IA avança em bancos e investimentos, transformando papel do assessor

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se consolidar como uma ferramenta essencial nos aplicativos de bancos e plataformas de investimento no Brasil e no mundo, redefinindo a forma como os serviços financeiros são oferecidos e o papel dos assessores humanos. Em 2026, a tecnologia já é amplamente utilizada para otimizar análises, personalizar recomendações e automatizar tarefas, impulsionando a eficiência e a acessibilidade no mercado financeiro.
Uma pesquisa da Empiricus Research, realizada em maio de 2026 com gestores de multimercados, revelou que nenhum deles se encontra em fase meramente experimental com a IA, indicando a ampla adoção e integração da tecnologia nas operações.
Bancos e Fintechs Lançam Ferramentas de IA para o Cliente
Grandes instituições financeiras e fintechs brasileiras têm investido significativamente no desenvolvimento e lançamento de assistentes e ferramentas baseadas em IA para atender diretamente ao investidor pessoa física. O objetivo é oferecer soluções mais rápidas, personalizadas e eficientes.
- Itaú: Desde 2025, o banco tem liberado um assistente de IA capaz de responder a dúvidas, recomendar produtos e realizar aplicações em títulos de renda fixa diretamente pelo chat.
- Inter: Em maio de 2026, lançou a “Seven”, uma assistente que agrega funções transacionais como reinvestimentos automáticos, análise de extrato e serviços de consórcio.
- BTG Pactual: Apresentou em maio de 2026 o “Minhas Finanças”, ferramenta que utiliza IA e Open Finance para consolidar contas, categorizar gastos e prever tendências de consumo dos clientes.
- B3: A “Área do Investidor” já disponibiliza uma ferramenta que analisa empresas de capital aberto e oferece recomendações de “Compra” ou “Venda”.
- Gorila: Em março de 2026, a fintech lançou o “Gorila AI”, que permite sincronizar a carteira do investidor com a B3, oferecendo análises sobre os ativos e sugestões relacionadas a impostos e sucessão patrimonial.
- Banco do Brasil: Prepara um novo aplicativo com IA para 2026, visando ser uma “central” das finanças do cliente, com maior personalização e um assistente virtual 24 horas. Em junho de 2025, já havia adotado IA generativa na plataforma “Minhas Finanças Multibanco” para oferecer orientações e recomendações de investimento personalizadas.
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Transformação do Papel do Assessor Financeiro
A ascensão da IA no setor financeiro não significa o fim do assessor humano, mas sim uma profunda transformação em seu papel. A tecnologia assume tarefas repetitivas, análises complexas de dados e recomendações básicas, liberando os profissionais para focar em aspectos mais estratégicos e humanos do relacionamento com o cliente.
Diego Ramiro, presidente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), afirma que a IA deve gerar uma mudança no foco de atuação do assessor. Aqueles que enxergarem a IA como uma ferramenta de apoio terão uma vantagem competitiva significativa.
Especialistas indicam que a IA pode, inclusive, democratizar o acesso a serviços de assessoria, atendendo a clientes de menor renda que hoje não recebem atenção de consultores humanos. No entanto, a tomada de decisão final e o julgamento humano permanecem insubstituíveis, especialmente em cenários que exigem empatia, análise comportamental e compreensão da vida completa do investidor.
Benefícios e Desafios da IA nas Finanças Pessoais
Os benefícios da IA nas finanças são vastos, incluindo a capacidade de processamento rápido de informações, a abrangência de fontes consultadas, a personalização de serviços, a otimização da análise de risco e a detecção de fraudes em tempo real.
Para o consumidor, a IA se traduz em:
- Organização e planejamento: Aplicativos usam IA para categorizar despesas, criar orçamentos e sugerir formas de economizar.
- Recomendações personalizadas: Ofertas de produtos e serviços financeiros, como consultoria para investimentos, são adaptadas ao perfil de risco, objetivos e metas financeiras do cliente.
- Educação financeira: A IA pode simplificar termos técnicos e ajudar na compreensão de conceitos complexos do mercado.
- Simulação de cenários: A tecnologia permite calcular projeções de investimentos com base em metas, prazos e valores.
Contudo, o uso da IA também apresenta desafios. Estela Borgheri, planejadora financeira CFP, ressalta que, apesar da grande quantidade de informações, a IA pode oferecer riscos se o usuário não souber colocar os comandos necessários ou não fornecer dados completos sobre sua situação financeira e objetivos de vida.
A confiança do consumidor na IA depende de três fatores cruciais: saber quando a IA está sendo usada, entender o motivo por trás de uma recomendação e manter o controle final das decisões nas mãos do usuário.
Desdobramentos e Perspectivas para 2026 e Além
A IA é uma prioridade estratégica para o setor financeiro em 2026, com um foco crescente em escala, segurança e retorno sobre o investimento. Relatórios indicam que a IA está se movendo da fase de experimentação para a implantação em toda a empresa, afetando desde o atendimento ao cliente até a conformidade e o desenvolvimento de software.
A prontidão dos dados é um requisito fundamental para o sucesso da IA, sendo essencial unificar dados fragmentados de diferentes sistemas para obter o máximo valor da tecnologia.
Ainda que o Open Finance tenha acumulado milhões de consentimentos no Brasil, o estudo Finfacts 2026 do Google Cloud apontou que a capacidade das instituições de transformar esses dados em produtos personalizados ainda é limitada, revelando um gap entre os dados disponíveis e seu uso efetivo.
O mercado de robo-advisors, que combina gestão de portfólio automatizada com acesso a consultores humanos, continua a crescer globalmente, indicando que o futuro da assessoria financeira será cada vez mais híbrido.
