Empresas Gastam Demais com IA por Erro Básico, Alerta Executiva da SAS
Empresas ao redor do mundo estão incorrendo em gastos excessivos com inteligência artificial (IA) devido a um erro fundamental: a pressa em implementar a tecnologia sem antes definir claramente seus objetivos, valor e responsabilidades. A constatação é de Manisha Khanna, Head de Marketing de Produto para IA da SAS, que aponta a falta de planejamento estratégico como a principal causa da baixa entrega de retorno sobre o investimento em projetos de IA.
O Erro Fundamental na Adoção da IA
Manisha Khanna, em entrevista à EXAME, destaca que o problema não reside na tecnologia de IA em si, mas na abordagem precipitada das empresas. Muitas organizações pulam etapas cruciais, falhando em responder a perguntas básicas como: qual o propósito da IA, para quem ela gera valor, e quem será o responsável pelos resultados dentro da empresa. Essa lacuna estratégica leva a implementações desordenadas e ineficientes.
Sintomas de um Investimento Falho
A consequência direta desse erro básico é o aumento descontrolado de custos, evidenciado, por exemplo, no gasto excessivo com tokens – a unidade de cobrança dos modelos de linguagem. Khanna compara a situação a uma criança que usa um brinquedo divertido sem um propósito claro, resultando em muita experimentação sem resultados concretos no ambiente corporativo.
Outro sintoma crítico é a aplicação inadequada de modelos de linguagem grandes (LLMs), que são de natureza probabilística, em tarefas que exigiriam sistemas determinísticos, ou seja, com resultados previsíveis e replicáveis. Essa confusão gera imprevisibilidade nos custos e nos resultados, dificultando o mapeamento do cenário por CFOs e CIOs.
Desafios Estruturais e Operacionais
A falta de uma base sólida para a implementação da IA se manifesta em diversos desafios estruturais. A qualidade e prontidão dos dados, a governança e segurança da IA, a comprovação do ROI e a justificação dos custos são obstáculos significativos para as empresas. Além disso, a integração da IA com fluxos de trabalho e sistemas legados existentes apresenta complexidades, com muitos ambientes corporativos não projetados para suportar novas tecnologias.
Um estudo da KPMG de 2026 revela uma grande discrepância entre a ambição das organizações em atingir a maturidade tecnológica e a realidade da execução, com apenas 11% das empresas no patamar desejado. A falta de capital humano qualificado e o custo de corrigir a dívida técnica acumulada também freiam novos investimentos e a escalabilidade da IA.
A Transição para a IA Agêntica e a Necessidade de Governança
O cenário de 2026 aponta para uma transição da IA generativa para a IA agêntica, onde os sistemas são capazes de tomar decisões e coordenar tarefas com pouca intervenção humana. Essa evolução, embora promissora, traz desafios ainda mais complexos, exigindo governança embutida e uma revisão profunda do portfólio de gestão de dados.
Especialistas da SAS enfatizam que a governança de IA deve ser uma habilitadora estratégica, e não um freio, com a liderança executiva envolvida no debate e na definição de políticas.
Caminhos para um Investimento Inteligente
Para reverter o quadro de gastos excessivos e baixa efetividade, as empresas precisam adotar uma abordagem mais estratégica. A integração da IA à estratégia de negócio e à cultura organizacional, com governança sólida e uso ético, é fundamental para extrair valor real da tecnologia.
É crucial tratar a IA como uma infraestrutura básica de operação, e não como uma ferramenta isolada. Isso implica em otimizar todo o fluxo de trabalho por meio da hiperautomação, conectando diferentes áreas da empresa e fortalecendo a governança para gerar eficiência operacional.
Além disso, o investimento em letramento em IA para os colaboradores é indispensável. Não se trata de formar programadores, mas de criar uma linguagem comum para que todos compreendam o que a IA realmente faz, seus limites e onde o senso crítico humano permanece insubstituível. A IA deve complementar os profissionais, assumindo tarefas repetitivas e liberando as equipes para atividades estratégicas e criativas.
