Tarifa Sabesp Sobe, Mas CEO Diz Que Aumento é ‘Mitigado’ Após Dobrar Investimento

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), após sua recente privatização, confirmou que haverá um reajuste nas tarifas cobradas dos consumidores, contudo, o executivo-chefe (CEO) da empresa, Carlos Piani, afirmou que este aumento será “mitigado”. Essa comunicação surge em um contexto de forte aceleração dos investimentos da companhia, que mais que dobrou os aportes em 2025 em comparação com o ano anterior, visando a universalização do saneamento no estado de São Paulo.
Contexto da Revisão Tarifária Pós-Privatização
A gestão da Sabesp, agora sob controle privado desde julho de 2024, está implementando um novo modelo regulatório, supervisionado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). A primeira revisão tarifária sob este novo regime, válida a partir de 2026, prevê um reajuste médio de aproximadamente 6,11%, valor que, segundo o governo paulista, corresponde apenas à reposição da inflação (IPCA) acumulada em 16 meses de contrato.
O governo tem defendido que, mesmo com o aumento, o percentual aplicado ficou significativamente menor do que seria projetado se a Sabesp tivesse permanecido como empresa estatal. A tarifa de referência calculada pela Arsesp ficou 15% abaixo do valor que seria praticado caso a companhia não tivesse sido desestatizada.
Mecanismos de Mitigação e Investimentos
A promessa de tarifa “mitigada” está diretamente ligada ao volume recorde de investimentos que a empresa alega estar realizando. A Sabesp investiu cerca de R$ 15,2 bilhões em 2025, um aumento expressivo em relação aos R$ 6,9 bilhões aplicados no ano anterior, o que representa mais que o dobro dos aportes.
Segundo o CFO da Sabesp, Daniel Szlak, a expectativa é ampliar ainda mais esse ritmo em 2026, com aportes previstos em torno de R$ 20 bilhões. Esses recursos estão sendo direcionados para acelerar as metas de universalização do saneamento básico no estado, com o objetivo de alcançá-la até 2029.
O CEO Carlos Piani destacou que o contrato de concessão foi desenhado com mecanismos regulatórios que visam evitar investimentos desnecessários que poderiam onerar excessivamente as tarifas. O executivo enfatizou que qualquer investimento deve gerar “benefício real para a sociedade”, sendo avaliado pelo regulador quanto ao aproveitamento dos ativos.
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Resultados e Repercussões da Desestatização
A desestatização, concluída em julho de 2024, é apontada como o fator que permitiu este salto nos investimentos. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende, ressaltou que os números reforçam o sucesso do modelo adotado, que tem a modicidade tarifária como pilar, apesar do forte crescimento nos aportes.
A empresa alega ter cumprido metas contratuais em 2024 em patamares entre 130% e 150%, incluindo a conexão de centenas de milhares de imóveis à rede de água e coleta de esgoto.
Contrapontos e Promessas Anteriores
Apesar das explicações oficiais sobre a mitigação do reajuste, o tema tarifário gerou controvérsia, especialmente porque, durante a campanha pela privatização, o governador Tarcísio de Freitas havia, em alguns momentos, sugerido uma potencial queda nas tarifas.
Em discussões públicas, há o questionamento sobre a aplicação dos recursos. Alguns comentários apontam que, antes da privatização, a Sabesp já possuía um plano de investimentos robusto, e há ceticismo sobre a destinação exata dos novos aportes, com menções a obras como o Integra Tietê, focado em esgoto, e a importância de integrar sistemas de abastecimento para garantir a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo.
Adicionalmente, foi mencionado que, antes da privatização, a Sabesp utilizava parte de sua arrecadação para subsidiar certas políticas públicas. Com a empresa privada, a responsabilidade por tais políticas reverte-se ao Estado.
Próximos Passos
A Sabesp, que antes da venda representava cerca de 30% dos investimentos em saneamento no Brasil, projeta agora ter potencial para quase metade do total nacional. A empresa também avalia oportunidades de expansão para fora do estado de São Paulo, como no processo de privatização da Copasa em Minas Gerais, dependendo das regras e da clareza regulatória desses processos. A aplicação do reajuste de 6,11% está prevista para começar em janeiro de 2026, marcando o primeiro ajuste pós-desestatização.
