Square Enix intensifica remoção de mangás eróticos de Tifa

A Square Enix iniciou uma campanha de remoção de conteúdo adulto produzido por fãs, com foco particular em mangás eróticos da personagem Tifa Lockhart, de Final Fantasy VII. As ações, que se intensificaram no final de abril de 2026, estão afetando criadores em plataformas japonesas como FANZA e Pixiv, gerando discussões na comunidade de fãs sobre os limites da criação de obras derivadas.
Conteúdo Adulto de Tifa Desaparece de Plataformas
Relatos de diversos criadores japoneses na plataforma X (antigo Twitter) indicam que suas obras derivadas de Tifa Lockhart, classificadas como adultas, foram removidas ou suspensas de sites como FANZA e Pixiv. Usuários notaram um volume significativo de desaparecimentos, com um deles afirmando que 19 obras de Tifa já haviam sumido da seção de doujinshi de IA do FANZA em poucos dias.
Um criador, @TTimop0503, teve suas obras de Tifa suspensas no FANZA e pictSPACE, expressando surpresa com o rigor da empresa em relação a trabalhos derivados. Outro, @rakusaidoujin, teve sua conta no Pixiv temporariamente suspensa após uma reivindicação de direitos, precisando remover conteúdos relacionados tanto à Square Enix quanto à Capcom para restaurar o acesso.
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Motivações da Square Enix e Políticas de Uso
Embora a Square Enix não tenha emitido uma declaração oficial detalhando uma nova política de forma explícita para o mercado japonês, a velocidade e o volume das remoções sugerem um esforço legal focado na proteção de sua propriedade intelectual. Acredita-se que a crescente comercialização de doujinshis (mangás de fãs), especialmente aqueles gerados ou fortemente auxiliados por Inteligência Artificial (IA), possa ter sido um catalisador para essa postura mais rígida.
Historicamente, a empresa tem sido mais tolerante com atividades de fãs não comerciais, vendo-as como uma forma de promoção. No entanto, a monetização em larga escala e a proliferação de conteúdo gerado por IA parecem ter forçado a corporação a estabelecer limites mais claros.
As políticas de uso de material da Square Enix para sua divisão ocidental, embora não se apliquem diretamente às franquias japonesas como Final Fantasy (que possuem suas próprias diretrizes), geralmente proíbem o uso de materiais em conteúdo ofensivo, sexualmente explícito, racista, sexista, homofóbico ou comercial. O acordo de submissão de conteúdo de fã para Final Fantasy XIV, por exemplo, estipula que o material não deve conter “conteúdo obsceno, ofensivo ou difamatório”.
Reação da Comunidade e Desdobramentos
A reação da comunidade otaku tem sido mista. Uma parte lamenta a remoção do conteúdo, enquanto outra justifica a ação da Square Enix, argumentando que o lucro ativo com direitos autorais alheios era um limite que, eventualmente, traria consequências. Há críticas diretas aos doujinshis gerados por IA, com alguns fãs apontando que essa tecnologia acelerou a caça legal aos conteúdos.
Este movimento da Square Enix se alinha a uma tendência mais ampla de empresas de entretenimento protegendo suas IPs contra o uso não autorizado, especialmente em contextos comerciais e com o avanço da IA. Em 2017, a empresa já havia alertado contra o uso de mods adultos em Final Fantasy XV, indicando uma preocupação duradoura com a imagem de suas franquias.
O impacto a longo prazo no mercado de doujinshis e na criação de conteúdo de fã para as propriedades da Square Enix ainda é incerto, mas a ação recente sinaliza uma era de maior vigilância e aplicação de direitos autorais por parte da empresa.
