UFSC Celebra 40 Anos da IA: Pioneirismo e Desafios Éticos no Futuro da Tecnologia!
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) marcou um momento histórico com a celebração dos 40 anos da Inteligência Artificial (IA) em seu contexto acadêmico. O evento, intitulado “A Inteligência Artificial no contexto universitário”, reuniu a comunidade acadêmica para revisitar o pioneirismo da instituição na área e debater os rumos e desafios do desenvolvimento responsável da tecnologia. A conferência, realizada no Auditório da Reitoria, no Campus de Trindade, em Florianópolis, na noite de terça-feira, 15 de setembro, combinou memória, ciência e perspectivas de futuro, destacando a evolução da IA desde sua primeira disciplina na universidade em 1986.
Promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), a solenidade não apenas reconheceu a trajetória da UFSC no campo da IA, mas também abriu um ciclo de debates essenciais sobre as transformações que a Inteligência Artificial provoca, suas múltiplas possibilidades de aplicação e os imperativos éticos e pedagógicos que ela impõe aos processos de ensino e aprendizagem.
Homenagem ao Pioneirismo e Visão de Futuro da IA na UFSC
Um dos pontos altos da celebração foi a emocionante homenagem ao professor aposentado Renato Antonio Rabuske. Ele foi o responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de Inteligência Artificial na UFSC, um marco que solidificou a universidade como um centro de vanguarda no estudo da computação no Brasil. O reitor Amir de Oliveira e o professor Aldo von Wangenheim entregaram uma placa de reconhecimento a Rabuske, que estava acompanhado de sua esposa, Márcia Aguiar Rabuske, também professora aposentada da UFSC, cuja contribuição ao Departamento de Informática e Estatística (INE) foi igualmente destacada.
Em sua fala, o professor Rabuske expressou surpresa e honra pela homenagem, fazendo questão de dividir o reconhecimento com todos os colegas que o apoiaram em sua jornada. Ele relembrou um cenário desafiador na década de 1980, quando a área de Computação no Brasil contava com poucos profissionais de formação avançada, e a Inteligência Artificial ainda enfrentava ceticismo internacional. Mesmo com limitações de infraestrutura, financiamento e número de pesquisadores, a UFSC apostou na inclusão da IA no currículo, como parte de uma reforma curricular ambiciosa.
Rabuske destacou a visão da época em ir além da simples formação de mão de obra, buscando propor novos desafios e apontar possibilidades para a sociedade. “Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, afirmou, ressaltando a relevância duradoura do trabalho inicial para o estágio atual da IA.
Debate sobre o Desenvolvimento Responsável e os Impactos da IA
Além de celebrar o passado, a conferência focou intensamente no presente e futuro da Inteligência Artificial. As discussões abordaram as profundas transformações que a IA está gerando, suas vastas possibilidades de aplicação em diversas áreas e, crucialmente, os desafios éticos e pedagógicos que surgem com sua crescente presença. O professor Rabuske defendeu o aproveitamento dos benefícios da tecnologia, mas enfatizou a necessidade de uma atenção rigorosa aos riscos envolvidos.
A UFSC tem se posicionado ativamente nesse debate. Uma Comissão de Inteligência Artificial na UFSC foi formada em fevereiro de 2024, com representantes de pró-reitorias, entidades e sindicatos, e está encarregada de elaborar um relatório com recomendações para o uso da tecnologia na universidade. A pró-reitora de Pós-Graduação, Débora de Oliveira, preside o grupo, que tem previsão de concluir seus trabalhos até 3 de setembro de 2026. A iniciativa reflete uma tendência nacional e global, com diversas instituições de ensino superior desenvolvendo diretrizes para o uso acadêmico da IA.
IA e Inovação na UFSC: Projetos e Reconhecimentos Atuais
O legado do pioneirismo na UFSC continua a florescer em projetos inovadores e reconhecimentos recentes. A universidade tem sido palco para o desenvolvimento de soluções de IA com impacto prático. Por exemplo, um programa desenvolvido no projeto Céos, vinculado ao Departamento de Informática e Estatística (INE/UFSC), está auxiliando o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em investigações de fraudes em licitações e contratos públicos. O sistema, chamado CONO (Coletor Automatizado de Notícias sobre Corrupção em Santa Catarina), foi projetado pela estudante Ana Clara Stüpp para coletar dados relacionados à corrupção noticiados na mídia catarinense, demonstrando o potencial da IA no combate à corrupção.
Além disso, a excelência e o engajamento da comunidade acadêmica da UFSC na área de IA têm ganhado destaque. A estudante de Administração Giovanna Karla Mangoni foi reconhecida pelo LinkedIn Notícias como uma das dez principais vozes em Inteligência Artificial para acompanhar em 2025. Giovanna atua como educadora e consultora em IA, focando na difusão do uso ético e estratégico da tecnologia, e seu trabalho de conclusão de curso, que utilizou a própria IA em seu desenvolvimento, recebeu nota máxima e um prêmio de destaque acadêmico.
Esses exemplos recentes ilustram como a UFSC, ao longo de quatro décadas, não apenas estabeleceu as bases para o estudo da Inteligência Artificial no Brasil, mas também continua a ser um polo de inovação, pesquisa e debate crítico sobre o papel da IA na sociedade e na educação. A celebração dos 40 anos é um lembrete do passado visionário e um convite para o futuro desafiador e promissor da Inteligência Artificial.
