PCDF Investiga Mortes Suspeitas no Hospital Anchieta (DF)

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou um inquérito para investigar pelo menos 20 mortes suspeitas ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. As suspeitas iniciais recaem sobre três ex-técnicos de enfermagem, que foram presos sob a alegação de envolvimento em homicídios intencionais contra pacientes entre novembro e dezembro de 2025.
A investigação, batizada como Operação Anúbis, foi desencadeada após o próprio Hospital Anchieta comunicar à polícia, pouco antes do Natal, a possibilidade de crimes ocorrendo na UTI. A suspeita surgiu a partir de uma análise interna conduzida pela comissão de óbito da unidade, responsável por revisar falecimentos para aprimoramento dos serviços.
Detalhes dos Casos Investigados
O foco inicial da apuração recai sobre três óbitos que ocorreram em circunstâncias consideradas fora do comum, datados de 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025.
- As vítimas tinham idades entre 33 e 75 anos, sendo dois homens e uma mulher.
- Um dos pacientes, de 33 anos, estava internado com suspeita de pancreatite, mas teve paradas cardíacas sucessivas, levantando estranheza na família, já que ele havia dado entrada em bom estado geral.
- Em um dos casos confirmados, a vítima de 75 anos teria recebido a aplicação de desinfetante mais de dez vezes na veia, após já ter sofrido paradas cardíacas.
Perícias realizadas pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística confirmaram a presença de substâncias potencialmente perigosas nos casos analisados inicialmente.
Modus Operandi dos Suspeitos
As investigações apontam que um técnico de enfermagem, de 24 anos, seria o principal mentor e executor dos atos.
Acesso e Aplicação de Substâncias
Segundo a PCDF, o suspeito principal teria se aproveitado do sistema hospitalar, acessando-o com o login de um médico, para modificar prescrições.
Com as receitas alteradas, ele retirava os medicamentos na farmácia, preparava-os e os aplicava diretamente na corrente sanguínea das vítimas.
A motivação para os crimes ainda não foi totalmente esclarecida. O delegado responsável pelo caso relatou que, inicialmente, o suspeito alegou cansaço extremo no plantão ou a intenção de aliviar o sofrimento das vítimas, mas a polícia ressalta que pelo menos uma das vítimas estava consciente e não corria risco de vida imediato.
Duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, também são investigadas por participação nos crimes. Uma delas teria auxiliado na retirada dos medicamentos na farmácia, e ambas estariam presentes durante algumas das aplicações, possivelmente agindo como vigias para evitar flagrantes.
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Ação do Hospital Anchieta e Fase da Investigação
O Hospital Anchieta agiu rapidamente ao detectar as irregularidades. A instituição demitiu os ex-funcionários suspeitos antes da ação policial e, após a conclusão de sua investigação interna em menos de 20 dias, solicitou a abertura do inquérito policial.
Em nota, o Hospital Anchieta se colocou como vítima das ações dos ex-colaboradores, manifestando solidariedade às famílias e reiterando seu compromisso com a transparência e a segurança dos pacientes.
A PCDF, por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), cumpriu mandados de prisão cautelar nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
A investigação agora busca determinar se houve falhas nos protocolos de controle de medicamentos da unidade e se o número de vítimas pode ser maior, estendendo a análise para cerca de 20 óbitos ocorridos no período de um ano com características semelhantes.
O caso segue sob segredo de justiça, o que restringe a divulgação de detalhes adicionais e a identificação oficial dos envolvidos.
