Empresas Chinesas Lideram Expansão de Data Centers com IA na Ásia

Empresas chinesas estão na vanguarda de um boom sem precedentes na construção e expansão de data centers em toda a Ásia, impulsionadas principalmente pela crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA). Gigantes da tecnologia como ByteDance, Alibaba Group Holding Ltd. e Tencent Holdings Ltd. estão investindo pesadamente, com foco especial no Sudeste Asiático, transformando a paisagem digital da região.
A inteligência artificial tem se consolidado como um dos principais motores do crescimento econômico global, e a Ásia é vista como um dos beneficiários mais promissores dessa revolução. A International Data Corporation (IDC) elevou sua projeção para os gastos mundiais com infraestrutura de IA em 2026 para US$ 497 bilhões, um aumento de quase 56% em relação ao ano anterior.
Sudeste Asiático no Centro da Expansão
O Sudeste Asiático emergiu como um polo crucial para o desenvolvimento de data centers. Em Johor, na Malásia, que se tornou o maior polo computacional da região, empresas chinesas de computação em nuvem e operadoras de data centers de terceiros são forças dominantes. Tailândia e Indonésia também estão recebendo investimentos significativos. Na Tailândia, entre 60% e 70% dos cerca de 1,5 gigawatt em projetos de data centers aprovados têm vínculos de investimento chinês ou atendem a clientes de tecnologia chineses.
Hong Kong também sente o impacto desse crescimento, com os preços de atacado para hiperescaladores aumentando em 90% desde o início de 2026, um dos maiores aumentos na Ásia. Além disso, mercados como Índia, Filipinas e Japão são identificados como grandes mercados potenciais para data centers.
Veja também:
Investimentos Massivos e Capacidade Crescente
O governo chinês planeja investir aproximadamente 2 trilhões de yuans (cerca de US$ 295 bilhões ou R$ 1,62 trilhão) na construção de data centers focados em IA nos próximos cinco anos. Essa iniciativa reflete a ambição da China de competir globalmente no campo da IA.
A Alibaba Cloud, braço de computação em nuvem do Alibaba Group, anunciou um compromisso global de US$ 53 bilhões (aproximadamente R$ 273,5 bilhões) para investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Parte desse investimento já se manifestou na instalação de dois data centers no Brasil, os primeiros da empresa na América do Sul, que servirão de base para a operação de nuvem na região e ampliarão a oferta de serviços de IA.
A demanda por data centers na China deverá crescer a uma taxa composta anual de 20% entre 2025 e 2028, impulsionada pelo desenvolvimento estrutural da IA e por investimentos intensificados de hiperescaladores e empresas de modelos de linguagem grandes (LLMs).
Infraestrutura de Ponta e Desafios
A China também está expandindo sua infraestrutura de data centers para o interior do país, com o objetivo de aproveitar energia renovável e sustentar o avanço da IA. Um exemplo notável é o “Galaxy Campus” da Envision em Ulanqab, na Mongólia Interior, que é apresentado como o maior edifício individual do mundo dedicado a um data center de IA, com capacidade planejada para abrigar até um milhão de aceleradores.
Apesar do rápido crescimento, o setor enfrenta desafios. O consumo de eletricidade dos data centers na Ásia quase dobrou de 2020 a 2024 e deverá triplicar nos próximos anos, colocando uma pressão significativa sobre a infraestrutura de energia. A oferta de energia é, de fato, uma das principais restrições ao crescimento do setor.
Além disso, a competição tecnológica global e os controles de exportação de chips avançados representam vulnerabilidades para o setor de IA chinês, que ainda depende de componentes críticos de fora de seu controle. No entanto, o ritmo de construção e o volume de investimento indicam uma aposta firme da China e de suas empresas no domínio da infraestrutura de IA na Ásia e globalmente.
O que acontece agora
A corrida para construir data centers de IA deve continuar em 2026, com a Ásia se posicionando para liderar a definição da arquitetura de data centers da próxima geração, focando em infraestrutura pronta para IA, alimentada de forma sustentável e hiperconectada. A demanda global por capacidade computacional continua a ultrapassar fronteiras, e a infraestrutura digital se torna uma prioridade estratégica para empresas e governos.
