PIX Segue Gratuito para PF, Desmente-se Taxação Geral

Apesar de rumores recorrentes nas redes sociais, o PIX continua gratuito para a maioria das pessoas físicas no Brasil, conforme as regras estabelecidas pelo Banco Central (BC). Informações falsas sobre a implementação de um novo imposto sobre transações financeiras acima de determinado valor, como R$ 5 mil, têm circulado, mas foram veementemente desmentidas pelo Governo Federal e pela Receita Federal. A estrutura atual de cobrança, que já previa exceções para uso comercial, permanece em vigor, sem novas tributações gerais impostas recentemente.
Gratuidade e Exceções para Pessoas Físicas
Desde seu lançamento, o PIX consolidou-se como o principal meio de pagamento instantâneo do país, graças à sua praticidade, rapidez e, principalmente, à gratuidade para a pessoa física (PF) em operações rotineiras. O Banco Central, através da Resolução BCB nº 19/2020, estabeleceu que transferências entre pessoas físicas, ou entre contas próprias, devem ser gratuitas.
No entanto, o próprio BC já previa cenários em que as instituições financeiras estão autorizadas a cobrar tarifas, mesmo para pessoas físicas, empreendedores individuais (EIs) e Microempreendedores Individuais (MEIs). Tais cobranças estão estritamente ligadas à natureza comercial ou operacional da transação:
- Uso Comercial de Recebimento: Quando uma pessoa física recebe um PIX como pagamento por produtos vendidos ou serviços prestados, a transação pode ser tarifada pela instituição financeira.
- Uso Excessivo de PIX Saque e PIX Troco: Embora o PIX Saque e o PIX Troco sejam funcionalidades importantes, os bancos podem cobrar taxas a partir da nona utilização no mês, dependendo da política interna da instituição.
- Uso de Canais Não Eletrônicos: A cobrança pode ocorrer se o cliente realizar um PIX utilizando canais presenciais ou por telefone, quando houver meios eletrônicos disponíveis para a operação.
É importante notar que, mesmo nesses casos de exceção, a decisão de cobrar ou o valor exato da tarifa fica a critério de cada banco, fintech ou cooperativa. O BC estimula a competição entre as instituições, incentivando os usuários a compararem as tabelas de tarifas.
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Desmentido de Rumores sobre Nova Taxação
Recentemente, houve uma onda de notícias falsas alegando que o Governo Federal estaria implementando um novo imposto sobre movimentações financeiras que ultrapassassem R$ 5.000, incluindo as realizadas via PIX. Essas alegações chegaram a citar alíquotas específicas, como 27,5%, e multas pesadas por não declaração no Imposto de Renda.
O Governo Federal e a Receita Federal atuaram rapidamente para refutar essas informações. Em comunicados oficiais, foi reforçado que não existe nem está previsto qualquer novo imposto federal sobre transações financeiras por meio do PIX ou outros meios. A criação ou alteração de tributos dessa natureza exige a aprovação de um projeto de lei pelo Congresso Nacional, e nenhuma proposta com esse teor está em tramitação.
Base Constitucional e Fiscalização
A proibição de tributação sobre movimentações financeiras é amparada na Constituição Federal, o que impede a criação de um imposto geral sobre o PIX. A Receita Federal esclareceu que o Imposto de Renda incide sobre rendimentos e ganhos de capital, e não sobre o fluxo de transações bancárias em si. As instituições financeiras, contudo, continuam obrigadas a monitorar transações, conforme as normas vigentes, o que pode gerar atenção especial da fiscalização em casos de movimentações incompatíveis com a declaração de renda do contribuinte, mas isso não configura uma nova taxa sobre o PIX.
Atualizações Regulatórias e Segurança
Embora a questão da taxação geral tenha sido desmentida, o Banco Central segue aprimorando o sistema PIX com foco na segurança e na expansão de funcionalidades. Novas regras, que entraram em vigor em datas específicas, visam combater fraudes e aumentar a usabilidade:
- Mecanismo Especial de Devolução (MED): Houve aprimoramentos no MED para aumentar a chance de recuperação de valores em casos de fraude. As novas diretrizes exigem que os bancos estendam o rastreamento dos valores transferidos para contas subsequentes, além da conta inicial do recebedor.
- PIX Automático: Uma das inovações centrais é o PIX Automático, desenhado para a automação de pagamentos recorrentes, como contas de consumo, assinaturas e mensalidades, mediante autorização prévia do usuário.
- Padronização de Extratos: A partir de fevereiro, os bancos devem seguir um padrão na descrição dos comprovantes, especialmente em devoluções por fraude, garantindo clareza sobre o valor, data e motivo da transação revertida.
O PIX, que movimenta volumes trilhões de reais por mês e atinge a maior parte da população brasileira, é um ativo estratégico para o sistema financeiro nacional. As atualizações regulatórias focam em manter a segurança e a eficiência, sem onerar o usuário comum com a cobrança de tarifas não previstas.
