Uncharted 4: Vídeo revela arte e história da versão original de Amy Hennig

Um extenso vídeo-documentário recente trouxe à tona detalhes inéditos sobre a versão original de Uncharted 4: A Thief’s End, desenvolvida sob a direção criativa de Amy Hennig antes de sua saída da Naughty Dog em 2014. O material, compilado pelo YouTuber Thekempy após anos de pesquisa, revela artes conceituais, trechos de jogabilidade em estágio inicial e elementos narrativos que diferem drasticamente do produto final que chegou às mãos dos jogadores em 2016.
A revelação, que coincide com o décimo aniversário do lançamento de Uncharted 4, oferece uma visão aprofundada de um projeto que passou por uma reformulação significativa, com cerca de sete a oito meses de trabalho sendo descartados após a mudança na liderança do desenvolvimento.
A Visão Original de Amy Hennig para Uncharted 4
Amy Hennig, a mente criativa por trás dos três primeiros jogos da franquia Uncharted, iniciou o desenvolvimento do quarto título para PlayStation 4 logo após o lançamento de Uncharted 3: Drake’s Deception em 2011. Sua visão para a última aventura de Nathan Drake, embora ainda centrada na busca pelo tesouro do pirata Henry Avery, apresentava nuances significativas tanto na narrativa quanto na jogabilidade.
Diferenças Narrativas Chave
- Sam Drake como Antagonista Inicial: Na versão de Hennig, o irmão de Nathan, Sam, que Nathan acreditava estar morto há 15 anos, seria introduzido inicialmente como um dos principais vilões, amargurado por ter sido deixado para trás em uma fuga de prisão no Panamá. A revelação de que eram irmãos ocorreria progressivamente ao longo da história, com a relação se curando para que pudessem se unir contra o verdadeiro antagonista, Rafe.
- Relacionamento de Nathan e Elena: O relacionamento entre Nathan e Elena Fisher estaria menos estremecido no início do jogo, com Elena desempenhando um papel mais proeminente e ativo desde as primeiras horas da aventura. Em uma sequência planejada, ela mergulharia com Nathan e Sully nas Bahamas para encontrar um naufrágio e, posteriormente, participaria de um evento de gala para recuperar um artefato.
- Charlie Cutter com Papel Expandido: O personagem Charlie Cutter, que apareceu em Uncharted 3, teria uma participação maior na história, inclusive na cena do gala, onde usaria próteses como disfarce. Na versão final, Cutter foi completamente cortado.
- Ausência de Nadine Ross: A personagem Nadine Ross, que se tornou uma figura central na versão final de Uncharted 4, não existia na concepção original de Hennig.
- Flashbacks Jogáveis: A versão de Hennig incluiria flashbacks jogáveis com o próprio pirata Henry Avery, permitindo aos jogadores experimentar o saque do navio Gunsway em 1695, com combate de espadas e uso de canhões.
Inovações de Jogabilidade
Hennig e sua equipe exploravam uma reformulação radical do sistema de combate de Uncharted. A ideia era ter uma abordagem mais focada em combate corpo a corpo, com Nathan Drake passando quase metade do jogo sem usar armas de fogo. Essa mudança visava abordar a “dissonância ludonarrativa”, uma crítica comum à série, onde o charmoso protagonista acumulava um vasto número de mortes em combate.
- Combate Corpo a Corpo Prioritário: Drake seria retratado como mais velho e contido, menos dependente de tiroteios constantes.
- Exploração Expandida: Mecânicas de veículos e um uso mais diversificado do gancho seriam exploradas em regiões inéditas.
- Personagens Jogáveis Adicionais: Além de Nathan, Victor Sullivan e até mesmo o pirata Henry Avery seriam jogáveis em certos momentos da história.
- Mini-jogos: Havia planos para mini-jogos, incluindo uma sequência de dança de salão.
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Mudanças no Elenco e Desenvolvimento Turbulento
As mudanças na direção do jogo também resultaram em alterações no elenco de voz. O ator Todd Stashwick foi originalmente escalado para interpretar Sam Drake, antes de Troy Baker assumir o papel na versão final. Da mesma forma, Alan Tudyk havia gravado material para o antagonista Rafe Adler, que mais tarde seria interpretado por Warren Cole após as reescritas do roteiro.
A saída de Amy Hennig da Naughty Dog em 2014, e a subsequente reformulação do projeto, foram cercadas de rumores e especulações. Relatos indicam que a versão de Hennig não estava atendendo aos “padrões internos” e que a Sony teria ameaçado cortar o financiamento do jogo. Houve também “desentendimentos fundamentais” sobre a direção da série entre Hennig e outros membros da liderança da Naughty Dog, como Neil Druckmann e Bruce Straley, que eventualmente assumiram a direção do projeto.
O próprio ator de Nathan Drake, Nolan North, afirmou em 2021 que cerca de oito meses de trabalho em Uncharted 4 foram descartados após a transição. Em 2018, Hennig expressou seu descontentamento com a situação, comparando-a a “romper com seu parceiro e ter outra pessoa criando seus filhos”, demonstrando o profundo envolvimento que tinha com o projeto.
O Legado da Versão Final
Apesar do desenvolvimento conturbado, a versão final de Uncharted 4: A Thief’s End, dirigida por Neil Druckmann e Bruce Straley, foi um enorme sucesso de crítica e público. O jogo vendeu mais de 18 milhões de cópias e é amplamente considerado um dos títulos mais importantes da Naughty Dog e do PlayStation 4.
A versão que chegou aos jogadores enfatizou a relação de Nathan Drake com seu irmão Sam, introduziu ambientes semiabertos e um tom emocional mais fundamentado, reminiscentes de The Last of Us. O vídeo de Thekempy serve como um fascinante olhar sobre um “Uncharted 4” que nunca existiu, permitindo aos fãs da franquia imaginar como teria sido a conclusão da saga de Nathan Drake sob a ótica original de sua criadora.
