ALLOS (ALOS3): IA Acirra Concorrência Online, Shoppings Mantêm Vantagem

A Inteligência Artificial (IA) intensifica a concorrência no varejo online, mas os shopping centers físicos, como os administrados pela ALLOS (ALOS3), mantêm uma vantagem competitiva significativa ao focar na experiência e na integração de canais. Segundo Rafael Sales, CEO da ALLOS, a IA permitirá à companhia decisões mais rápidas e precisas, aumentando a rentabilidade e a eficiência operacional, enquanto o varejo físico preserva diferenciais que a tecnologia não consegue substituir integralmente.
A Revolução da IA no E-commerce e a Concorrência Ampliada
A Inteligência Artificial está redefinindo o cenário do comércio eletrônico, transformando a maneira como os consumidores descobrem produtos e serviços. Ferramentas de busca e assistentes digitais, impulsionados por IA generativa, sintetizam informações e sugerem opções de empresas diretamente na interface de busca, tornando a jornada de compra mais fluida e direta. Dados indicam um crescimento exponencial no tráfego para sites de varejo vindo de fontes de IA generativa, com um aumento de 4.700% em julho de 2025 em comparação anual.
Essa nova lógica algorítmica exige que as empresas online mantenham catálogos bem organizados, imagens de qualidade e informações claras para evitar que a IA direcione o consumidor para concorrentes que ofereçam melhor contextualização. A IA também otimiza descrições de produtos, roteamento de entregas e segurança de pagamentos em milissegundos, elevando o nível de eficiência e personalização no ambiente digital.
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Shoppings Físicos: A Vantagem da Experiência e do Omnichannel
Em contrapartida à crescente disputa online, os shopping centers físicos consolidam sua relevância ao oferecerem uma experiência que transcende a mera transação comercial. A principal razão para os consumidores visitarem um shopping hoje é o entretenimento, seguida pela alimentação e, por fim, as compras. Essa mudança de comportamento reforça o papel dos shoppings como centros de socialização, lazer e serviços, além de pontos de venda.
O conceito de “phygital” – a integração perfeita entre os mundos físico e digital – é crucial para a estratégia dos shoppings. Modelos como “clique e retire” (compra online com retirada na loja física) não apenas oferecem conveniência, mas também incentivam compras adicionais, com 61% dos clientes que utilizam o serviço realizando novas aquisições no local. A tecnologia, nesse contexto, atua como um facilitador, e não como um substituto da experiência presencial.
Estratégias da ALLOS (ALOS3) na Era da IA
A ALLOS, uma das maiores administradoras de shopping centers do Brasil, tem investido significativamente em tecnologia e análise de dados para fortalecer sua posição no mercado. A companhia, resultante da fusão entre Aliansce Sonae e brMalls, possui um portfólio robusto e diversificado, com foco em ativos de alta qualidade e localização estratégica.
A estratégia da ALLOS envolve:
- Otimização do Mix de Lojas: Utilização da IA para aprimorar a seleção de lojistas, garantindo um portfólio que atenda às demandas e preferências dos consumidores.
- Personalização de Marketing: Campanhas mais direcionadas e eficazes, baseadas em dados de comportamento do cliente, para aumentar o engajamento e a conversão.
- Fortalecimento de Negociações Comerciais: Insights gerados por IA auxiliam na tomada de decisões estratégicas em negociações com lojistas.
- Projetos Multiuso: Desenvolvimento de empreendimentos que combinam varejo, serviços, moradia e lazer, criando ecossistemas completos que atraem e retêm o público.
- Plataformas de Dados: Lançamento de serviços como o “Store Insights”, que utiliza IA para gerar e distribuir relatórios detalhados aos lojistas, permitindo-lhes compreender melhor seus clientes e otimizar suas estratégias de vendas.
- Eficiência Operacional: A IA é aplicada no backoffice para automatizar tarefas, otimizar processos e garantir uma governança de dados robusta, desde o consumidor final até o lojista.
O CFO da ALLOS, Daniella Guanabara, e o CIO, Luiz Martins, destacaram em eventos do setor a importância de tratar a IA como uma agenda de negócio estratégica, e não apenas como um experimento técnico, focando em governança, dados, segurança e liderança executiva.
O Futuro do Varejo: IA Invisível e Experiência Humana
Em 2026, a IA no varejo se manifesta de forma cada vez mais “invisível”, atuando nos bastidores para aprimorar a jornada do consumidor sem que a tecnologia seja o foco principal. Isso inclui o uso de sensores e câmeras para análise de fluxo de pessoas, sistemas de recomendação personalizados via aplicativos, gestão inteligente de energia e segurança, e até mesmo provadores virtuais e análise de desempenho de vendedores em lojas físicas.
A combinação de tecnologia, conveniência e humanidade é apontada como o futuro do varejo. As marcas que conseguirão transformar dados em compreensão, eficiência em confiança e inteligência artificial em experiências mais humanas serão as mais relevantes. O consumidor atual não diferencia online de offline; ele busca uma experiência simples, fluida e confiável.
Desdobramentos e Perspectivas para a ALLOS
A ALLOS continua a focar na gestão de ativos dominantes e na criação de valor através de eventos e experiências, com um forte pipeline de projetos multiuso. A empresa projeta uma receita de aproximadamente R$ 539 milhões apenas de sua participação em projetos multiuso. A expectativa é de um aumento composto no Lucro Operacional de 8,0% nos próximos cinco anos, impulsionado pela concentração em ativos de alta performance, uso estratégico de eventos, disciplina de custos, mix ativo de lojas e benefícios dos projetos multiuso.
Apesar dos desafios potenciais, como o impacto da IA na renda das famílias e no consumo a longo prazo devido à eventual substituição de empregos administrativos, a ALLOS busca solidificar sua posição, integrando o digital ao físico e capitalizando na busca do consumidor por experiências completas e convenientes.
