BlackRock e Nvidia Apostam Bilhões em Computação Quântica e Energia

A BlackRock e a Nvidia, gigantes do mercado financeiro e de tecnologia, respectivamente, estão direcionando investimentos bilionários para além da inteligência artificial (IA) pura, focando em duas áreas estratégicas: a computação quântica e a infraestrutura energética para data centers. Essa nova onda de aportes sinaliza uma mudança no cenário de investimentos, buscando as fundações e as próximas fronteiras da tecnologia.
A decisão reflete a crescente demanda por energia e a necessidade de novas capacidades computacionais para sustentar o avanço da própria IA, além de explorar tecnologias disruptivas de longo prazo.
Computação Quântica: A Próxima Fronteira Bilionária
Considerada por décadas um campo predominantemente teórico, a computação quântica emergiu como um foco de investimento significativo. Em 2025, os aportes de capital de risco em empresas do setor atingiram US$ 3,9 bilhões, distribuídos em 125 negócios, marcando o maior volume anual já registrado.
A BlackRock e a Nvidia estão entre os principais investidores dessa nova onda. A BlackRock liderou com US$ 1,7 bilhão em aportes, enquanto a Nvidia investiu US$ 1,6 bilhão. Outros players de peso, como Temasek e Baillie Gifford, também estão ativos nesse segmento. Essa movimentação é global, com a China, os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão ampliando suas disputas tecnológicas e investimentos estratégicos na área.
O Contexto Geopolítico e o Potencial de Mercado
O componente geopolítico na computação quântica ganhou destaque. O 15º Plano Quinquenal da China, adotado no início de 2026, elegeu a computação quântica como principal indústria estratégica para o futuro, superando a inteligência artificial e os semicondutores, com um Fundo Nacional de Capital de Risco estimado em US$ 17,5 bilhões.
Especialistas da McKinsey & Company preveem que a computação quântica poderá gerar mais de US$ 1 trilhão em valor econômico na próxima década, apesar de a maioria não esperar um computador quântico comercialmente útil antes do final desta década.
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Infraestrutura Energética para Data Centers: A Base da IA
A explosão da inteligência artificial gerou uma demanda sem precedentes por energia, tornando a infraestrutura elétrica um gargalo crítico. Em resposta, a BlackRock e a Nvidia, juntamente com a Microsoft e outros parceiros, anunciaram um plano de US$ 100 bilhões para investir em data centers de IA e na infraestrutura de energia necessária para alimentá-los.
Essa iniciativa se materializou na aquisição da Aligned Data Centers, uma das maiores operadoras globais, por aproximadamente US$ 40 bilhões. O consórcio, denominado AI Infrastructure Partnership (AIP), visa expandir a capacidade de computação e garantir a sustentabilidade energética para as aplicações de IA.
A Visão Estratégica da BlackRock
O BlackRock Investment Institute aponta a segurança energética como um tema de investimento duradouro, com preferência por infraestrutura e pontos de estrangulamento críticos, como eletricidade, equipamentos de energia e conexões de rede. A BlackRock prevê que a demanda impulsionada pela IA se tornará um componente estrutural do consumo global de energia, não um pico temporário.
A gestora de ativos observa uma mudança no foco dos investidores, que estão migrando de empresas de “big tech” para os provedores de energia e infraestrutura que sustentam o ecossistema de IA. Mais da metade dos entrevistados em uma pesquisa da BlackRock considerou a energia para data centers um investimento valioso.
O Papel da Nvidia na Cadeia de Valor
A Nvidia, líder em semicondutores para IA, não está apenas fornecendo chips, mas também investindo ativamente em toda a cadeia de suprimentos e em seus clientes. A empresa já comprometeu mais de US$ 40 bilhões em investimentos de capital em empresas de IA nos primeiros meses de 2026. Isso inclui um aporte de US$ 30 bilhões na OpenAI, além de acordos bilionários com operadoras de data centers como IREN e fabricantes de componentes como Corning (fibras ópticas).
Essa estratégia visa garantir que o ecossistema de IA tenha a infraestrutura necessária para escalar, desde a fabricação de semicondutores até as redes de distribuição e os data centers que utilizam suas GPUs avançadas.
Desdobramentos e Perspectivas de Mercado
A BlackRock também está reavaliando suas estratégias de alocação de ativos. Em meados de 2026, a gestora reduziu sua exposição consolidada em ações de mercados emergentes asiáticos, que tiveram forte rali impulsionado por semicondutores e IA, e migrou capital marginal para a América Latina. Essa mudança busca diversificação em ativos tangíveis ligados à infraestrutura e à transição energética, considerados menos correlacionados com a saturação de risco do setor de software.
O cenário atual indica que, embora a IA continue sendo uma “megaforça” de investimento, o foco está se ampliando para as bases físicas e as futuras inovações que permitirão seu crescimento contínuo e sustentável. A escassez de energia e a busca por novas fronteiras computacionais, como a quântica, definem as próximas apostas bilionárias.
