Brasil fora da elite global de IA; países líderes são EUA e Singapura

O Brasil permanece fora do seleto grupo de nações líderes em prontidão para a Inteligência Artificial (IA), conforme revelado pelo mais recente Government AI Readiness Index, elaborado pela Oxford Insights. O país ocupa a 22ª posição global, distante dos líderes como Estados Unidos, Singapura e Reino Unido, que concentram os maiores avanços e investimentos na tecnologia.
O levantamento anual avalia a capacidade dos países de implementar, desenvolver e governar tecnologias de IA, considerando fatores como estratégia governamental, ambiente de inovação, infraestrutura digital e disponibilidade de talentos.
Posição do Brasil no Cenário Global de IA
Apesar de superar a média da América Latina, o Brasil, com 69,55 pontos, ainda está consideravelmente abaixo do líder Estados Unidos, que alcançou 88,36 pontos.
Os países que compõem o grupo de elite da IA são:
- Estados Unidos
- França
- Reino Unido
- Holanda
- Coreia do Sul
- Alemanha
- Singapura
- China
- Austrália
- Noruega
Essas nações destacam-se por concentrar os principais laboratórios, centros de pesquisa, investimentos e empresas responsáveis pelos avanços mais recentes em inteligência artificial.
Veja também:
Desafios e Potenciais do Brasil em IA
Pontos Fortes
O Brasil apresenta resultados robustos em indicadores ligados à digitalização do governo e à formulação de políticas públicas. Além disso, o país demonstra um crescimento percentual expressivo na concentração de talentos em IA, com uma das maiores taxas relativas de crescimento anual na contratação de profissionais da área, e é reconhecido pela formação de graduados em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Principais Barreiras
Contudo, o desempenho brasileiro é inferior em áreas consideradas decisivas para a próxima fase da inteligência artificial, como a capacidade computacional, a formação de talentos especializados e a maturidade do setor privado de IA. Especialistas apontam que a insegurança jurídica e regulamentações excessivas sobre direitos autorais podem afastar investimentos e atrasar a chegada de novas funcionalidades ao mercado brasileiro.
Apesar dos desafios culturais, como o medo da substituição de empregos e a falta de confiança na tecnologia, o Brasil busca transformar o conhecimento em IA em aplicações comerciais e no setor público.
Desdobramentos e Iniciativas Atuais
Investimentos e Políticas Públicas
O governo brasileiro tem demonstrado um esforço para impulsionar o setor de IA. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê um investimento de R$ 23 bilhões para orientar as ações federais até 2028. Mais recentemente, o programa Nova Indústria Brasil (NIB) anunciou a disponibilização de mais R$ 140 bilhões até o fim de 2026, elevando o volume total de recursos mobilizados para a política industrial a mais de R$ 750 bilhões entre 2023 e 2026, com a inteligência artificial entre os setores prioritários.
Empresas brasileiras também estão acelerando seus investimentos em IA, com a inteligência artificial generativa e os agentes de IA no topo das prioridades para 2026.
Debate Regulatório e Governança
O Brasil, como presidente do G20 em 2024, tem sido palco de discussões importantes sobre a governança da IA. O relatório “AI20: Artificial Intelligence in a Global Context”, desenvolvido para o G20, aborda a criação de sandboxes regulatórios éticos, o uso da IA para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a reconfiguração dos direitos autorais. A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, defendeu a criação de uma rede de proteção no Sul Global para combater a desigualdade e a assimetria regional na área de IA.
Apesar do debate interno sobre a regulação, especialistas alertam que regras excessivamente restritivas podem elevar custos e atrasar a chegada de novas tecnologias, especialmente para pequenas empresas. No entanto, há também a visão de que o Brasil tem potencial para liderar a criação de sistemas de remuneração e captura de valor na nova economia digital.
Infraestrutura e Mercado
A infraestrutura necessária para a IA tem se tornado um ativo valioso, com a expansão de data centers no Brasil e a demanda por energia limpa. O mercado global de IA, avaliado em US$ 294,16 bilhões em 2025, projeta atingir US$ 2.480,05 bilhões até 2034, evidenciando a crescente importância da tecnologia.
A liderança em inteligência artificial depende de uma combinação complexa de fatores que envolvem políticas públicas, investimentos privados, infraestrutura tecnológica, formação de talentos e capacidade de atrair empresas inovadoras.
