Empresas prontas para IA: Apenas 7% globalmente, revela pesquisa Veeam

Apesar da crescente adoção de soluções de Inteligência Artificial (IA) no ambiente corporativo, uma pesquisa global recente da Veeam Software, divulgada pelo Painel S.A. da Folha de S.Paulo, revela que apenas 7% das empresas estão de fato preparadas para a tecnologia em 2026. O estudo aponta um descompasso significativo entre a implementação de agentes de IA e a maturidade das estruturas de governança de dados e a confiança na gestão da tecnologia.
O levantamento, que ouviu 600 executivos C-level de cinco setores em três continentes, destaca que 88% das organizações já utilizam ou estão testando agentes de IA. No entanto, a grande maioria enfrenta desafios substanciais, principalmente relacionados à gestão de dados.
Desafios Críticos na Adoção da IA
A pesquisa da Veeam detalha os principais obstáculos que impedem as empresas de alcançarem a plena prontidão para a IA. Um dos pontos mais críticos é a gestão de dados: 95% das organizações reportam que desafios com dados têm desacelerado o progresso da IA.
Lacunas de Percepção e Confiança
Há uma notável divergência de percepção entre a alta cúpula executiva e as equipes técnicas. Enquanto 65% dos CEOs afirmam ter um inventário completo de IA, apenas 48% dos líderes técnicos compartilham da mesma visão. A liderança na agenda de dados também mostra essa lacuna, com 52% dos CEOs se declarando à frente, contra 41% dos CISOs e 38% dos CIOs.
A confiança na capacidade de gerenciar e controlar a IA é baixa. Somente 28% dos executivos se sentem confiantes para detectar sistemas de IA operando fora dos parâmetros aprovados. Além disso, entre as empresas que já utilizam IA, apenas 40% dos líderes confiam plenamente em sua capacidade de isolar e reverter falhas de IA agêntica. Uma minoria ainda menor consegue identificar rapidamente quais sistemas a IA acessou (29%), quais ações executou (25%), quais decisões influenciou (24%) e quais dados utilizou (22%).
O Fenômeno da “Shadow AI”
Outro ponto de alerta é o uso não autorizado de IA por funcionários, conhecido como “shadow AI”. O estudo revela que 95% das organizações relatam essa prática, e 93% a consideram um risco significativo. Contudo, apenas 25% das empresas oferecem alternativas aprovadas para o uso da tecnologia.
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ROI da IA: Um Retorno Difícil de Comprovar
A dificuldade em demonstrar o retorno sobre o investimento (ROI) em IA é uma preocupação generalizada. Um relatório separado, o Global AI Pulse Q2 2026 da KPMG, corrobora a complexidade, indicando que, embora grandes empresas gastem em média US$ 188 milhões anualmente em IA, apenas 7% conseguem comprovar um retorno claro sobre esse investimento.
Esse cenário é reforçado por outras pesquisas. A Amcham Brasil, em parceria com a Humanizadas, apontou em seu estudo Panorama Liderança 2026 que 84% das empresas utilizam IA de forma pontual, sem integração estratégica, e apenas 3% relataram que a IA gerou novas receitas e vantagem competitiva significativa.
Contexto Global e Desdobramentos
O mercado global de IA está em plena expansão, com o Gartner projetando que os gastos de usuários finais com modelos e plataformas de IA atingirão US$ 64 bilhões em 2026, um aumento de 63,4% em relação a 2025. No entanto, a capacidade de converter esses investimentos em resultados tangíveis e a prontidão organizacional permanecem como os maiores desafios.
O Global AI Report 2026 da NTT Data, que entrevistou 2.567 executivos em 35 países, identificou que apenas 15% das organizações são consideradas “líderes em IA”, caracterizadas por estratégias claras, modelos operacionais maduros e execução consistente. Essas empresas líderes têm 2,5 vezes mais probabilidade de registrar crescimento de receita superior a 10% e três vezes mais probabilidade de alcançar margens de lucro de 15% ou mais com iniciativas de IA.
No Brasil, a Kyndryl, em seu People Readiness Report, indicou que 64% das organizações já incorporaram IA em processos centrais ou em toda a operação, mas apenas 30% possuem equipes plenamente preparadas para utilizá-la com sucesso.
O Que Acontece Agora
Para as empresas, o caminho para a prontidão em IA envolve mais do que apenas a adoção tecnológica. É crucial focar em:
- Governança de Dados: Estabelecer estruturas robustas para garantir a qualidade, segurança e conformidade dos dados que alimentam os sistemas de IA.
- Alinhamento Estratégico: Integrar a IA de forma transversal à estratégia de negócios, com foco em resultados mensuráveis e não apenas em projetos piloto isolados.
- Capacitação e Cultura: Investir na qualificação das equipes e promover uma cultura organizacional que abrace a IA de forma responsável e eficaz.
- Gestão de Riscos: Desenvolver mecanismos para identificar, monitorar e mitigar os riscos associados à IA, incluindo o uso não autorizado e a detecção de falhas.
A transição da experimentação para a execução disciplinada da IA é o novo desafio, exigindo que as empresas não apenas invistam em tecnologia, mas também redesenhem processos, preparem pessoas e operem com confiança para transformar automação em resultados concretos.
