Papa Leão XIV Pede Urgente Desarmamento da IA em Encíclica Histórica

Em um apelo global de grande urgência, o Papa Leão XIV lançou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”, na qual clama pelo “desarmamento” da inteligência artificial (IA) e adverte sobre os profundos riscos éticos e sociais da tecnologia. O Pontífice, eleito em 8 de maio de 2025 como o primeiro Papa norte-americano, enfatizou a necessidade de garantir que a IA sirva à humanidade e não se torne um instrumento de dominação, exclusão ou morte.
A encíclica, apresentada pessoalmente pelo Papa na Sala do Sínodo no Vaticano em um gesto inédito, aborda as “novas questões” trazidas pela revolução tecnológica digital, fazendo um paralelo com a “Rerum Novarum” de Leão XIII, que tratou dos desafios da Revolução Industrial. Leão XIV defendeu que o “desarmamento da IA” significa libertá-la da mentalidade de competição “armada” e impedir que domine a humanidade, alertando que “nenhum algoritmo pode tornar a guerra moralmente aceitável”.
Preocupações com a IA na Guerra e na Sociedade
Um dos pontos centrais da “Magnifica Humanitas” é a condenação veemente do uso de sistemas de armas autônomas letais (LAWS), que são capazes de identificar e atacar alvos sem intervenção humana direta. O Papa Leão XIV declarou ser “não permissível confiar decisões letais” a sistemas de IA, sublinhando que tais tecnologias carecem da “capacidade humana única para julgamento moral e tomada de decisões éticas”.
Além das aplicações militares, a encíclica expressa profunda preocupação com a capacidade da IA de espalhar desinformação, aprofundar desigualdades sociais e econômicas, e criar “novas formas de escravidão” ao concentrar lucros e poder nas mãos de poucos. O documento também ressalta o impacto ambiental da IA, que exige grandes quantidades de energia e água, e a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores e das crianças frente a essa tecnologia.
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Rejeição da “Guerra Justa” e Apelo por Controle Humano
Em uma declaração marcante, o Papa Leão XIV afirmou que a teoria da “guerra justa”, frequentemente invocada para justificar conflitos, está “ultrapassada”. Ele defendeu que a humanidade possui ferramentas mais eficazes para promover a vida e resolver conflitos, como o diálogo, a diplomacia e o perdão, e que “nenhum algoritmo pode tornar a guerra moralmente aceitável”.
O Pontífice fez um apelo por um envolvimento político mais ativo, capaz de “desacelerar as coisas quando tudo está acelerando”, e por estruturas legais robustas, supervisão independente e usuários informados. A mensagem enfatiza que as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da responsabilidade humana e que a IA deve ser vista como uma ferramenta para complementar a inteligência humana, e não para substituí-la.
Contexto e Desdobramentos
A publicação de “Magnifica Humanitas” dá continuidade a um histórico de preocupação do Vaticano com a ética da inteligência artificial. Desde 2020, a Santa Sé lançou o “Apelo de Roma por uma Ética da IA”, e o antecessor de Leão XIV, Papa Francisco, já havia abordado o tema em diversas ocasiões, incluindo um discurso no G7 em 2024, onde enfatizou a importância de manter a tomada de decisões em mãos humanas.
A apresentação da encíclica contou com a presença de especialistas em IA, como Christopher Olah, cofundador da empresa Anthropic, um sinal da importância que o Vaticano atribui ao diálogo com o setor tecnológico. O Papa Leão XIV, que escolheu seu nome em homenagem a Leão XIII, conhecido por sua doutrina social em meio à Revolução Industrial, busca, com este documento, guiar a Igreja e o mundo nos desafios éticos da era da inteligência artificial.
A encíclica convida não apenas católicos, mas “todos os homens e mulheres de boa vontade” a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna, onde a tecnologia esteja a serviço do bem comum e da dignidade da pessoa.
