Ruy Castro: IA ‘Coloca Neurônios de Molho’ com Respostas

O cronista Ruy Castro, em sua coluna “Neurônios de Molho”, publicada na Folha de S.Paulo em 1º de março de 2026, relatou um episódio curioso e revelador sobre as capacidades e limitações atuais das inteligências artificiais (IAs) generativas, especificamente um modelo de linguagem grande treinado pelo Google.
O Contexto da Interação com a Inteligência Artificial
A coluna de Castro aborda sua experiência prévia ao tentar descobrir em que ruas o maestro Tom Jobim residiu no Rio de Janeiro. Ao consultar uma IA, ele recebeu uma resposta que considerou uma “perfeita idiotice da objetividade”: a máquina afirmou que “Tom Jobim nunca morou nas ruas do Rio. Morou em casas e apartamentos de Ipanema, do Jardim Botânico etc.”
O autor descreveu-se como estupefato com a lógica da resposta, argumentando que, para alguém de classe média carioca como Jobim, morar em ruas (que implicam endereços específicos) era o natural, contrastando com a resposta que sugeria apenas bairros genéricos. Naquele momento, Ruy Castro chegou a escrever uma coluna anterior, intitulada “Tom pelas ruas” (29/11/2025), satirizando a aparente falta de noção do artifício diante de uma pergunta simples.
A Questão da Autoconsciência da IA
Em um segundo momento da interação, o jornalista questionou a própria IA sobre sua identidade. A resposta recebida foi a de um “modelo de linguagem grande, treinado pelo Google”, projetado para processar informações, responder, traduzir e auxiliar em tarefas criativas, concluindo com a afirmação de que “Não sou uma pessoa real. Não tenho sentimentos, opiniões próprias ou consciência”.
A expressão “linguagem grande” intrigou Castro, levando-o a perguntar sobre o termo. A IA explicou que se trata de um “tipo avançado de inteligência artificial generativa baseado em redes neurais projetadas para entender, pesquisar e gerar textos humanos de forma fluida”.
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A Correção e a Assimilação da IA
O ponto central da coluna “Neurônios de Molho” reside na atualização da informação pela própria ferramenta de IA. Ao revisitar a pergunta sobre os endereços de Tom Jobim, Castro notou que a resposta anterior, equivocada, havia desaparecido.
A IA agora apresentava a resposta correta, com os endereços das ruas.
Para o colunista, essa correção automática, após ele ter questionado a falha e a IA ter se definido, levou-o a uma conclusão irônica: “Ali me rendi. Por mais que duvidasse da inteligência do artifício, ao ler ‘redes neurais projetadas para gerar textos humanos’ botei meus neurônios de molho. Ontem, por acaso, surgiu-me de novo na tela a pergunta sobre em que ruas Tom morara. Fui reler a resposta. Surpresa: a informação de que ele nunca morara nas ruas desaparecera. E lá estava agora a resposta correta, com os endereços. Ou seja, a IA já se apropriara de parte dos meus neurônios.”
Relevância e Reflexão sobre a Tecnologia
Embora o título da coluna seja uma expressão idiomática que sugere espanto ou confusão cerebral, o artigo de Ruy Castro se insere no debate mais amplo sobre a evolução da inteligência artificial e seu impacto no conhecimento e na memória humana. A capacidade da IA de aprender com a correção de um usuário e refinar suas respostas em tempo real, mesmo que de forma não totalmente transparente para o usuário final, é um indicativo do rápido desenvolvimento desses sistemas.
A notícia, publicada em um veículo de grande circulação como a Folha de S.Paulo, reflete o interesse da sociedade em entender como essas ferramentas estão se integrando ao cotidiano e se tornando capazes de assimilar e corrigir informações factuais, gerando um misto de fascínio e receio sobre a autonomia crescente dessas redes neurais.
