Resort de luxo ligado a Toffoli abriga cassino ilegal, aponta investigação

O Resort Tayayá Acqua Resort, localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, e com ligações familiares com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, foi apontado por reportagens como um local que abriga um cassino ilegal com jogos de azar como blackjack e caça-níqueis que operam com apostas em dinheiro. As investigações e reportagens recentes colocam o empreendimento no centro de um escândalo, devido ao histórico de envolvimento da família do magistrado e às conexões com figuras investigadas em outros casos de grande repercussão, como o do Banco Master.
Contexto das Ligações Familiares com o Resort
A relação entre o ministro Dias Toffoli e o Tayayá Acqua Resort não é recente. Em 2020, dois irmãos do ministro adquiriram formalmente uma participação de 33,3% no capital social do resort, por um valor declarado de R$ 370 mil. A entrada do irmão de Toffoli, que na época era padre, no negócio de um resort de luxo gerou questionamentos públicos e levou a Diocese responsável a afastá-lo de suas funções religiosas.
Um dos primeiros episódios a chamar a atenção pública sobre a proximidade do ministro com o empreendimento ocorreu em 2019, quando Toffoli utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para uma viagem oficial a Ribeirão Claro, na inauguração do Fórum Eleitoral local, que foi nomeado em homenagem ao pai do ministro. Após a solenidade, o ministro estendeu sua permanência para passar o fim de semana no Tayayá Acqua Resort, o que foi registrado pela imprensa da época e gerou críticas sobre o uso de transporte oficial para fins privados.
Mudanças Societárias e Conexões Financeiras
Em 2021, a participação remanescente no Tayayá foi adquirida por Fabiano Zettel, que é pastor e cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Esta aquisição é vista com especial atenção, pois, anos depois, o processo de liquidação do Banco Master passaria a ser relatado no STF pelo próprio Ministro Dias Toffoli, gerando alegações de potencial conflito de interesses.
Posteriormente, a participação societária que pertencia aos irmãos de Toffoli também foi vendida. Documentos apontam que a venda foi feita a empresas controladas por Paulo Humberto Barbosa, um advogado identificado como ligado aos irmãos Batista (da J&F). Esta transação ocorre em um contexto onde Toffoli havia suspendido uma multa bilionária devida pela J&F.
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A Questão do Cassino Ilegal no Empreendimento
As mais recentes apurações, como as divulgadas pelo portal Metrópoles, focam na operação interna do resort. Funcionários do local teriam afirmado que o complexo luxuoso, além de suas instalações regulares, opera um cassino clandestino. As atividades ilegais incluiriam jogos de cartas como blackjack e a operação de máquinas eletrônicas de apostas, todas funcionando com movimentação de dinheiro em desacordo com a legislação federal brasileira, que proíbe jogos de azar.
A existência de um cassino em um empreendimento com laços familiares tão próximos a um ministro do STF, especialmente em um momento de intenso escrutínio sobre as decisões do magistrado em casos sensíveis, como o do Banco Master, intensifica a pressão sobre o Judiciário e o próprio ministro.
Repercussão e Reações no Cenário Político e Judicial
As revelações sobre o resort e as conexões financeiras têm gerado forte repercussão, especialmente no âmbito das investigações que envolvem o Banco Master, onde Toffoli atua como relator de processos cruciais. Críticas foram levantadas por juristas e veículos de imprensa sobre a conduta do ministro, apontando para a necessidade de se afastar de casos que possam envolver partes com as quais sua família ou ele próprio tiveram transações financeiras significativas.
Em paralelo, o cenário político tem visto a oposição avançar na coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Caso Master. A atuação de Toffoli no caso, incluindo decisões como a convocação de acareações consideradas atípicas por especialistas e a manutenção do sigilo absoluto em autos, tem sido alvo de contestação.
A situação do resort com o alegado cassino, somada às movimentações societárias envolvendo advogados ligados a empresários cujos casos passaram pelas mãos do ministro, adiciona uma nova camada de complexidade e questionamento sobre a isenção e a imagem pública de Dias Toffoli no comando de investigações de grande impacto econômico e político no país.
Fonte: Metrópolis
