Pix: Novas Regras Facilitam Devolução de Valores em Fraudes

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, recebeu uma atualização significativa em suas regras de segurança, focada em agilizar a devolução de valores em casos de fraudes, golpes ou falhas operacionais. As novas diretrizes, implementadas pelo Banco Central (BC), tornam obrigatória a adoção da versão 2.0 do Mecanismo Especial de Devolução (MED) por todas as instituições financeiras e de pagamento que operam a modalidade.
O principal objetivo dessas mudanças é aumentar a taxa de recuperação de recursos desviados e reduzir a eficácia dos criminosos, que frequentemente pulverizam o dinheiro em múltiplas contas logo após a transação fraudulenta. Especialistas estimam que as novas medidas podem levar a uma redução de até 40% no sucesso dos golpes.
Avanços no Mecanismo Especial de Devolução (MED)
A atualização do MED é o ponto central das novas regras. Anteriormente, a devolução estava restrita à conta que recebeu o valor inicialmente, o que inviabilizava o estorno na maioria dos casos devido à rápida movimentação dos criminosos. Com a versão 2.0, o sistema passa a ter um poder de rastreamento muito maior.
O novo mecanismo permite o acompanhamento eficiente do caminho do dinheiro, rastreando as transferências mesmo quando os recursos são enviados para contas intermediárias. Esse rastreamento estendido aumenta consideravelmente as chances de bloquear e reter os valores antes que sejam sacados ou ocultados.
Bloqueio Automático e Compartilhamento de Dados
Outra alteração crucial introduzida é o bloqueio automático de contas que sejam denunciadas por envolvimento em fraude. Diferentemente do procedimento anterior, que exigia uma análise prévia, a nova regra permite o bloqueio imediato da conta suspeita, enquanto a apuração dos fatos ocorre em paralelo. Essa ação visa impedir a rápida dispersão dos recursos entre diferentes contas, o que é uma tática comum dos golpistas.
Além disso, houve um reforço no compartilhamento de informações entre as instituições financeiras. Os bancos agora trocam dados sobre o trajeto do dinheiro envolvido nas transações suspeitas, o que facilita a ação coordenada para o bloqueio em cascata e a restituição dos recursos à vítima.
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Agilidade e Transparência no Processo para a Vítima
As novas regras também trouxeram melhorias significativas no processo de contestação para o usuário lesado. A vítima agora pode solicitar a devolução diretamente pelo aplicativo do banco, por meio de uma funcionalidade de autoatendimento, eliminando a necessidade de contato direto com atendentes humanos para iniciar o processo.
O Banco Central estabeleceu um prazo máximo para a recuperação dos valores. A expectativa é que os recursos possam ser devolvidos em até 11 dias após a efetivação da contestação pela vítima. Os comprovantes de devolução também se tornarão mais transparentes, indicando claramente a qual transação o estorno está vinculado.
É importante ressaltar, contudo, que o MED não se aplica a situações em que o próprio usuário insere dados incorretos do destinatário, configurando erro operacional da vítima e não fraude ou falha do sistema.
Contexto e Obrigatoriedade das Mudanças
As medidas de segurança, anunciadas pelo BC em fases anteriores, tiveram sua adoção opcional iniciada em novembro de 2025, preparando o sistema para a transição. A partir de fevereiro de 2026, a versão 2.0 do MED e as novas diretrizes de bloqueio e rastreamento se tornaram compulsórias para todos os participantes do Pix.
O BC enfatiza que, apesar do reforço na segurança, a atenção do consumidor continua sendo um fator essencial na prevenção de crimes financeiros. As novas ferramentas fortalecem a reação do sistema financeiro, mas a vigilância contra engenharia social e tentativas de golpe permanece fundamental para os usuários do meio de pagamento, que se consolidou como o preferido no Brasil.
O serviço Pix continua gratuito para pessoas físicas, e as novas regras de segurança não implicam custos adicionais para os usuários comuns.
