Shield AI Leva Inteligência Artificial a Drones Kamikaze LUCAS

A Shield AI, empresa de tecnologia de defesa, foi selecionada pelo Escritório do Subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia (OUSW R&E) para integrar seu software de autonomia Hivemind ao programa Low-Cost Uncrewed Combat Attack System (LUCAS). A iniciativa visa equipar os drones kamikaze LUCAS com capacidade de enxameamento impulsionada por inteligência artificial, otimizando as operações para as forças terrestres.
O anúncio, feito em 19 de maio de 2026, destaca um passo significativo na operacionalização da autonomia colaborativa, permitindo que equipes de sistemas autônomos trabalhem em conjunto sob a supervisão de um único operador. Uma demonstração operacional está prevista para o outono deste ano, onde um único operador comandará um enxame de sistemas autônomos.
O Programa LUCAS e a Estratégia de “Massa Acessível”
O programa LUCAS, desenvolvido pelo Escritório do Vice-Secretário Adjunto de Guerra para Prototipagem e Experimentação (ODASW(P&E)), tem como objetivo principal fornecer “massa acessível” – um grande número de sistemas de baixo custo que podem ser implantados em conjunto para sobrecarregar as defesas adversárias e ampliar as capacidades dos combatentes em escala.
Esses drones de ataque unidirecional, frequentemente chamados de drones kamikaze, são projetados para operar em grandes quantidades. O custo estimado de cada unidade LUCAS é de aproximadamente US$ 35.000, uma fração do valor de mísseis convencionais com alcance similar.
O LUCAS é uma versão de engenharia reversa do drone iraniano Shahed-136, com dimensões ligeiramente menores (cerca de 3 metros de comprimento e 2,4 metros de envergadura). Ele foi projetado para ser produzível em massa e de baixo custo, contrastando com plataformas mais caras como o MQ-9 Reaper.
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Hivemind: O “Piloto de IA” para o Enxameamento
O software Hivemind da Shield AI atuará como o “piloto de IA” para o programa LUCAS, capacitando grupos de drones a coordenar, manobrar e adaptar-se em tempo real a condições dinâmicas, com base nas informações do combatente.
Segundo Brandon Tseng, presidente e cofundador da Shield AI, “LUCAS visa entregar massa acessível, mas massa sem coordenação tem valor limitado. Hivemind é o piloto de IA que torna essa massa inteligente. É a camada de autonomia que permite que equipes de drones detectem, decidam e ajam em escala.”
A tecnologia Hivemind simplifica a operação de sistemas não tripulados em rede, permitindo que um único operador comande múltiplas plataformas simultaneamente para operações coordenadas complexas. Embora a autonomia gerencie a navegação, coordenação e execução, os humanos permanecem no controle das decisões de ataque. Isso encurta o tempo desde a detecção até a ação na cadeia de eliminação.
Capacidades Avançadas de Autonomia
- Coordenação em Tempo Real: Permite que os drones trabalhem em conjunto de forma inteligente.
- Adaptação Dinâmica: O software rerroteia planos de missão, responde a condições inesperadas e evita obstáculos de forma autônoma.
- Operação em Ambientes Degradados: Hivemind pode funcionar em ambientes com GPS e comunicações degradados.
- Controle de Enxame: Um único operador pode comandar múltiplos drones, otimizando a eficácia da missão.
Desdobramentos e Contexto Militar
O programa LUCAS já teve um rápido desenvolvimento, com o primeiro esquadrão operacional sendo implantado no Oriente Médio em dezembro de 2025. Seu uso em combate foi confirmado em fevereiro de 2026, em ataques contra forças iranianas durante a Guerra do Irã de 2026.
A integração do Hivemind no LUCAS é parte da “Iniciativa de Domínio de Drones” do Secretário de Guerra Pete Hegseth, que busca aumentar a produção e o uso de drones. O Pentágono planeja gastar quase US$ 55 bilhões em desenvolvimento de drones e autonomia no ano fiscal de 2027, sob a égide do Defense Autonomous Warfare Group (DAWG).
A capacidade de enxameamento com IA visa dar aos combatentes uma vantagem significativa, permitindo que os drones realizem manobras avançadas, voem em padrões imprevisíveis e evitem defesas aéreas terrestres.
A Shield AI, fundada em 2015, já tem seu software Hivemind em uso em diversas plataformas de defesa dos EUA e aliados, incluindo o programa Collaborative Combat Aircraft da Força Aérea dos EUA e aeronaves de teste da Marinha dos EUA.
