Integração do Brasil em Cadeias de IA é Essencial para Crescimento Sustentável, Afirma Galípolo

LISBOA, PORTUGAL – O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, destacou nesta quarta-feira (3) a necessidade urgente de o país se integrar às cadeias globais de valor da Inteligência Artificial (IA) como caminho crucial para alcançar um crescimento econômico sustentável e baseado em ganhos de produtividade. A declaração foi feita durante sua participação em um painel no XIV Fórum Jurídico de Lisboa, evento que reúne autoridades e especialistas para debater temas relevantes para o direito e a economia.
Galípolo alertou que, sem essa integração estratégica, o Brasil enfrentará dificuldades em transformar o atual ciclo de crescimento em algo duradouro. Ele enfatizou que o modelo econômico recente do país, impulsionado pelo aumento da renda acima da produtividade, crédito aquecido e forte consumo doméstico, embora tenha protegido o Brasil de choques externos, possui um limite e gera pressões inflacionárias que exigem respostas da política monetária, como a elevação das taxas de juros.
Desafios do Modelo de Crescimento Atual e a Busca por Produtividade
O presidente do Banco Central detalhou que o crescimento econômico brasileiro dos últimos anos, caracterizado por taxas de desemprego em mínimas históricas e renda em máximas, tem gerado pressões de demanda, especialmente nos indicadores de inflação de serviços, que são mais intensivos em mão de obra.
“A gente enxerga essas pressões de demanda dentro dos indicadores de inflação de serviços, que são mais intensivos em mão de obra, o que responde a essa economia que vem crescendo com taxas de desemprego em mínimo histórico e renda em máximo histórico”, afirmou Galípolo.
Ele argumentou que um crescimento impulsionado apenas pela demanda tem um teto. Ultrapassar esse limite sem ganhos substanciais de produtividade resulta em pressões que o Banco Central precisa combater com o aumento dos juros. A solução, segundo Galípolo, é de natureza estrutural, visando uma conexão mais eficiente com as cadeias globais de valor para fomentar um crescimento sustentável e integrado por meio de ganhos de produtividade.
A ausência de ganhos de produtividade tem sido um ponto de preocupação constante para a economia brasileira, um desafio que a incorporação da Inteligência Artificial pode ajudar a mitigar no futuro, reduzindo as pressões inflacionárias.
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IA como Vetor de Transformação e os Choques Globais
Galípolo enfatizou a IA como um vetor chave para a transformação da produtividade. Embora os benefícios da Inteligência Artificial na produtividade ainda não sejam imediatos para o Brasil, há uma expectativa futura de que essas ferramentas auxiliarão no ganho de eficiência, o que, por sua vez, pressionará menos a inflação.
Curiosamente, o presidente do BC também abordou como a menor integração do Brasil às cadeias globais de valor, que hoje representa um obstáculo para a produtividade, paradoxalmente contribuiu para que o país fosse menos impactado por choques econômicos recentes, como o aumento de tarifas comerciais e o conflito no Oriente Médio.
Segundo Galípolo, a economia brasileira, mais focada no consumo doméstico e com parceiros comerciais diversificados, além de ser menos dependente dos Estados Unidos, foi percebida como relativamente mais protegida. No entanto, ele ressaltou que essa proteção tem um custo: a falta de ganhos mais consistentes de produtividade.
Resiliência e Vulnerabilidade: Um Paradoxo
- Proteção Relativa: Em 2025, a menor associação do Brasil à economia norte-americana e a diversificação de parceiros comerciais beneficiaram o país. Em 2026, a posição de exportador líquido de petróleo também conferiu uma vantagem.
- Custo da Não-Integração: Embora tenha oferecido um certo isolamento contra choques, a menor ligação com as cadeias globais de valor impede o Brasil de aproveitar os ganhos de produtividade que impulsionam o crescimento sustentável.
“Não quero dizer de forma alguma que a economia brasileira está melhor com esses choques do que sem os choques. Só estou dizendo que, a partir dos choques, numa comparação relativa com os seus pares, a economia brasileira passa a ficar mais protegida ou vista como um lugar onde está mais insulada do conflito”, explicou Galípolo.
O Caminho para o Futuro: Produtividade e Inovação
O Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido por sua relevância nos debates sobre o futuro, teve a Inteligência Artificial como um dos focos centrais desta edição, com discussões sobre seus impactos no Judiciário e na sociedade. A fala de Galípolo se alinha a essa pauta, reforçando a visão de que a inovação tecnológica é um pilar indispensável para o desenvolvimento econômico de longo prazo.
Para o presidente do Banco Central, o grande desafio para o Brasil no médio e longo prazo é justamente ampliar sua inserção nessas cadeias globais, de modo a garantir um crescimento mais robusto, sustentável e, fundamentalmente, baseado em produtividade. A expectativa é que a absorção da IA pelo mercado possa, no futuro, gerar menos pressão inflacionária.
A discussão sobre a integração do Brasil nas cadeias de IA transcende a esfera econômica, tocando em aspectos de competitividade global e na capacidade do país de se posicionar em um cenário tecnológico em constante evolução. A mensagem de Galípolo é um chamado à ação para que o Brasil desenvolva estratégias que permitam não apenas participar, mas prosperar na economia global impulsionada pela Inteligência Artificial.
