Robô com IA remonta afrescos de Pompeia em desafio histórico

Um sistema robótico de dois braços, guiado por inteligência artificial (IA), concluiu com sucesso a complexa tarefa de remontar afrescos destruídos de Pompeia, na Itália. O projeto, batizado de RePAIR (Reconstructing the Past: Artificial Intelligence and Robotics Meet Cultural Heritage), utilizou visão computacional e braços mecânicos de alta precisão para identificar, comparar e encaixar milhares de fragmentos antigos, um trabalho que levaria anos para ser realizado por humanos.
A iniciativa, coordenada pela Universidade Ca’ Foscari de Veneza e financiada pela União Europeia, demonstrou publicamente seus resultados em novembro de 2025 no Parque Arqueológico de Pompeia, marcando um avanço significativo na conservação do patrimônio cultural.
O Desafio dos Afrescos Fragmentados de Pompeia
Os afrescos de Pompeia, soterrados pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., sofreram danos adicionais ao longo dos séculos, incluindo bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial e colapsos estruturais, como o da Schola Armaturarum em 2010. Milhares desses fragmentos foram armazenados em depósitos do Parque Arqueológico, apresentando um “quebra-cabeça impossível” para a restauração manual.
O diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, destacou que o projeto nasceu de uma necessidade concreta de recompor esses fragmentos, muitos deles sem uma imagem de referência completa, desgastados, incompletos e misturados.
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Tecnologia RePAIR: IA e Robótica em Ação
O sistema RePAIR integra diversas tecnologias de ponta:
- Visão Computacional Avançada: Para digitalizar e analisar as características de cada fragmento.
- Algoritmos de IA: Desenvolvidos para identificar relações entre cores, padrões, formatos e texturas, sugerindo possíveis encaixes. O professor Marcello Pelillo, coordenador do projeto, comparou a tarefa a misturar quatro ou cinco caixas de quebra-cabeças e tentar resolvê-los simultaneamente, sem as caixas originais.
- Robô de Dois Braços: Equipado com mãos flexíveis de dois tamanhos e sensores de visão, o robô manipula os fragmentos com precisão milimétrica, evitando danos às superfícies delicadas.
- Digitalização 3D: Converte as peças em imagens digitais para a análise da IA.
Durante a fase de testes, os pesquisadores trabalharam com réplicas dos fragmentos para calibrar o robô e avaliar sua precisão, protegendo os materiais originais insubstituíveis.
Resultados e Aplicações
Os testes focaram em afrescos de teto da Casa dos Pintores em Trabalho, na Insula dos Amantes Castos, e da Schola Armaturarum. Esses locais representam desafios complexos, com fragmentos de diferentes períodos e tipos de dano.
Apesar da autonomia do robô na sugestão de encaixes, a participação humana permanece crucial. Arqueólogos e restauradores acompanham o processo para validar as associações propostas, corrigindo erros e decidindo quais encaixes são historicamente e materialmente coerentes. O diretor do Parque Arqueológico de Pompeia enfatiza que a tecnologia não substitui o trabalho humano, mas o transforma, liberando os especialistas para a interpretação e análise mais aprofundada.
Desdobramentos e Futuro da Arqueologia
O projeto RePAIR, que começou em setembro de 2021 e foi concluído em outubro de 2025, pavimenta o caminho para uma nova era na arqueologia e restauração. A tecnologia tem potencial para ser aplicada em outros sítios arqueológicos e na recomposição de outros tipos de artefatos fragmentados, como vasos e ânforas, que hoje são considerados impossíveis de restaurar manualmente.
Pesquisadores da Universidade de Bonn, que desenvolveram métodos de planejamento de movimento para os braços robóticos, veem um futuro onde sistemas robóticos inteligentes contribuam significativamente para a preservação do patrimônio cultural globalmente. A iniciativa destaca como a colaboração entre IA, robótica e arqueologia pode acelerar descobertas e preservar detalhes da história e cultura que de outra forma seriam perdidos.
