Cofundador do RecargaPay Alerta: IA Precisa Fazer Sentido, Não Apenas Existir

Gustavo Victorica, cofundador e Chief Operating Officer (COO) do RecargaPay, uma das principais fintechs do Brasil, fez um alerta importante sobre a adoção da Inteligência Artificial (IA) no cenário corporativo atual. Durante sua participação na Rio Innovation Week 2026, o executivo destacou que, embora haja um “instinto de usar IA em tudo”, é fundamental que as empresas avaliem se a aplicação da tecnologia realmente faz sentido e resolve problemas concretos, em vez de ser implementada apenas por ser uma “palavra da moda”.
A declaração de Victorica, proferida em um painel intitulado “No Bullshit AI” (IA sem bobagens), ressoa em um momento de intensa experimentação e investimento em IA por diversos setores, especialmente no financeiro. Ele enfatizou a necessidade de um olhar mais crítico e estratégico para a tecnologia, evitando a perda de foco na resolução de desafios reais.
O Cenário da IA: Entusiasmo vs. Estratégia
O entusiasmo em torno da Inteligência Artificial é inegável. Empresas de todos os portes buscam integrar a tecnologia em suas operações, motivadas pelo potencial de otimização, inovação e competitividade. No entanto, Gustavo Victorica adverte que essa corrida pela adoção pode levar a implementações superficiais ou ineficazes, que não entregam o valor esperado e, pior, desviam recursos e atenção de objetivos mais prementes.
Para o cofundador do RecargaPay, o momento atual da IA pode ser comparado ao início da migração das empresas para o ambiente mobile, no começo dos anos 2010. Naquela época, a transição para o mobile era vista como o futuro, e muitas empresas se apressaram em adotar estratégias “mobile first” ou “mobile only”. Victorica pontua que, assim como no mobile, a IA é de fato o futuro, mas a falta de foco pode ser prejudicial. Ele ressalta que, embora a implementação de IA tenha se tornado uma “commodity”, ou seja, mais acessível, isso não garante que será bem-feita ou duradoura.
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RecargaPay e a Aplicação Estratégica da IA
O RecargaPay, que se consolidou como um superaplicativo de pagamentos e serviços financeiros no Brasil, com mais de 14 milhões de clientes, exemplifica a aplicação de IA de forma estratégica. Victorica citou um caso de sucesso interno: a automação do processo de estorno de valores em casos judiciais. Anteriormente, essa tarefa exigia que funcionários analisassem manualmente documentos, buscassem CPFs e cruzassem informações em diversas bases de dados – um processo que consumia milhares de horas/homem por mês.
Com a implementação da IA, o RecargaPay conseguiu automatizar completamente essa rotina, desde a leitura dos documentos até a busca e validação das informações. Esse é um exemplo claro de como a IA pode ser utilizada para resolver um problema real e complexo, gerando ganhos significativos de eficiência e produtividade para a empresa. A fintech, que começou com recargas de celulares, expandiu-se para um portfólio completo de serviços financeiros, incluindo Pix, empréstimos e cartões, e utiliza a tecnologia para aprimorar a experiência do usuário e otimizar operações.
Desafios e Oportunidades da IA no Setor Financeiro
O setor financeiro, em particular, está sob intensa pressão para inovar. Fintechs como o RecargaPay estão redefinindo o cenário, oferecendo conveniência e eficiência de custos que as instituições financeiras tradicionais lutam para igualar. Nesse contexto, a IA emerge como uma ferramenta poderosa para navegar pela complexidade do mercado, impulsionar a personalização de serviços e aprimorar a segurança.
No entanto, a implementação da IA no setor financeiro não está isenta de desafios. Questões como a privacidade e segurança dos dados são primordiais, exigindo que as instituições financeiras garantam a conformidade com regulamentações rigorosas, equilibrando inovação com a confiança do consumidor. Além disso, a integração da IA com infraestruturas legadas, ainda presentes em muitos bancos, demanda esforços de modernização e a adoção de arquiteturas mais flexíveis, como as baseadas em nuvem.
A Visão para o Futuro: IA com Propósito
A mensagem de Gustavo Victorica é um chamado à reflexão para o mercado. Ele defende que, para que a IA atinja seu potencial transformador, as empresas devem ir além do mero “instinto” de adotá-la e focar em estratégias que realmente gerem valor. Isso implica em:
- Identificar Problemas Reais: Antes de pensar na solução de IA, é crucial entender qual problema precisa ser resolvido.
- Avaliar o Retorno sobre Investimento (ROI): A implementação de IA deve ser justificada por ganhos tangíveis, seja em eficiência, redução de custos ou melhoria da experiência do cliente.
- Foco na Governança de Dados: Com a dependência da IA em grandes volumes de dados, práticas robustas de gestão e governança de dados são essenciais para garantir conformidade e construir a confiança do consumidor.
- Transparência e Ética: A tomada de decisões por IA deve ser transparente, e as empresas precisam considerar os aspectos éticos de suas aplicações.
A experiência do RecargaPay demonstra que, quando aplicada com propósito e clareza, a Inteligência Artificial pode ser uma força motriz para a inovação e o crescimento, transformando processos e impulsionando o desenvolvimento de novos serviços financeiros digitais no Brasil.
Desdobramentos e Perspectivas para 2026
A discussão levantada por Victorica na Rio Innovation Week 2026 reflete uma maturidade crescente no debate sobre a IA. Em 2026, a fase exploratória da IA nas empresas brasileiras já avançou, mas ainda há um longo caminho até a plena maturidade em sua aplicação. Pesquisas recentes indicam que CEOs no Brasil planejam elevar significativamente os investimentos em IA para a força de trabalho, sinalizando a percepção do valor estratégico da tecnologia.
A capacidade da IA de adicionar trilhões ao PIB global até 2030, conforme estudos, reforça a importância de abordagens pragmáticas e focadas em resultados. A cautela do cofundador do RecargaPay serve como um lembrete valioso de que o sucesso da IA não está na sua onipresença, mas na sua relevância e capacidade de solucionar desafios de forma inteligente e sustentável.
