Shell Vende 20% do Pré-Sal Orca para Empresa do Kuwait

A Shell Brasil Petróleo, subsidiária da gigante de energia Shell, anunciou um acordo estratégico para vender 20% de sua participação no Projeto Orca, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, para a Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (KUFPEC), braço de exploração internacional da Kuwait Petroleum Corporation (KPC).
A transação marca a estreia da empresa do Kuwait no Brasil e representa um movimento significativo na gestão de capital da Shell, que busca otimizar seu portfólio de ativos no país. Embora o valor do negócio não tenha sido divulgado publicamente, a operação está sujeita à aprovação regulatória e ao exercício de direitos preferenciais, com previsão de conclusão até o final de 2026.
Detalhes da Estrutura Acionária e Operacional
O Projeto Orca, anteriormente conhecido como Gato do Mato, é um desenvolvimento de óleo e gás em águas profundas que teve sua Decisão Final de Investimento (FDI) tomada em março de 2025. Com a concretização da venda, a nova estrutura de participação no ativo será reconfigurada:
- Shell: Manterá a operação e uma participação de 50%.
- KUFPEC (Kuwait): Adquirirá 20%, tornando-se nova sócia.
- Ecopetrol (Colômbia): Manterá sua participação de 30%.
Antes do acordo, a Shell detinha 70% (como operadora) e a Ecopetrol 30%, além da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) como gestora do Contrato de Partilha de Produção (CPP) de Sul de Orca. A Shell permanecerá como a operadora do campo, garantindo a continuidade do planejamento e execução do desenvolvimento.
O Projeto Orca e as Expectativas de Produção
O desenvolvimento do Orca prevê a instalação de um navio-plataforma do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading) com capacidade para produzir até 120 mil barris de óleo por dia. O início da produção comercial está projetado para ocorrer em 2029.
O campo está situado no pré-sal, uma das fronteiras de exploração mais complexas e ricas do mundo, caracterizada por reservatórios localizados sob uma espessa camada de sal na Bacia de Santos. Estima-se que os volumes recuperáveis atuais do desenvolvimento sejam de aproximadamente 370 milhões de barris.
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Motivação Estratégica da Shell
A decisão da Shell de vender uma fatia do Orca é interpretada pelo mercado como uma prática comum de gestão de portfólio, visando o equilíbrio entre risco e fluxo de caixa, especialmente em projetos com alto dispêndio de capital (CAPEX), como os do pré-sal.
Peter Costello, Presidente de Upstream da Shell, destacou que o acordo reforça a “alocação disciplinada de capital” no portfólio global da empresa. Analistas do setor sugerem que o Projeto Orca, apesar de ser um ativo de baixo risco e com produção definida, pode ser considerado menor em comparação com outros projetos do grupo da Shell na região, sendo também classificado mais como um campo de gás e condensado do que puramente de petróleo.
A injeção de gás, necessária para otimizar a extração de óleo, e a potencial necessidade de investimento futuro em um gasoduto para escoamento do gás à costa, são fatores que podem influenciar a atratividade de um campo para uma petroleira que busca otimizar a exposição de capital.
Fortalecimento da Parceria com o Kuwait
A entrada da KUFPEC não é apenas uma transação financeira, mas também um reforço nas relações bilaterais de energia. Peter Costello mencionou que a parceria visa ampliar a colaboração já existente entre Shell e KUFPEC em outros mercados, citando especificamente os bons resultados da colaboração no Egito. O movimento também visa aprofundar o compromisso de longo prazo da Shell com o Kuwait, alinhando-se à forte parceria que a empresa mantém com a Kuwait Petroleum Corporation.
A KUFPEC, fundada em 1981, é uma entidade que atua globalmente em exploração e produção de hidrocarbonetos fora do território kuwaitiano, e a aquisição da participação no Orca representa um marco importante em sua expansão para a Bacia de Santos, considerada uma das regiões offshore mais atrativas do mundo.
A transação sinaliza a confiança do mercado internacional no potencial do pré-sal brasileiro, atraindo capital de países produtores de petróleo para o desenvolvimento de reservas já descobertas, enquanto a Shell mantém o controle operacional e uma participação majoritária no ativo.
