade da situação e o impacto potencial nas receitas, já que as fórmulas infantis representam uma parcela considerável do faturamento do grupo.
A Nestlé também sentiu o impacto, com suas ações caindo, embora tenham se recuperado parcialmente. Analistas estimaram que o impacto financeiro potencial dos recalls pode ser significativamente maior para a Nestlé do que para a Danone, considerando a porcentagem da receita que a categoria representa para cada empresa.
Uma das principais hipóteses levantadas para a contaminação em cadeia é que as diferentes fabricantes afetadas podem compartilhar um fornecedor comum de um ingrediente, como o ácido araquidônico (ARA), que teria sido a porta de entrada para a bactéria Bacillus cereus. No entanto, essa informação ainda carece de confirmação oficial.
Orientações às Famílias e Posição das Empresas
Tanto a Nestlé quanto a Danone têm orientado os consumidores a suspenderem imediatamente o uso dos lotes especificados e a entrarem em contato com os canais de atendimento ao consumidor para obterem reembolso ou devolução gratuita dos produtos.
Apesar dos recalls e das investigações em curso em países como a França, onde mortes de bebês foram ligadas ao consumo de fórmulas, as empresas têm reiterado o compromisso com a segurança. A Danone, por exemplo, afirmou que seus controles de rotina indicam que seus produtos são seguros e estão em conformidade com as regulamentações, mas que está agindo preventivamente em linha com as diretrizes regulatórias mais recentes.
Especialistas, como os da Sociedade Brasileira de Pediatria, têm buscado acalmar a população, sugerindo que, no caso brasileiro, os problemas estão restritos a lotes específicos e não devem gerar pânico generalizado, enfatizando a importância da vigilância sanitária e da atenção dos pais aos lotes em casa.
