Lucro do Santander Cresce, Mas Imposto Baixo é o Segredo do Sucesso

O Santander Brasil anunciou resultados financeiros robustos referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25), registrando um lucro líquido gerencial de R$ 4,1 bilhões, o que representa um aumento de 6% na comparação anual e o melhor desempenho trimestral do banco em quatro anos. Apesar do número positivo, o mercado reagiu com ressalvas, pois o resultado foi significativamente beneficiado por uma alíquota de imposto de renda excepcionalmente baixa, um fator que, segundo analistas, “salvou o dia”.
Análise do Resultado Trimestral e Impacto Fiscal
O lucro líquido gerencial do Santander no 4T25 ficou em linha com as expectativas do consenso de mercado, que apontava para cerca de R$ 4,07 bilhões. No acumulado de 2025, o lucro totalizou R$ 15,6 bilhões, um crescimento de 12,6% em relação ao ano anterior, e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROE) manteve-se estável em 17,6%.
A Influência da Carga Tributária Reduzida
O ponto central de atenção do mercado reside na composição desse lucro. O lucro antes de impostos (que mede o earnings power real do banco) apresentou uma queda de 14,8% no trimestre em relação ao mesmo período de 2024. Isso demonstra que a receita operacional principal do banco enfrentou desafios. A alíquota efetiva de imposto no trimestre foi muito reduzida, ficando em torno de 3%, um cenário semelhante ao observado no terceiro trimestre. O CEO Mario Leão reconheceu essa situação, afirmando que o banco se beneficiou de otimizações fiscais pontuais, como o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP), e projetou que a alíquota deve se normalizar ao longo de 2026. Analistas, como Eduardo Rosman do BTG, destacaram que a baixa tributação foi o principal fator que impulsionou o resultado final acima do esperado.
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Desempenho Operacional e Estratégia do Banco
Apesar da dependência do benefício fiscal, houve sinais positivos em algumas áreas operacionais, embora mistos. A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 708,2 bilhões, com um crescimento de 3,7% na base anual. No entanto, a margem financeira bruta sofreu uma retração de 4% na comparação anual, sendo impactada pela sensibilidade negativa à taxa de juros, embora a margem com clientes tenha crescido 6,6% no ano.
Qualidade da Carteira e Provisões
Um fator de preocupação foi o aumento da inadimplência. A taxa de atraso acima de 90 dias subiu, pressionada principalmente pelas carteiras de pessoa física de baixa renda e por Pequenas e Médias Empresas (PMEs). Em contrapartida, o volume de provisões para perdas esperadas foi menor no trimestre, o que também ajudou a inflar o lucro líquido final. O banco segue com a estratégia de reduzir sua exposição à baixa renda e focar no crescimento desproporcional nos segmentos de alta renda e PMEs, visando construir portfólios mais saudáveis.
Reação do Mercado e Perspectivas Futuras
Apesar do lucro ser o maior em quatro anos, as unidades (SANB11) do Santander abriram em queda no dia do anúncio, recuando cerca de 1% a 2% no início das negociações. Essa cautela do mercado reflete a preocupação com a sustentabilidade do lucro sem o efeito fiscal atípico. O CEO Mario Leão expressou a determinação do banco em elevar o lucro antes de impostos de forma “saudável” em 2026. O objetivo declarado do Santander é retomar um ROE de 20%, com a estratégia focada na eficiência operacional e na seletividade da concessão de crédito, mantendo cautela diante do cenário macroeconômico e da taxa Selic em queda.
Contexto Global e Estrutura
A operação brasileira manteve sua relevância no grupo Santander globalmente. Em 2025, o Santander registrou lucro global recorde de € 14,101 bilhões, com o Brasil respondendo por 15,4% desse total, sendo a segunda maior contribuição, atrás apenas da Espanha. Internamente, o foco em eficiência também se traduziu em otimização de custos, com o banco conseguindo ampliar a alavancagem operacional e reduzir o índice de eficiência, mesmo com investimentos em tecnologia. Paralelamente, o grupo tem continuado a reestruturação de sua rede física, com fechamento de agências e redução de postos de trabalho em 2025.
