Neverness to Everness impõe banimento de 100 anos por exploração de bug

A Hotta Studio, desenvolvedora do recém-lançado RPG de mundo aberto Neverness to Everness (NTE), gerou uma onda de controvérsia ao aplicar banimentos de aproximadamente 100 anos (equivalente a 36.500 dias) a jogadores que exploraram uma falha no sistema de masmorras do jogo. A medida extrema não atingiu apenas os usuários que se beneficiaram diretamente do exploit, mas também aqueles que compartilharam ou divulgaram o método online.
O Bug e sua Exploração
O problema central reside em um bug encontrado no sistema de masmorras de Neverness to Everness. Jogadores descobriram que, ao realizar uma sequência precisa de ações e timing na seleção e entrada de certos níveis, era possível ativar uma falha de programação que os teletransportava diretamente para o final da masmorra.
O benefício imediato dessa exploração era a obtenção rápida e facilitada de “cartuchos dourados”, itens de alto valor e raridade dentro da economia do jogo. Normalmente, esses cartuchos exigem um investimento considerável de tempo e esforço para serem conquistados de maneira convencional, sendo cruciais para a progressão dos personagens e aprimoramento de equipamentos. A falha permitia que os jogadores contornassem essa progressão, acumulando recursos valiosos em uma fração do tempo esperado.
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A Severidade dos Banimentos
A decisão da Hotta Studio de impor banimentos de 100 anos chocou grande parte da comunidade de jogadores. A punição foi aplicada de forma abrangente, alcançando não apenas os usuários que ativamente utilizaram o bug para obter vantagens, mas também aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a sua disseminação. Isso inclui jogadores que postaram vídeos, tutoriais, explicações ou comentários sobre o funcionamento do exploit em plataformas como YouTube, fóruns de discussão, Discord e redes sociais, mesmo que não tivessem usado a falha em suas próprias contas.
A desenvolvedora justificou a ação, enfatizando que qualquer tentativa de explorar atalhos ilegais ou manipular o jogo resultaria em penalidades severas. A política da empresa parece abranger não apenas a execução da trapaça, mas também a incitação ou facilitação para outros jogadores.
Repercussão na Comunidade e Debate Ético
A onda de banimentos gerou um intenso debate entre os jogadores de Neverness to Everness e na comunidade gamer em geral. As opiniões estão divididas sobre a proporcionalidade da punição.
Uma parcela dos jogadores apoia a decisão da Hotta Studio, argumentando que a exploração de bugs prejudica a integridade do jogo, desequilibra a economia interna e desvaloriza o esforço daqueles que jogam de forma legítima. Para esses, a medida drástica é necessária para manter um ambiente de jogo justo e competitivo, protegendo o investimento e a experiência dos demais usuários. A rápida obtenção de itens raros pode impactar a progressão de outros jogadores, mesmo em um ambiente predominantemente cooperativo.
Por outro lado, muitos consideram o banimento de 100 anos excessivo e desproporcional. O principal argumento é que a falha de programação foi uma responsabilidade da própria desenvolvedora, e não resultado de hacks externos ou manipulação de arquivos por parte dos jogadores. Críticos apontam que penalizar severamente os usuários por uma brecha interna do jogo é, no mínimo, problemático. Além disso, a natureza de Neverness to Everness, como um RPG de mundo aberto focado em exploração individual e cooperativa, leva alguns a crer que a exploração do bug não afetou diretamente o ambiente competitivo ou a experiência de outros jogadores de forma significativa.
A inclusão de jogadores que apenas compartilharam informações sobre o bug nas punições também foi um ponto de discórdia, levantando questões sobre liberdade de expressão e a responsabilidade da comunidade em reportar falhas. Alguns argumentam que a divulgação de um bug, mesmo que para alertar outros ou discutir a falha, não deveria ser equiparada à sua exploração ativa.
Contexto de Lançamento e Outras Controvérsias
Neverness to Everness foi lançado globalmente em 29 de abril de 2026, sendo um RPG de ação de mundo aberto desenvolvido pela Hotta Studio, uma subsidiária da Perfect World. O jogo se passa na cidade fictícia de Hethereau, onde os jogadores assumem o papel de “Appraisers” que investigam anomalias sobrenaturais e utilizam habilidades Esper. O título combina elementos de exploração, combate hack and slash e uma rica vida urbana, incluindo a possibilidade de gerenciar negócios e personalizar veículos.
Este não é o único desafio recente enfrentado pela Hotta Studio. Pouco antes e após o lançamento, o jogo também esteve no centro de uma controvérsia relacionada ao uso de inteligência artificial na criação de alguns de seus ativos. A comunidade levantou suspeitas sobre o uso de IA em artes promocionais e elementos ambientais, com comparações a obras conhecidas, como o filme de anime Weathering with You. A desenvolvedora respondeu à polêmica, admitindo o uso de ferramentas de IA em um “pequeno número de ativos de fundo e ambientais”, mas negando o uso em personagens ou elementos centrais da narrativa. A Hotta Studio prometeu revisar e retrabalhar os ativos sinalizados, como “Clear Skies in Summer” e “Pink Paws Heist”, em um esforço para restaurar a confiança da comunidade.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
Enquanto a discussão sobre os banimentos continua, a Hotta Studio não indicou qualquer intenção de reverter as punições. A empresa, no entanto, mencionou a distribuição de compensações para os jogadores que não abusaram do bug, incluindo itens e recursos valiosos, como forma de mitigar os impactos e recompensar a lealdade.
O incidente ressalta a complexidade de gerenciar a integridade em jogos online, especialmente em títulos de mundo aberto com economias internas robustas. A linha entre a descoberta de uma falha e a exploração maliciosa continua a ser um ponto de atrito entre desenvolvedores e jogadores, com cada lado defendendo suas posições em relação à responsabilidade e à aplicação da justiça nos ambientes virtuais.
