Celular de Daniel Vorcaro: Perícia da PF pode definir futuro de caso no STF

A Polícia Federal (PF) intensificou a análise técnica do conteúdo digital extraído do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apreendido durante a Operação Compliance Zero. O resultado dessa perícia é considerado um ponto de inflexão que pode definir se o inquérito permanecerá sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF) ou se será remetido à primeira instância. O empresário havia se recusado a fornecer a senha do aparelho, alegando preocupação com o vazamento de suas “relações pessoais e privadas”, mas a PF utilizou ferramentas tecnológicas avançadas para acessar o material.
Avanço na Perícia Digital e Custódia do Material
A extração de dados foi realizada em uma sala de acesso restrito no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, seguindo rigorosos protocolos para preservar a cadeia de custódia, tratando o aparelho como uma “cena de crime”. Mesmo sem a colaboração de Vorcaro, que se recusou a fornecer a senha durante seu depoimento em dezembro, a PF empregou softwares especializados, inclusive de origem israelense e norte-americana, capazes de romper bloqueios de segurança em sistemas operacionais como iOS.
O conteúdo digital apreendido não se limitou apenas ao telefone do banqueiro. A investigação abrangeu aparelhos de familiares, ex-sócios e do investidor Nelson Tanure, cujos dados também foram extraídos e processados. Todo o material coletado foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que acompanha de perto a análise.
Importância Estratégica do Conteúdo
As informações contidas no celular de Vorcaro são vistas como cruciais, pois podem revelar a extensão da rede de contatos do empresário, que em depoimento afirmou ter “amigos de todos os Poderes”. Investigações apontam que o aparelho pode conter mensagens, áudios e registros de grupos de WhatsApp que esclareceriam a atuação do empresário e de outros envolvidos em possíveis esquemas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e outros delitos sob apuração no âmbito do Caso Master.
Veja também:
Implicações no Foro e Jurisdição do Caso
O principal desdobramento jurídico reside na definição da competência para julgar o caso. Se as evidências recuperadas comprovarem o envolvimento direto de autoridades com foro privilegiado, a investigação, que já conta com mais de vinte procedimentos apensos no STF, deverá permanecer sob a relatoria do Ministro Dias Toffoli. Por outro lado, a ausência de elementos que justifiquem a permanência no STF levará ao envio dos autos para a primeira instância, o que pode alterar significativamente o andamento e a profundidade de certas apurações.
O Caso Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil, culminando na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025, após suspeitas de fragilidades operacionais e descumprimento de regras de liquidez.
Contexto Político e Outras Investigações
Paralelamente à perícia da PF, o caso segue gerando desdobramentos em outras esferas de poder. O inquérito no STF já se expandiu consideravelmente, sendo apelidado por fontes internas como o “novo inquérito do fim do mundo”.
Acompanhamento no Congresso Nacional
No Legislativo, a CPMI do INSS, que apura supostas fraudes em empréstimos consignados envolvendo o Banco Master (com cerca de 250 mil contratos sob questionamento), tem buscado ouvir Daniel Vorcaro. O depoimento do empresário na comissão parlamentar de inquérito foi remarcado, e houve movimentação política para alinhar a convocação com o ministro Dias Toffoli.
Além disso, o Senado Federal formalizou a criação de um grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para acompanhar o Caso Master. Senadores, como Renan Calheiros, têm classificado o episódio como grave e planejam requisitar documentação sigilosa e convocar autoridades, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da PF.
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, já afirmou ter tido um encontro com Vorcaro, garantindo que a investigação seria conduzida de maneira estritamente técnica pelo Banco Central, sem interferência política.
Próximos Passos
A expectativa é que a conclusão da análise forense do celular, que pode levar cerca de duas semanas para ser finalizada, forneça elementos decisivos para o Ministro Dias Toffoli decidir sobre a manutenção da investigação no STF, fechando um capítulo importante na apuração sobre os bastidores do Banco Master e suas conexões em Brasília.
