PF Investiga Vorcaro, Mansur e Quadrado por Ações Ocultas no BRB

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar suspeitas de gestão fraudulenta na gestão anterior do Banco de Brasília (BRB), com foco nas movimentações acionárias que envolveram empresários ligados ao liquidado Banco Master, notadamente Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur. A investigação, que tramita sob sigilo e foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF), centra-se no modelo complexo e fragmentado utilizado para a aquisição de ações do banco público, levantando a suspeita de ocultação de participação societária e burla a regras de transparência.
Estrutura Complexa de Aquisição de Ações no BRB
O cerne da investigação reside na forma como as ações do BRB foram adquiridas por indivíduos ligados ao conglomerado Master. Uma auditoria externa contratada pela nova diretoria do BRB identificou que a compra não ocorreu de maneira direta e transparente, mas sim através de uma rede complexa de fundos de investimentos e intermediários. O objetivo da PF é entender por que essa aquisição foi “pulverizada”, dificultando o rastreamento dos reais beneficiários.
Os Envolvidos e os Intermediários
Os principais nomes citados nas apurações são Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; Maurício Quadrado, ex-sócio do Master; e João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. A auditoria apontou que fundos administrados pelo próprio Master, como o Delta, Borneo e Asterope, foram utilizados para comprar ações do BRB e, subsequentemente, repassá-las a terceiros.
- Advogado de Vorcaro: Daniel Monteiro, advogado de Daniel Vorcaro, teria adquirido ações do BRB por meio de revendas de fundos como Delta e Borneo, com o auxílio de empréstimos concedidos pela empresa Cartos, também sob investigação.
- João Carlos Mansur: O fundador da Reag teria comprado ações via fundos como o Celeno, administrado pelo Master. O BRB chegou a atualizar seus dados públicos informando que Mansur detém uma participação de 4,553% das ações.
- Maurício Quadrado: O ex-sócio do Master teria adquirido sua fatia através do fundo Albali, também envolvido nas transações.
- Procurador Municipal: Em outra frente, o fundo Asterope negociou ações com Daniel de Faria Jeronimo Leite, procurador municipal de São Luís (MA), que teria usado crédito da Qista, empresa ligada à Reag, para viabilizar a compra.
Os investigadores trabalham com a hipótese de que essas movimentações configuram um “fluxo de operações circulares”, onde o dinheiro transita entre os diversos fundos e empresas ligadas ao grupo, sem necessariamente representar um aporte de capital novo, o que levanta suspeitas sobre a natureza da aquisição e o real volume de capital envolvido.
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Contexto da Investigação e Relação com o Banco Master
A abertura deste inquérito específico no BRB está interligada com as investigações mais amplas que atingem o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central por insuficiência de capital para honrar seus compromissos. Uma das alegações centrais contra o Master e Vorcaro envolve a venda de papéis podres, sem lastro, ao BRB, em uma transação que somou cerca de R$ 12 bilhões.
A suspeita da PF é que a aquisição pulverizada de ações do BRB por Vorcaro, Quadrado e Mansur visava manter influência relevante na instituição pública, especialmente no período em que o BRB negociava a aquisição do próprio Banco Master. Embora não haja crime no simples fato de indivíduos privados comprarem ações de um banco público, o foco da PF recai sobre o modelo utilizado para encobrir a titularidade e a aparente violação das regras de transparência.
Saúde Financeira do BRB e Revisão da Gestão
É importante notar que, segundo fontes próximas ao caso, a investigação da PF não questiona a saúde financeira atual do BRB, que é considerado sólido em termos de balanço e liquidez. O foco da apuração está concentrado nas operações estruturadas durante a gestão anterior, que levou à exoneração do ex-presidente Paulo Henrique Costa, também investigado pelas autoridades.
A auditoria que forneceu a base para este novo inquérito foi iniciada em dezembro, a pedido da nova administração do BRB, e os resultados foram encaminhados à PF, ao Banco Central e ao STF. Em resposta à descoberta, o BRB já atualizou sua composição acionária pública, refletindo a participação de Mansur.
Desdobramentos Regulatórios
Em decorrência da complexidade das operações desvendadas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também se movimentou, criando um grupo de trabalho específico para analisar as informações relacionadas ao conglomerado Master, à Reag Investimentos e às demais entidades citadas no relatório da auditoria. A investigação busca determinar se houve atuação deliberada para burlar exigências regulatórias e se as irregularidades tiveram impacto nas negociações entre as instituições.
