Novo Presidente da Bolívia Anuncia “Capitalismo para Todos”

O recém-eleito presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou planos para introduzir um amplo pacote de reformas econômicas denominado “Capitalismo para Todos”. A iniciativa visa reorientar a economia boliviana, historicamente marcada por um forte controle estatal, buscando atrair investimentos estrangeiros e modernizar setores cruciais como o de mineração. Este anúncio sinaliza uma mudança significativa na direção econômica do país, após duas décadas sob governos de esquerda.
Rodrigo Paz, que assumiu o cargo recentemente, declarou que o pacote de medidas será apresentado “nos próximos dias ou meses”. O objetivo central é impulsionar o investimento privado, especialmente no setor de recursos naturais, que tem sido um ponto de estrangulamento para o desenvolvimento boliviano sob o modelo anterior.
Contexto da Mudança Política e Econômica
A eleição de Rodrigo Paz marcou o fim de vinte anos de domínio de governos progressistas, como o do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo ex-presidente Evo Morales e seu sucessor, Luis Arce. Paz, um político de centro-direita e filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, venceu em um pleito que, pela primeira vez na história do país, foi decidido em segundo turno.
O novo presidente assume em um cenário de profunda crise econômica. Durante a gestão de seu antecessor, Luis Arce, a Bolívia enfrentou sérios problemas como a escassez de dólares, inflação elevada, racionamento de combustíveis e uma queda acentuada no crescimento econômico, que chegou a beirar o zero. A dependência de importações de combustíveis, após a estatização da indústria de gás e petróleo em 2006 por Evo Morales, agravou a situação fiscal do país.
O slogan de campanha de Paz, “capitalismo para todos”, reflete seu compromisso com a abertura econômica, embora ele tenha prometido manter programas sociais existentes, buscando um equilíbrio entre o fomento ao mercado e a proteção social.
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Foco na Mineração e Lítio
Um dos pilares do plano “Capitalismo para Todos” é a reforma do setor de mineração, atualmente sob forte controle estatal. A legislação vigente restringe a exploração de commodities por empresas privadas, exigindo parcerias com companhias estatais, que frequentemente impõem condições consideradas onerosas ao capital estrangeiro.
Modernização do Setor de Lítio
A modernização visa, em particular, aumentar a exploração de lítio, um recurso essencial para a fabricação de baterias e peça central nas disputas comerciais globais entre potências como Estados Unidos e China. A Bolívia detém a quinta maior reserva de lítio do mundo, mas sua produção não a coloca entre os dez maiores mineradores, enquanto o vizinho Chile já é o segundo maior produtor global.
O governo de Paz planeja implementar uma nova lei para a exploração de recursos naturais, propondo um modelo de divisão de riscos em 50/50: o Estado boliviano forneceria o terreno, e as multinacionais trariam a tecnologia e os investimentos necessários. Essa abertura pode ser vista como uma oportunidade para empresas americanas diversificarem suas cadeias de suprimentos, reduzindo a dependência da China.
Revisão de Acordos e Repercussão
O presidente Rodrigo Paz também indicou que irá revisar acordos firmados por seu antecessor, Luis Arce, que atualmente enfrenta acusações de corrupção. A gestão de Arce foi marcada por tensões internas com Evo Morales, que levou à fragmentação do MAS e ao enfraquecimento político do projeto progressista.
Ao assumir o cargo, Paz declarou emergência nacional e imediatamente suspendeu os subsídios aos combustíveis, uma medida que visa estancar a crise fiscal, mas que historicamente gera descontentamento popular na Bolívia. O novo líder minimizou o risco de protestos contra o aumento da atividade de mineração, argumentando que a população apoiará os novos investimentos se estes trouxerem benefícios concretos para a sociedade.
A guinada para um modelo mais liberal e aberto ao investimento privado, defendida com o lema “capitalismo para todos”, representa um teste crucial para a estabilidade econômica e política da Bolívia. A expectativa é que as reformas visem reverter o quadro de estagnação econômica e escassez de divisas que assolou o país nos últimos anos, buscando recolocar a Bolívia no mapa dos exportadores relevantes de recursos estratégicos.
