Alibaba proíbe uso de IA da Anthropic após disputa e rastreamento oculto

A gigante chinesa de tecnologia Alibaba Group Holding Ltd. proibiu seus funcionários de utilizarem ferramentas de inteligência artificial da Anthropic, incluindo o popular assistente de programação Claude Code. A diretriz interna foi emitida em 3 de julho de 2026, com a proibição entrando em vigor a partir de 10 de julho de 2026. A decisão marca uma escalada nas tensões entre as duas empresas, impulsionada por acusações de rastreamento oculto no software da Anthropic e uma disputa anterior sobre a suposta “destilação” de modelos de IA.
Alibaba alega riscos de segurança e rastreamento oculto
A Alibaba classificou o Claude Code e outros modelos da Anthropic (Sonnet, Opus, Fable) como “software de alto risco com vulnerabilidades de segurança”. Essa medida foi tomada após desenvolvedores descobrirem que o Claude Code continha mecanismos de rastreamento para identificar usuários conectados à China.
Relatos indicam que o software examinava detalhes do ambiente do usuário, como fuso horário e informações de proxy, e inseria marcadores sutis em prompts enviados aos servidores da Anthropic. Essas alterações, invisíveis aos usuários, permitiam identificar quem utilizava redes virtuais para contornar as restrições de acesso da Anthropic na China.
Um funcionário da Anthropic, Thariq Shihipar, confirmou em uma publicação na rede social X (anteriormente Twitter) que o recurso era, de fato, um “experimento” lançado em março para prevenir o abuso de contas por revendedores não autorizados e proteger os modelos da empresa contra a destilação. Ele afirmou que o código foi removido em 1º de julho, um dia após a descoberta ser amplamente divulgada.
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Disputa de “Destilação” de Modelos de IA
A proibição da Alibaba ocorre em meio a uma acirrada disputa com a Anthropic. No mês anterior, em junho de 2026, a Anthropic acusou formalmente a Alibaba de ter realizado um “ataque de destilação” em larga escala contra seus modelos de IA.
Segundo a Anthropic, operadores ligados ao laboratório Qwen da Alibaba teriam criado cerca de 25.000 contas fraudulentas e gerado aproximadamente 28,8 milhões de interações com o modelo Claude entre 22 de abril e 5 de junho de 2026. O objetivo seria “destilar” as capacidades avançadas do Claude para treinar os próprios modelos da Alibaba, como o Tongyi Qianwen (Qwen). A empresa americana classificou o incidente como o “maior ataque de destilação de dados conhecido” e uma tentativa de alavancar centenas de bilhões de dólares em investimentos americanos em IA.
Alibaba direciona funcionários para soluções internas
Em resposta à proibição, a Alibaba orientou seus funcionários a utilizarem exclusivamente sua própria plataforma de codificação proprietária, chamada Qoder. A empresa tem investido pesadamente no desenvolvimento de suas próprias soluções de IA, como a família de modelos de linguagem grande Tongyi Qianwen (Qwen), que já conta com mais de 90.000 clientes corporativos e é amplamente utilizada internamente.
Essa mudança estratégica reflete uma tendência mais ampla entre as empresas de tecnologia chinesas de priorizar alternativas domésticas e controláveis em meio às crescentes tensões geopolíticas e regulatórias no setor de inteligência artificial entre os Estados Unidos e a China. A busca por uma “pilha de IA indígena” por parte da China tem sido impulsionada por preocupações com segurança nacional e controle de tecnologia.
Desdobramentos e Impacto no Setor de IA
A disputa entre Alibaba e Anthropic é um exemplo claro da crescente polarização no ecossistema global de IA. Enquanto empresas americanas como a Anthropic implementam restrições de acesso para usuários chineses e tentam proteger sua propriedade intelectual, empresas chinesas buscam acelerar o desenvolvimento de suas próprias capacidades para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.
O incidente levanta questões significativas sobre a aplicação de restrições de uso de IA na prática e a dificuldade de monitorar e impedir a “destilação” de modelos em grande escala. A decisão da Alibaba sublinha a importância da soberania tecnológica e a contínua corrida pela liderança global em inteligência artificial.
