Papa Leão XIV Urge Pesquisas para Humanizar IA em Governos

CIDADE DO VATICANO – O Papa Leão XIV fez um apelo contundente para que as pesquisas em inteligência artificial (IA) sejam direcionadas a auxiliar os governos na humanização das tecnologias digitais, garantindo que sirvam à vida e à paz. A exortação foi proferida em 28 de agosto de 2026, durante uma audiência com cerca de 500 membros do Instituto Internacional de Ciências Administrativas (IIAS), reunidos no Vaticano ao final de sua conferência anual em Roma.
O Pontífice enfatizou a urgência de estabelecer uma ética robusta que acompanhe o uso dessas ferramentas, alertando para a concentração do poder tecnológico nas mãos de grandes atores econômicos e a dificuldade dos Estados em controlá-los.
A Preocupação do Vaticano com a IA e a Dignidade Humana
Leão XIV expressou profunda preocupação com a velocidade do desenvolvimento da IA, questionando a capacidade futura de controlar essas máquinas e o risco de a humanidade se tornar vítima de suas próprias invenções.
Um dos problemas mais graves destacados pelo Papa é a crescente tendência de confiar decisões relativas à vida humana a sistemas automatizados. Ele reforçou que a inteligência humana possui um caráter insubstituível e que a prudência na adoção da IA não deve ser confundida com oposição ao progresso.
O Santo Padre sublinhou a necessidade de garantir que o bem da família humana não seja sacrificado em prol de interesses privados, reiterando a importância de desenvolver uma ética que oriente o uso da tecnologia para o bem comum.
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A Encíclica ‘Magnifica Humanitas’ e o Chamado à Responsabilidade
As recentes declarações do Papa Leão XIV ecoam os princípios de sua primeira encíclica, ‘Magnifica Humanitas’, publicada em maio de 2026, que aborda a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. No documento, o Pontífice defende um escrutínio moral rigoroso sobre os avanços tecnológicos e apela a uma mobilização global para desarmar o potencial destrutivo da IA.
A encíclica, assinada no aniversário da ‘Rerum Novarum’ de Leão XIII, que tratou dos impactos da Revolução Industrial, posiciona a IA como a nova grande questão social do século. Leão XIV enfatiza que a técnica sem consciência pode se transformar em violência e que a IA deve estar a serviço de todos e do bem comum, nunca dissociada da consciência e da responsabilidade.
Ele também recordou os alertas do Papa Francisco sobre a “imensa expansão da tecnologia” que deveria ser acompanhada por uma adequada formação da responsabilidade, orientando a pesquisa técnico-científica para a paz, o bem comum e o desenvolvimento integral do homem e da comunidade.
O Papel dos Governos e da Administração Pública
Dirigindo-se aos membros do IIAS, o Papa Leão XIV encorajou-os a prosseguir suas investigações para encontrar formas e meios de contribuir com a administração pública. O objetivo é humanizar as tecnologias digitais, colocando-as efetivamente a serviço da vida e da paz.
O Instituto Internacional de Ciências Administrativas, fundado em 1930 após a Grande Crise Econômica, tem a vocação de ser um “apelo incessante à consciência das autoridades políticas” para adaptar a vida social às condições em constante mudança, concretizando os desígnios da Sabedoria do Criador. O Papa reconheceu que essa missão não é fácil, mas expressou esperança na determinação dos pesquisadores para realizar essa “nobre tarefa”.
A posição do Vaticano pode ser resumida na ideia central de que a Inteligência Artificial deve ampliar as capacidades humanas, e não substituir a experiência humana de pensar, criar, comunicar, escutar e encontrar o outro. O Pontífice também já alertou para o impacto da IA no desenvolvimento intelectual e neurológico de crianças e jovens, pedindo ação conjunta para que a tecnologia sirva ao bem comum.
Desdobramentos e o Futuro da Ética na IA
A intervenção do Papa Leão XIV reforça a crescente mobilização global por uma governança ética da inteligência artificial. A Igreja Católica, através de documentos como a ‘Magnifica Humanitas’ e as declarações papais, busca influenciar o debate, promovendo uma “antropologia digital” baseada na ética, educação e direito.
O Vaticano tem se aliado a iniciativas como o “Rome Call for A.I. Ethics”, um documento que promove o desenvolvimento ético da inteligência artificial, assinado por representantes de diversas religiões. O desafio reside em garantir que a inovação tecnológica permaneça subordinada à proteção da pessoa e da família humana, evitando que algoritmos discriminem os mais vulneráveis e excluídos.
