IA Gemini no TJTO: Servidora destaca ‘segundo cérebro’ para foco estratégico

A Inteligência Artificial (IA) tem se consolidado como uma ferramenta transformadora em diversos setores, e no Poder Judiciário do Tocantins (TJTO), essa realidade já é vivenciada por servidores e magistrados. Em um depoimento que ecoa a crescente adoção tecnológica, Juliana Cavalcante Aires, servidora da Diretoria-Geral do Tribunal de Justiça do Tocantins, sublinhou a capacidade dos agentes de IA, especialmente o Gemini, de atuar como um verdadeiro “segundo cérebro” que organiza o fluxo de informações, extrai o essencial e permite um foco aprofundado na análise estratégica.
A fala de Juliana Cavalcante Aires reflete uma mudança significativa na rotina de trabalho do TJTO, onde a sobrecarga de informações e a complexidade das demandas administrativas e jurídicas são desafios constantes. A IA generativa, como o Gemini, tem se mostrado um parceiro estratégico na redação de documentos complexos, na organização de fluxos administrativos e na ampliação da eficiência em diversas atividades.
A Transformação Digital no TJTO: Um Ecossistema de Inovação
A implementação de soluções de inteligência artificial no Tribunal de Justiça do Tocantins não é um evento isolado, mas parte de um ambicioso Programa de Transformação Digital do Poder Judiciário do Tocantins. Esta iniciativa estratégica, aprovada pelo próprio Tribunal, visa elevar a maturidade tecnológica da instituição, modernizar e humanizar os serviços judiciais com o uso ético da tecnologia. As diretrizes para o uso da IA são formalizadas pela Instrução Normativa nº 20, de 27 de janeiro de 2025, que estabelece a política de utilização da Inteligência Artificial Generativa no TJTO.
O objetivo central é potencializar a capacidade humana, com governança e responsabilidade, garantindo que a tecnologia esteja a serviço da Justiça, e não o contrário. Essa política enfatiza a necessidade de transparência, ética, imparcialidade e responsabilidade no uso da IA, além de garantir a preservação de dados sensíveis e a supervisão humana em todas as etapas.
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Gemini: O “Segundo Cérebro” para Análise Estratégica
Juliana Cavalcante Aires descreve sua experiência com o Gemini como um “divisor de águas em termos de agilidade e precisão”. Em um ambiente com inúmeras demandas, a ferramenta se tornou um aliado crucial para a servidora. “Ajuda a conectar pontos, organiza o caos, extrai o essencial e me permite focar na análise estratégica, em vez de me perder em centenas de páginas. A sensação de sobrecarga diminuiu drasticamente”, relata.
O conceito de “segundo cérebro” potencializado por IA, como o Gemini, reside na sua capacidade de processar e sintetizar grandes volumes de dados, identificar padrões e gerar insights valiosos. Isso libera a capacidade cognitiva dos servidores para tarefas que exigem discernimento humano, criatividade e tomada de decisão complexa, transformando rotinas operacionais em oportunidades estratégicas. No dia a dia do Tribunal, a tecnologia deixou de ser apenas um suporte e passou a atuar como uma verdadeira parceira de trabalho, especialmente para quem lida com o fluxo constante de documentos e a densidade dos processos.
Os agentes de IA com Gemini são aplicados em áreas administrativas e de apoio, aumentando a eficiência em rotinas como:
- Edição de textos e redação de documentos complexos: A IA auxilia na formulação de textos, garantindo coerência e agilidade.
- Análise de dados: Processamento e interpretação de grandes conjuntos de dados para identificar informações relevantes.
- Elaboração de relatórios e pareceres: Geração de documentos detalhados com base em informações compiladas.
- Organização de fluxos administrativos: Otimização de processos e gestão de demandas.
Ecossistema de IA no TJTO: Além do Gemini
A adoção de IA no TJTO vai além do Gemini, integrando um ecossistema robusto de soluções tecnológicas desenvolvidas para diversas finalidades. Entre as ferramentas que já estão em operação ou em fase de implementação, destacam-se:
GAIA Minuta: Celeridade e Consistência Jurídica
A plataforma GAIA Minuta (Gestão Avançada de Inteligência Artificial) é um dos pilares da inovação no TJTO. Integrada ao sistema eproc, ela permite que magistrados e servidores produzam minutas de decisões com mais agilidade, consistência e segurança. Desde seu projeto piloto, iniciado em dezembro do ano passado, a GAIA Minuta já gerou mais de 9,5 mil minutas, sendo 8,4 mil únicas e acompanhadas de mais de 12,8 mil revisões humanas.
O diferencial da GAIA reside na sua especialização jurídica. A IA analisa o estilo de escrita, a estrutura textual e o vocabulário do usuário para sugerir minutas alinhadas ao perfil decisório, baseando-se exclusivamente nos elementos selecionados nos autos. Essa capacidade robustece os atos e modelos produzidos nos gabinetes, garantindo celeridade sem abrir mão da segurança e da identidade de cada decisão. O juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 7ª Vara Cível de Palmas, que já utilizava ferramentas de IA como o Gemini, destaca que o GAIA ampliou o alcance desse uso devido à sua especialização jurídica.
Outras Soluções de IA
- dIArio: Um agente de pesquisa com inteligência artificial voltado para o acervo do Diário da Justiça.
- GiseLI: Ferramenta que automatiza a fiscalização extrajudicial pela Corregedoria-Geral da Justiça.
- Córtex: Descrito como um núcleo tecnológico central, simula o “cérebro humano” para padronizar o acesso a modelos de IA.
- Agrupamento de processos por similaridade: O próprio Gemini, em outras instâncias do Judiciário, como o CSJT, é utilizado para agrupar documentos de processos por similaridade de temas, reduzindo o esforço humano na identificação e agrupamento de recursos ordinários, promovendo a celeridade processual.
Capacitação e o Uso Ético da IA
Para garantir a adoção eficaz e responsável dessas tecnologias, a Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat) desempenha um papel fundamental. A Esmat realiza workshops, como o “IA Generativa e Automação na Gestão Administrativa”, com o objetivo de desenvolver o domínio prático e crítico da ferramenta Gemini, incentivando seu uso ético e responsável, em conformidade com as diretrizes institucionais. A diretora de Tecnologia da Informação do TJTO, Alice Setubal, ressalta que a capacitação é uma parte fundamental da estratégia de adoção tecnológica.
A política do TJTO e os programas de capacitação reforçam que a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio, um “copiloto”, que auxilia o trabalho técnico e não substitui a avaliação e o julgamento humano. Isso é crucial para mitigar riscos como vieses, vazamento de dados ou decisões automatizadas sem a devida supervisão, garantindo a segurança e a conformidade regulatória.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A integração da inteligência artificial no TJTO já se consolida em menos tempo gasto com tarefas operacionais e mais foco na análise qualificada, resultando em decisões cada vez mais consistentes. A redução do tempo de elaboração de minutas, por exemplo, em muitos casos, caiu pela metade. Testes com soluções multiagentes de IA na Esmat indicaram uma redução média de tempo de 84,2% na elaboração de artefatos, além de potencial para diminuição do retrabalho e aumento da conformidade normativa.
A visão do Tribunal de Justiça do Tocantins é de um futuro onde a tecnologia não substitui, mas liberta: liberta tempo, liberta foco e permite melhores decisões. A IA no serviço público é vista como um meio para potencializar a capacidade humana, com governança e responsabilidade, consolidando um Judiciário mais eficiente, transparente e ágil para o cidadã.
