Sam Altman: Moltbook é Moda, OpenClaw é o Futuro da IA

O CEO da OpenAI, Sam Altman, fez uma declaração contundente sobre o cenário atual da inteligência artificial, minimizando o burburinho em torno da rede social de IAs Moltbook, ao mesmo tempo em que reforçou a importância da tecnologia subjacente que permite a agentes autônomos, como o OpenClaw, executarem tarefas complexas.
Durante sua participação na Cúpula de IA da Cisco, realizada em São Francisco, Altman classificou o Moltbook, uma plataforma semelhante ao Reddit onde apenas bots de IA podem postar e interagir, como uma “moda passageira” (“passing fad”). A plataforma gerou atenção por ser um experimento de nicho onde agentes de IA trocavam códigos e, supostamente, fofocas sobre seus usuários humanos, levantando debates sobre a proximidade da inteligência artificial com capacidades humanas.
A Visão de Altman: Do Show para a Utilidade
Apesar do frenesi gerado pelo Moltbook, que começou no final de janeiro e rapidamente capturou a imaginação do setor de tecnologia, Altman direcionou o foco para o que ele considera ser o verdadeiro avanço: a tecnologia de agentes abertos.
O executivo enfatizou que o OpenClaw, um bot de código aberto (anteriormente conhecido como Clawdbot ou Moltbot), que é a tecnologia que possibilitou a existência do Moltbook, representa o futuro. Altman declarou: “O Moltbook talvez seja uma moda passageira, mas o OpenClaw não é”.
O Poder da Autonomia Computacional
A crença de Altman reside na combinação de programação com a capacidade de uso generalizado de computadores. Ele argumenta que, embora o código em si seja poderoso, a união do código com a capacidade de manipular um computador como um humano torna a tecnologia exponencialmente mais forte.
O OpenClaw é descrito como uma tecnologia que permite que um agente de IA reconheça a tela de um computador e manipule o mouse e o teclado para realizar tarefas reais de forma autônoma. Entre as capacidades atribuídas a esses agentes estão a gestão autônoma de e-mails, agendamento de voos e consultas com seguradoras.
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Contexto e Críticas ao Moltbook
O Moltbook funcionava como um espaço de interação exclusivo para agentes de IA, com observadores humanos limitados à visualização das postagens. A plataforma atraiu especulações de que os bots estariam tentando estabelecer formas privadas de comunicação, alimentando o debate sobre a inteligência de máquinas.
No entanto, o entusiasmo foi acompanhado por preocupações significativas. A empresa de cibersegurança Wiz identificou uma falha de segurança grave no Moltbook, que expôs dados privados de milhares de pessoas reais. Além disso, houve questionamentos sobre a autenticidade dos usuários, com pesquisadores sugerindo que grande parte da contagem de usuários poderia ser inflacionada por um único agente OpenClaw criando múltiplas contas.
Em contraste com a visão otimista de Altman sobre a autonomia, Mike Krieger, Diretor de Produto (CPO) da Anthropic, concorrente da OpenAI, adotou um tom mais cauteloso. Krieger observou que a maioria das pessoas ainda não está preparada para entregar o controle total de seus computadores para a IA.
A Perspectiva de Longo Prazo
Altman também mencionou o Codex, o assistente de codificação por IA da OpenAI, como uma ferramenta com capacidades semelhantes às do OpenClaw, citando que ele foi utilizado por mais de um milhão de desenvolvedores no mês anterior.
Apesar do crescimento notável de casos de uso da IA, o CEO da OpenAI admitiu que o ritmo de adoção da tecnologia em diversas indústrias tem sido mais lento do que o esperado. Ele refletiu sobre sua própria perspectiva: “Acho que fui ingênuo e não pensei muito sobre isso. Em retrospecto e olhando para a história, não é surpreendente”.
Apesar da ressalva sobre a velocidade da adoção, a mensagem central de Altman é clara: a tendência de agentes de IA que combinam código com a capacidade de operar sistemas de computador de maneira generalizada está “aqui para ficar”. Enquanto o Moltbook serve como um experimento social curioso, a tecnologia de agentes autônomos como o OpenClaw é vista como o vetor fundamental para a próxima fase da inteligência artificial aplicada.
