METAIS PRECIOSOS DISPARAM: Ouro e Prata Reagem Após Tombo Histórico

Os preços do ouro e da prata voltaram a registrar fortes altas nesta terça-feira (3), após sofrerem quedas históricas nos dias que antecederam, marcando uma vigorosa recuperação no mercado de metais preciosos. O ouro à vista registrou um avanço superior a 6%, com seus contratos futuros também subindo de forma expressiva, enquanto a prata demonstrou ainda mais força, avançando mais de 10% em um único dia, segundo dados de mercado.
Este repique ocorre após um período de intensa volatilidade, onde o ouro sofreu uma queda de quase 10% na sexta-feira (30 de janeiro), e a prata experimentou um colapso ainda mais dramático, com perdas que chegaram a cerca de 30% em um único dia, o pior desempenho para a prata desde 1980.
Contexto da Volatilidade: O Grande Desmonte de Posições
A recente montanha-russa nos preços dos metais preciosos é atribuída a uma combinação de fatores de curto prazo que levaram a um desmonte especulativo de posições alavancadas. Analistas apontam que os movimentos extremos de alta e baixa nos últimos dias não refletem necessariamente uma mudança estrutural nos fundamentos de oferta e demanda, mas sim um ajuste de mercado.
Um dos principais catalisadores para a queda inicial foi a notícia da indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, em substituição a Jerome Powell. A expectativa de que Warsh adotaria uma postura mais restritiva em relação ao balanço do Fed, somada à valorização do dólar, pressionou os preços dos ativos que não rendem juros, como o ouro.
O Papel da Especulação Chinesa e a Prata
A intensidade da correção foi exacerbada por uma onda de dinheiro especulativo, com grande influência do mercado chinês, especialmente às vésperas do Ano-Novo chinês. A prata, por ser um mercado com menor liquidez e volume em comparação com o ouro, sentiu o impacto de forma mais violenta. Enquanto o ouro teve sua maior perda diária em mais de uma década na sexta-feira, a prata viu sua cotação despencar mais de 30% naquele dia.
Especialistas observam que o mercado de prata estava particularmente esticado após uma valorização expressiva em 2025, o que o tornou mais suscetível a liquidações rápidas e forçadas.
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A Recuperação: O Retorno dos Fundamentos de Proteção
A disparada observada nesta terça-feira (3) sinaliza que os investidores estão retornando aos metais preciosos, aproveitando os preços mais baixos após o ajuste. O ouro à vista chegou a ser negociado acima de US$ 4.950 por onça, e os contratos futuros avançaram mais de 6%, com o metal dourado atingindo picos de mais de US$ 5.018 em alguns momentos do dia.
Análise de Mercado e Perspectivas Futuras
Instituições financeiras mantêm uma visão otimista para o longo prazo. O Deutsche Bank, por exemplo, avalia que os fatores que sustentam a valorização do ouro — como o risco geopolítico e as incertezas macroeconômicas nos EUA — continuam presentes e positivos. O banco sugere que o mercado pode buscar estabilização, com o patamar de US$ 4.400 como suporte, e projeta um potencial de alta para o ouro, chegando a mencionar a marca de US$ 6.000 por onça-troy no futuro.
Estrategistas ressaltam a importância de diferenciar os movimentos de curto prazo (a correção especulativa) da tendência estrutural. No longo prazo, o ouro continua sendo apoiado pela contínua compra por parte de bancos centrais, motivada por preocupações com a trajetória da dívida americana.
Para a prata, a recuperação foi de cerca de 8% a 13% no dia, mas a volatilidade se mantém elevada. A questão central para a prata é se ela tem fôlego para reconquistar patamares como os US$ 100 por onça, após ter caído de um pico recente de cerca de US$ 121.
Impacto Setorial
A turbulência nos preços dos metais preciosos também teve reflexos diretos no mercado de ações e fundos relacionados. Após a queda histórica, empresas de mineração sentiram o impacto negativo nas negociações europeias e americanas, com ações de grandes produtoras de prata registrando quedas significativas no pré-mercado.
Em suma, a recente disparada do ouro e da prata representa um voto de confiança renovado dos investidores nos metais como ativos de refúgio, mesmo após uma correção violenta que expôs a alavancagem excessiva em algumas posições. O mercado segue atento às decisões do Fed e ao cenário geopolítico global.
