Trump intensifica controle da IA para expandir poder global dos EUA

Em um movimento estratégico para consolidar a liderança dos Estados Unidos na inteligência artificial (IA) e, por consequência, ampliar sua influência global, o presidente Donald Trump assinou em junho de 2026 um decreto executivo que concede ao governo acesso antecipado a modelos avançados de IA para avaliação de riscos de cibersegurança antes de seu lançamento público. Essa medida, somada a um abrangente plano de ação e esforços para impulsionar a infraestrutura tecnológica e a exportação, reflete a visão de que o domínio da IA é crucial para a segurança nacional e a competitividade econômica do país, uma perspectiva amplamente discutida por analistas e publicações internacionais.
Visão Estratégica: Liderança Global em IA
Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump tem reiterado a importância de os Estados Unidos vencerem a “corrida da IA”, buscando a supremacia global na tecnologia. Sua administração enxerga a inteligência artificial não apenas como um motor de inovação e prosperidade econômica, mas como um pilar fundamental para a segurança nacional e para a manutenção de uma posição de poder no cenário geopolítico mundial. A retórica governamental enfatiza que quem possuir o maior ecossistema de IA definirá os padrões globais e colherá vastos benefícios econômicos e de segurança.
Essa abordagem reflete uma intensificação da competição estratégica global, particularmente entre EUA e China, por hegemonia tecnológica, frequentemente caracterizada como uma “nova Guerra Fria da Inteligência Artificial”. Para Trump, a IA é um vetor configurador de poder nacional no século XXI, permeando desde sistemas de defesa e inteligência até infraestruturas críticas e setores econômicos.
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Novo Marco Regulatório e Controle Governamental
A ordem executiva mais recente, assinada em 2 de junho de 2026, exige que empresas de IA compartilhem voluntariamente com o governo, com até 30 dias de antecedência, novos modelos considerados com capacidades cibernéticas avançadas. Essa iniciativa surgiu em resposta a preocupações de segurança geradas por modelos como o Mythos, da Anthropic, que demonstrou capacidade de expor vulnerabilidades em sistemas digitais, incluindo os de bancos, governos e hospitais.
Embora a abordagem seja descrita como “voluntária”, a medida permite que o governo avalie os riscos de segurança cibernética e proteja infraestruturas críticas antes que esses modelos sejam amplamente disponibilizados. Para Sam Altman, CEO da OpenAI, o decreto “encontra o equilíbrio correto” para manter os Estados Unidos na dianteira da corrida da IA, ao mesmo tempo em que “deixa as ferramentas de cibersegurança nas mãos de defensores confiáveis”. Contudo, críticos apontam que essa intervenção governamental, mesmo que sob o pretexto de segurança, pode ser interpretada como uma ferramenta de influência e controle sobre o desenvolvimento tecnológico, especialmente para empresas estrangeiras.
Este decreto representa uma guinada conservadora para o governo Trump, que inicialmente se opunha a regulamentações excessivas em nome da competitividade. A revogação de um decreto de 2023 de seu antecessor, Joe Biden, que era considerado excessivamente restritivo, e a subsequente introdução desta nova ordem com prazos reduzidos para exame de modelos (de 90 para 30 dias), sublinham a urgência e a prioridade dadas à segurança e à velocidade na inovação.
Plano de Ação para a IA Americana: “Winning the Race”
Em julho de 2025, a Casa Branca divulgou o documento “Winning the Race: America’s AI Action Plan”, um plano nacional de inteligência artificial que articula mais de 90 ações federais. Este plano estratégico baseia-se em três pilares principais:
- Aceleração da inovação: Fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias de IA.
- Construção de infraestrutura de IA: Fortalecer a base física e energética para suportar o avanço da tecnologia.
- Liderança diplomática internacional: Usar a influência dos EUA para moldar padrões e governança globais da IA.
O plano também enfatiza a necessidade de adquirir Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) que sejam “livres de viés ideológico”, indicando que empresas que não garantam “verdade objetiva” em seus modelos podem ser excluídas de negócios com o governo. Além disso, diretrizes sobre diversidade, equidade, inclusão, mudanças climáticas e desinformação estão sendo revisadas ou removidas de políticas relacionadas à IA.
Infraestrutura e Exportação Tecnológica como Ferramentas de Poder
Um aspecto central da estratégia de Trump é o investimento massivo em infraestrutura. O plano prevê a criação de um novo marco para acelerar o licenciamento de data centers e fábricas de semicondutores, incluindo a flexibilização de leis ambientais nos EUA. A expansão da capacidade energética e a modernização da rede elétrica nacional são tratadas como elementos críticos para sustentar as ambições de liderança global em IA, diante da estagnação da capacidade energética do país em contraste com concorrentes.
No âmbito internacional, os Estados Unidos planejam
- exportar seu “pacote de tecnologia” de IA para aliados, visando consolidar o hardware e software americanos como referência global.
- isolar a China de fóruns regulatórios e usar sua influência em organismos internacionais (ONU, G7, OCDE) para conter iniciativas que promovam códigos de conduta alinhados a valores autoritários.
Essa estratégia de exportação e influência busca reduzir a dependência global de sistemas de nações adversárias e fortalecer laços com aliados, promovendo padrões e modelos de governança americanos.
Contexto Geopolítico e a Corrida Global
A inteligência artificial tornou-se um elemento estratégico central na organização do poder dos Estados soberanos, sendo considerada tanto um campo de disputa quanto um vetor configurador de poder nacional. A corrida tecnológica global, principalmente entre EUA e China, foca no controle de dados, redes, hardware crítico e modelos avançados de IA.
Países de diferentes regiões do mundo estão acelerando investimentos em infraestrutura própria de IA em resposta a pressões geopolíticas, regulatórias e de segurança, buscando maior soberania digital e alternativas a modelos concentrados nos EUA. A consultoria Gartner projeta que, até 2027, cerca de 35% dos países estarão vinculados a plataformas de IA específicas por região, um salto significativo em relação aos 5% atuais. Isso demonstra que a estratégia americana de domínio da IA e exportação de seu “tech stack” se insere em um cenário global complexo, onde outras nações também buscam autonomia tecnológica.
Críticas e Desafios
A abordagem de Trump, que prioriza a aceleração da inovação e a redução da burocracia, tem gerado debates. Embora defensores argumentem que é essencial para a competitividade, críticos expressam preocupação com a flexibilização de salvaguardas e o potencial impacto na segurança e ética da IA, especialmente após a revogação de decretos do governo Biden que definiam padrões de conformidade e medidas de redução de dados.
A busca por soberania em IA, embora estratégica, acarreta custos elevados. A Gartner estima que países que decidirem estabelecer uma pilha soberana de inteligência artificial precisarão investir ao menos 1% do Produto Interno Bruto em infraestrutura de IA até 2029. Além disso, a soberania em IA pode levar à redução da colaboração internacional e à duplicação de esforços, tornando o futuro da geopolítica da IA imprevisível.
Desdobramentos Futuros
A política de Donald Trump em relação à inteligência artificial sinaliza uma era de intensa competição e reconfiguração da ordem global. Ao usar o controle da IA como uma ferramenta central para a política externa e a segurança nacional, os Estados Unidos buscam não apenas manter sua primazia tecnológica, mas também moldar os rumos da governança global da IA de acordo com seus próprios interesses e valores. Os próximos anos serão cruciais para observar como essas estratégias se desdobrarão e quais serão suas ramificações para o desenvolvimento da IA, a economia global e as relações internacionais. A capacidade de equilibrar inovação, segurança e colaboração internacional será um desafio contínuo para todas as nações envolvidas nesta corrida tecnológica.
