Gemini impõe novos limites de uso por ‘custo computacional’, frustrando usuários

O Google implementou recentemente uma mudança significativa na forma como calcula os limites de uso de sua inteligência artificial Gemini, passando de um modelo baseado em quantidade de prompts diários para um sistema que considera o custo computacional de cada interação. A alteração, efetivada a partir de 17 de maio de 2026 e anunciada durante o Google I/O 2026, tem levado usuários a atingir os limites de uso em poucos minutos, gerando frustração e expondo uma nova regra na política de IA da empresa.
Anteriormente, os usuários do Gemini tinham cotas baseadas principalmente no número de requisições por dia. Com a nova abordagem, a complexidade do prompt, os recursos acionados (como geração de imagens e vídeos, pesquisa aprofundada ou uso de modelos avançados) e a extensão do chat agora determinam a rapidez com que a cota é consumida. Esta mudança reflete a crescente demanda por recursos computacionais de funcionalidades de IA mais sofisticadas.
O que mudou nos limites do Gemini
A principal alteração reside na métrica de cálculo. Em vez de uma contagem simples de prompts, o Gemini agora opera com limites baseados em “uso computacional”. Isso significa que tarefas mais exigentes consomem uma parcela maior da cota disponível. Os fatores que influenciam o consumo incluem:
- Complexidade do prompt: Perguntas mais elaboradas ou com múltiplas etapas.
- Recursos utilizados: Geração de mídia (imagens, vídeos, música), funcionalidades como Deep Research, e o uso de modelos Pro ou de “pensamento estendido” (Deep Think).
- Extensão do chat: Conversas mais longas e detalhadas.
Os limites são renovados a cada cinco horas, até que o usuário atinja um limite semanal máximo. O Google justifica a mudança como uma forma mais eficiente de alocar recursos, dado que um prompt de texto simples utiliza muito menos processamento do que uma tarefa complexa de geração de vídeo ou codificação.
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Impacto para os usuários e a nova regra da IA
A transição para o modelo de “uso computacional” tem gerado reclamações, especialmente entre usuários da versão gratuita e aqueles que utilizam o Gemini intensivamente para tarefas complexas. Muitos relatam que, onde antes podiam trabalhar por longos períodos, agora atingem o limite em poucos minutos, mesmo com poucas interações.
Essa nova regra sinaliza uma tendência no setor de IA, onde o custo operacional elevado de manter ferramentas avançadas exige uma gestão mais rigorosa dos recursos. O Google enviou e-mails aos usuários para informar sobre as mudanças, que passaram a valer a partir de 20 de maio. Para verificar o uso atual, os usuários podem acessar a página específica em gemini.google.com/usage.
Além dos limites de uso, o Google também tem atualizado suas diretrizes de ética em IA. Em março de 2026, a empresa revisou suas políticas de IA responsável, indicando que certas aplicações, como armas e vigilância, “podem ser permissíveis sob estrita supervisão regulatória”, uma mudança em relação a proibições anteriores. Contudo, essa alteração nas diretrizes éticas é distinta dos limites de uso computacional, mas ambas refletem a evolução das políticas do Google em relação à IA em 2026.
Planos e desdobramentos
Para usuários que necessitam de maior capacidade, o Google oferece planos pagos com limites de uso expandidos:
- Google AI Plus: Oferece 2 vezes o limite padrão.
- Google AI Pro: Proporciona 4 vezes o limite padrão.
- Google AI Ultra: Disponibiliza 5x ou 20x os limites do plano Pro, dependendo da assinatura, com opções de $100 e $200 mensais.
A empresa afirma que usuários casuais de tarefas básicas não devem notar grandes diferenças, mas profissionais que dependem do Gemini para codificação, criação de mídia ou pesquisa aprofundada precisarão monitorar seu consumo com mais atenção. A medida é vista por analistas como uma resposta aos desafios de hardware e à necessidade de gerenciar a demanda crescente por recursos de IA.
