Método Telecom Propõe Agentes de IA para Atendimento Público Avançado

A Método Telecom apresentou, em 29 de abril de 2026, uma proposta inovadora para o uso de agentes de inteligência artificial (IA) no atendimento ao cidadão e na gestão de serviços públicos digitais. A iniciativa, divulgada durante o Fórum Telebras Conecta, em Brasília, visa substituir os atuais chatbots reativos por uma arquitetura de agentes autônomos, capazes de executar tarefas de forma proativa e integrar diversos fluxos de atendimento.
A empresa defende o conceito de “Governo Agêntico”, um modelo no qual os sistemas de IA não apenas respondem a comandos, mas atuam de maneira autônoma na organização e prestação de serviços públicos.
A Proposta do “Governo Agêntico”
A estratégia da Método Telecom centra-se na transição de sistemas de IA que meramente reagem a interações para agentes autônomos. Estes agentes seriam capazes de cooperar entre si para resolver demandas dos cidadãos, operando em canais de ampla utilização, como o WhatsApp, sem a necessidade de menus rígidos ou árvores de decisão tradicionais.
Entre os exemplos de aplicação citados pela companhia estão a realização de consultas, agendamentos e o fornecimento de suporte geral ao cidadão.
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Tecnologia e Visão da Método Telecom
A base tecnológica para essa proposta é a plataforma Agenty Co, desenvolvida para facilitar a cooperação entre múltiplos agentes digitais. Anderson Pimenta, CEO da Método Telecom, ressaltou que o avanço do governo digital no Brasil abre caminho para uma nova fase de automação nos serviços públicos. “O Brasil já avançou no Governo Digital, mas o próximo passo é o Governo Agêntico. Nosso papel é oferecer a infraestrutura e a inteligência para que os órgãos públicos possam realizar essa transição com segurança, garantindo que a tecnologia resulte em diálogo real e eficiência na ponta”, afirmou Pimenta.
A empresa também enfatizou que a proposta incorpora princípios de Privacy by Design e soberania de dados, aspectos cruciais para a administração pública, especialmente ao lidar com informações sensíveis dos cidadãos e serviços de missão crítica.
Contexto da Aquisição da Oi e Expansão
A apresentação da proposta ocorre em um momento estratégico para a Método Telecom, que recentemente arrematou os ativos fixos da Oi S.A. por R$ 60 milhões. Essa aquisição, que ainda depende de aprovações regulatórias, tem o potencial de dobrar a carteira de clientes da Método e fortalecer suas ofertas, incluindo as soluções de IA para o setor público.
A Método Telecom, fundada em 1991, já possui uma vasta experiência em soluções de telecomunicações e comunicação corporativa, com atuação em diversas capitais e foco no atendimento a demandas governamentais.
Desdobramentos e Regulamentação Governamental da IA
A proposta da Método Telecom alinha-se a um cenário de crescente atenção do governo federal à inteligência artificial. Em 24 de abril de 2026, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) publicou a Portaria nº 3.485/2026, que institui a Política de Governança de Inteligência Artificial na administração pública federal.
Essa política, que entrará em vigor em 60 dias, estabelece princípios e diretrizes para o desenvolvimento, aquisição e uso ético, transparente e seguro da IA, com foco na proteção dos direitos fundamentais, supervisão humana e soberania digital.
O governo brasileiro planeja um investimento significativo de R$ 1,76 bilhão em IA para aprimorar os serviços públicos, como parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O PBIA prevê um investimento total de R$ 23 bilhões para impulsionar o desenvolvimento e a aplicação de IA no país, buscando transformar o Brasil em um modelo de eficiência e inovação no setor público.
Outras iniciativas incluem o projeto SEI IA da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que integra IA ao Sistema Eletrônico de Informações, visando melhorar a produtividade e a experiência dos servidores e da população.
O setor de telecomunicações, em geral, observa com otimismo, mas também com cautela, o potencial dos agentes de IA para a automação de redes e a melhoria da experiência do cliente, priorizando casos de uso de baixo risco e a necessidade de governança clara.
