IA transformará 25% das horas de trabalho, projeta Goldman Sachs

A inteligência artificial (IA) está a caminho de automatizar um quarto de todas as horas de trabalho globalmente ao longo da próxima década. A projeção, feita por analistas do Goldman Sachs, incluindo Joseph Briggs e Sarah Dong, indica uma reestruturação significativa do mercado de trabalho, embora o banco minimize os temores de desemprego em massa.
O relatório inicial do Goldman Sachs, divulgado em março de 2023 e constantemente atualizado, aponta que, embora a automação atinja 25% das horas de trabalho, o deslocamento direto de empregos deve impactar entre 6% e 7% da força de trabalho. Paralelamente, a IA deverá impulsionar a produtividade global em cerca de 15%, gerando novas oportunidades e redefinindo funções existentes.
Impacto nos Setores e Perfis Profissionais
A análise do Goldman Sachs destaca que os trabalhos de colarinho branco são os mais suscetíveis à automação pela IA. Funções com tarefas repetitivas e baseadas em dados ou regras estão particularmente expostas. Entre as áreas de maior risco estão:
- Programadores de computador
- Contadores e auditores
- Assistentes jurídicos e administrativos
- Representantes de atendimento ao cliente
- Telemarketing
- Revisores e editores de texto
- Analistas de crédito
Trabalhadores iniciantes e menos experientes também são desproporcionalmente afetados, especialmente em funções como entrada de dados, suporte ao cliente e assistência jurídica, onde a falta de experiência acumulada os torna mais vulneráveis à substituição por sistemas de IA.
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Produtividade e Criação de Novas Funções
Apesar das preocupações com a perda de empregos, o Goldman Sachs enfatiza o potencial da IA para aumentar a produtividade e criar novas categorias de trabalho. O CEO do banco, David Solomon, argumenta que a tecnologia não tornará os trabalhadores dispensáveis, mas os liberará para se concentrarem em atividades de maior complexidade e valor agregado.
A IA deve gerar novas vagas focadas na gestão, supervisão e treinamento das próprias ferramentas digitais. Historicamente, avanços tecnológicos sempre resultaram na criação de novas profissões que antes não existiam, e a IA não deve ser diferente.
Desdobramentos e Perspectivas Atuais
Relatórios mais recentes do Goldman Sachs, de abril de 2026, indicam que a IA já está causando um impacto mensurável no mercado de trabalho dos Estados Unidos. A inteligência artificial se tornou um “modesto obstáculo líquido” para os empregos, reduzindo o crescimento mensal da folha de pagamento dos EUA em cerca de 16.000 postos de trabalho e aumentando a taxa de desemprego em 0,1 ponto percentual no último ano.
No entanto, essa substituição é parcialmente compensada pela “augmentação”, onde a IA aprimora as funções humanas, impulsionando o crescimento do emprego em áreas como educação, direito e gerenciamento de construção. A transição pode gerar um período de desemprego temporário enquanto os trabalhadores se adaptam e adquirem novas habilidades, mas historicamente, esses impactos tendem a ser passageiros, desaparecendo após cerca de dois anos.
A velocidade da adoção da IA pelas empresas será crucial para determinar a extensão e o cronograma dessas mudanças. Embora a maioria das empresas ainda não tenha incorporado amplamente a IA em seus fluxos de trabalho, a tendência é de aceleração. Especialistas do Goldman Sachs preveem que os próximos 12 a 24 meses serão determinantes para as instituições financeiras que buscam uma transição bem-sucedida para operações aprimoradas por IA.
A mensagem central do Goldman Sachs é de que a sociedade deve se preparar para uma adaptação contínua, investindo em requalificação, educação e programas de treinamento para garantir que os trabalhadores possam transitar de funções em declínio para campos emergentes, transformando a disrupção em oportunidade.
