AMD Lidera: Receita de Data Center Supera Intel Impulsionada por IA

A Advanced Micro Devices (AMD) alcançou um marco histórico no primeiro trimestre de 2026, superando a Intel em receita no segmento de data centers. A virada, impulsionada principalmente pelo crescente boom da Inteligência Artificial (IA), consolida uma tendência que já se desenhava desde o final de 2025, marcando a primeira vez que a AMD assume a liderança neste período do ano.
No primeiro trimestre de 2026, a divisão de data centers da AMD registrou uma receita impressionante de US$ 5,8 bilhões, representando um aumento de 57% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, a Intel reportou US$ 5,1 bilhões para sua unidade de Data Center e IA (DCAI), um crescimento de 22% no mesmo período.
A Ascensão da AMD e o Papel da IA
A ascensão da AMD no mercado de data centers tem sido notável, especialmente com o lançamento e a forte demanda por seus processadores EPYC e aceleradores de IA da série Instinct, como o MI300X. Este último tem sido apontado como o produto de mais rápido crescimento na história da empresa a atingir a marca de US$ 1 bilhão em vendas.
A CEO da AMD, Dra. Lisa Su, destacou que a demanda acelerada por infraestrutura de IA é agora o principal motor de crescimento de receita e lucros da empresa. Ela ressaltou o forte momento impulsionado pela inferência e pela IA agêntica, que estão gerando uma demanda crescente por CPUs e aceleradores de alto desempenho.
O Impacto da IA Agêntica na Demanda por CPUs
Um fator crucial para essa mudança de cenário é a evolução da IA. A chamada “IA agêntica” está alterando a proporção de CPUs para GPUs necessárias em implantações de IA. Anteriormente, a proporção era de 1 CPU para 8 GPUs, mas essa relação rapidamente caiu para 1:4 e caminha para 1:1, aumentando significativamente a demanda por processadores de servidor.
Essa mudança indica que, embora as GPUs continuem essenciais para o treinamento de modelos de IA, a fase de inferência e a execução de tarefas de IA em tempo real exigem um poder de processamento central robusto, colocando os processadores EPYC da AMD em uma posição de destaque.
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Desempenho Financeiro e Expectativas Futuras
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 da AMD refletem um desempenho financeiro robusto. A receita total da empresa atingiu US$ 10,3 bilhões, um aumento de 38% em relação ao ano anterior, superando as expectativas dos analistas. A margem bruta não-GAAP foi de 55%, e o lucro por ação diluído não-GAAP foi de US$ 1,37.
A AMD projeta que o crescimento no segmento de servidores continuará a acelerar, com a empresa escalando a oferta para atender à demanda. A expectativa é que a receita do segundo trimestre de 2026 alcance aproximadamente US$ 11,2 bilhões, superando as projeções de mercado.
A empresa também revisou para cima sua projeção de crescimento anual para o mercado de CPUs de servidor, esperando que ele cresça mais de 35% até 2030, atingindo um valor de US$ 120 bilhões.
A Resposta da Intel e a Dinâmica Competitiva
Apesar da liderança da AMD no primeiro trimestre, a Intel também demonstrou um crescimento considerável em sua divisão de Data Center e IA (DCAI), com receita de US$ 5,1 bilhões, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Este crescimento foi impulsionado por remessas de seus processadores de servidor Granite Rapids e pelos primeiros lançamentos do acelerador Gaudi 3.
A Intel está ciente da mudança no mercado e confirmou que priorizará a produção de chips para data centers de IA em 2026, mesmo que isso possa resultar em escassez para o mercado de PCs de consumo. A empresa está focada em sua estratégia IDM 2.0 e em sua tecnologia de processo 18A para competir no cenário de semicondutores.
Analistas apontam que a Intel está buscando recuperar terreno, com o Gaudi 3 focando no mercado de inferência e parcerias estratégicas, como a anunciada com a IBM Cloud para disponibilizar os aceleradores Gaudi 3. A proporção de CPUs para GPUs em implantações de IA, que está se estreitando, é vista como um ponto positivo para a Intel, que historicamente domina o mercado de CPUs.
Desafios e Perspectivas para o Mercado de Data Centers
O mercado global de data centers, avaliado em US$ 49,49 bilhões em 2026, está projetado para crescer a uma taxa composta anual de 25,32% até 2031, atingindo US$ 152,91 bilhões. Esse crescimento massivo é impulsionado pela adoção da IA, mas enfrenta desafios significativos.
Um dos maiores gargalos é a cadeia de suprimentos, especialmente a capacidade de produção de fabricantes de semicondutores como a TSMC, que opera no limite. A escassez de componentes e as limitações de energia são preocupações crescentes para a indústria.
A disponibilidade de energia tornou-se um fator determinante para o crescimento, moldando onde os data centers podem ser construídos e a rapidez com que podem escalar. A demanda por data centers no Brasil, por exemplo, também está em crescimento acentuado, mas pressionada por gargalos na infraestrutura elétrica.
A competição se intensifica não apenas entre AMD e Intel, mas também com a NVIDIA, que mantém uma fatia dominante no mercado de aceleradores de IA, e com empresas de nuvem que consideram desenvolver seus próprios chips. A capacidade de inovar e garantir a produção será crucial para a liderança no futuro do mercado de data centers impulsionado pela IA.
