Caso Orelha: Cachorro Comunitário Morto em SC por Adolescentes

O caso do cachorro Orelha, um animal comunitário da Praia Brava, em Florianópolis (SC), que foi brutalmente agredido e morreu em decorrência dos ferimentos, gerou comoção nacional e mobilizou investigações policiais. O animal, que era muito querido pelos moradores e turistas da região, foi encontrado agonizando em 15 de janeiro e, devido à gravidade das lesões, precisou ser sacrificado no dia seguinte, em 5 de janeiro, após ser levado a uma clínica veterinária.
Identificação dos Suspeitos e Investigação Policial
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) agiu rapidamente para apurar o crime de maus-tratos. A investigação identificou quatro adolescentes como suspeitos de participação direta nas agressões que levaram à morte do cão. Câmeras de segurança da região foram cruciais para esclarecer a autoria, mostrando os jovens caminhando na praia durante a noite do ato.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências ligadas aos investigados, com o objetivo de recolher celulares e computadores que pudessem conter provas adicionais sobre o envolvimento de cada um no ato infracional. Embora a polícia tenha identificado os suspeitos, a divulgação de seus nomes e imagens é vedada pela legislação brasileira, visto que são menores de idade.
Ato Infracional e Possíveis Sanções
Como os envolvidos são menores de 18 anos, o caso segue um rito processual específico, regido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A responsabilização, caso a participação seja confirmada, não se dará pelo Código Penal comum, mas sim através de medidas socioeducativas aplicadas pela autoridade judicial.
As agressões foram classificadas como ato infracional equivalente a crimes contra os animais. A morte do cão Orelha agrava a situação dos envolvidos, podendo elevar a severidade das medidas aplicadas. As sanções previstas no ECA incluem advertência, obrigação de reparar o dano (ressarcimento) e prestação de serviços à comunidade. A medida mais severa para o caso de ato infracional grave é a internação, que pode durar até três anos, com liberação obrigatória ao completarem 21 anos.
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Contexto do Crime e Outras Agressões
Orelha era um cão vira-lata de aproximadamente 10 anos que não possuía um tutor fixo, mas era mantido e cuidado pela comunidade da Praia Brava, sendo considerado um dos mascotes locais. Moradores o descreviam como dócil, brincalhão e muito querido, fazendo parte da rotina diária da região.
As investigações apontaram que a lesão fatal na cabeça do animal pode ter sido causada pelo uso de um objeto contundente, como um pedaço de pau ou uma garrafa.
Adicionalmente, a polícia apurou que o mesmo grupo de adolescentes pode estar ligado a outros atos de crueldade na mesma área. Foi investigado um caso onde outro cão, apelidado de Caramelo, companheiro de Orelha, teria sofrido agressões e quase morrido afogado.
Repercussão e Ações dos Familiares
A morte de Orelha gerou uma onda de indignação pública, com protestos organizados por moradores e turistas exigindo justiça para o animal. Celebridades também se manifestaram sobre o caso, aumentando a pressão sobre as autoridades.
Paralelamente à investigação do ato infracional, a polícia também apurou atos de coação contra testemunhas. Três homens, familiares dos adolescentes suspeitos, foram indiciados por supostamente coagirem o vigilante que fez a denúncia inicial do crime. A polícia buscou, inclusive, mandados de busca e apreensão relacionados a uma possível arma de fogo, embora ainda não localizada, no contexto dessas alegações de coação.
As famílias de alguns dos adolescentes negaram publicamente o envolvimento dos filhos, alegando que estariam sofrendo acusações injustas e exposição indevida.
Desdobramentos e o Destino de Caramelo
O inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital, foi concluído após ouvir mais de 20 pessoas e analisar as imagens de câmeras. O relatório foi encaminhado ao judiciário para dar andamento ao processo de apuração de ato infracional.
Em um desdobramento que tocou a opinião pública, o delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, anunciou a adoção do cão Caramelo, o companheiro de Orelha que também foi vítima de maus-tratos. O delegado utilizou a adoção para reforçar a prioridade da Polícia Civil na causa animal e destacar a importância de fazer a diferença.
