Will Bank Liquidado: Como Clientes Podem Recuperar Dinheiro

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, encerrando definitivamente as operações da instituição digital. A medida, anunciada em 21 de janeiro, foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da empresa e sua insolvência, sendo o Will Bank uma instituição controlada pelo Banco Master, que já estava em processo de liquidação.
Com a decretação, todas as atividades do Will Bank foram imediatamente interrompidas, o que significa que os clientes não conseguem mais realizar operações como Pix, transferências e pagamentos, e os cartões emitidos pela fintech foram bloqueados. A principal preocupação dos milhões de correntistas e investidores é a recuperação dos valores mantidos na plataforma. Felizmente, o dinheiro não desaparece automaticamente, mas o acesso se torna burocrático e depende de procedimentos formais, principalmente através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Proteção do FGC: Limites e Elegibilidade para Ressarcimento
A principal via para a recuperação de saldos para a maioria dos clientes pessoas físicas é a garantia oferecida pelo FGC. Este fundo assegura o ressarcimento de valores mantidos em produtos como contas-correntes, poupança e Certificados de Depósito Bancário (CDBs), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
O FGC já anunciou o acionamento do processo de garantia, estimando um valor total a ser pago de cerca de R$ 6,3 bilhões, com base em dados de novembro do ano anterior.
Regras de Consolidação de Valores
É fundamental notar que o limite de R$ 250 mil é aplicado ao total de depósitos e créditos contemplados por CPF ou CNPJ em todo o conglomerado prudencial. Como o Will Bank era controlado pelo Banco Master (também liquidado), clientes que possuíam recursos em ambas as instituições precisam ter atenção redobrada:
- Clientes que adquiriram produtos financeiros no Will Bank antes da aquisição pelo Banco Master (em 22 de agosto de 2024) têm o direito à garantia preservado individualmente.
- Para aplicações feitas a partir de 22 de agosto de 2024, os valores em ambas as instituições serão consolidados para o cálculo do limite de R$ 250 mil.
Para aqueles que já tiveram o reembolso integral efetuado pelo FGC no caso do Master, não haverá ressarcimento adicional pelo Will Bank, caso o total ultrapasse o limite consolidado.
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Passo a Passo para Recuperar Valores Garantidos pelo FGC
O pagamento pelo FGC não é automático; os clientes precisam seguir um procedimento formal para solicitar o ressarcimento. O processo começa com o liquidante nomeado pelo BC, que é responsável por validar a lista de credores e enviá-la ao FGC.
O procedimento geral, que pode levar de 30 a 60 dias para começar, segue estas etapas:
- Envio da Lista de Credores: O liquidante (a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda foi nomeada para o Will Bank) envia os dados dos clientes ao FGC, o que pode levar até 30 dias úteis.
- Liberação do Pedido: Após a validação das informações pelo FGC, a opção “Solicitar pagamento” será liberada no aplicativo oficial do FGC.
- Solicitação e Validação: Pessoas físicas devem baixar o aplicativo do FGC (disponível para Android e iOS), realizar o cadastro com dados pessoais, informar uma conta bancária de mesma titularidade e assinar digitalmente o pedido. O FGC pode solicitar documentos adicionais e validação biométrica.
- Pagamento: Após a aprovação, o valor garantido é transferido para a conta indicada.
Para casos específicos, como menores de idade e espólios, a solicitação deve ser feita por e-mail, utilizando o endereço atendimento.credores@fgc.org.br, com a documentação exigida.
O Que Acontece com Valores Acima do Teto do FGC?
Clientes e investidores com valores superiores a R$ 250 mil, ou aqueles cujos produtos não são elegíveis à garantia do FGC (como algumas Letras Financeiras ou investimentos diretos mais complexos), tornam-se credores da massa liquidanda.
Nestes casos, a recuperação do dinheiro é mais incerta e sujeita a um regime jurídico excepcional. O eventual pagamento dependerá da existência de recursos suficientes após a venda de todos os ativos do Will Bank pelo liquidante. Além disso, esses pagamentos seguirão a ordem legal de preferência entre os credores, o que significa que podem enfrentar perdas parciais ou totais, dependendo do resultado da liquidação.
Dívidas e Faturas em Aberto
Uma questão relevante é o destino das dívidas e faturas em aberto com o Will Bank. A liquidação extrajudicial não encerra automaticamente as obrigações dos clientes. Os valores devidos ao banco ainda são devidos e a recuperação desses recursos é parte fundamental do processo, pois os montantes arrecadados com a cobrança das dívidas serão usados para quitar os passivos do banco, incluindo o ressarcimento ao FGC. A recomendação de especialistas é não tentar realizar movimentações após a decretação da liquidação, pois esses atos podem ser bloqueados ou invalidados.
A Mastercard, que atuava apenas como bandeira dos cartões, segue operando normalmente, mas os cartões emitidos pelo Will Bank foram cancelados.
Desdobramentos e Perspectivas
A liquidação do Will Bank é o desdobramento final após a intervenção no Banco Master, que controlava a fintech. Embora o conglomerado representasse menos de 1% do Sistema Financeiro Nacional, o episódio acende um alerta sobre riscos no setor. Devido ao porte significativamente menor do Will Bank em comparação ao Master, a expectativa é que o processo de restituição por meio do FGC possa ocorrer em um prazo inferior ao estimado para o banco controlador.
