China Renaissance rebaixa Xiaomi após queda de 29% nos smartphones
China Renaissance rebaixa ações da Xiaomi após queda de 29,2% em smartphones no 3º tri de 2026, enquanto divisão automotiva avança com 70 mil pedidos.

O banco de investimento China Renaissance rebaixou a recomendação para as ações da Xiaomi de “Manter” (Hold) para “Venda” (Sell), fixando o preço-alvo em 20,50 HKD. A decisão, detalhada pelo portal financeiro alemão AD HOC NEWS em 20 de outubro de 2026, reflete a forte contração nas entregas globais de celulares da marca durante o terceiro trimestre de 2026.
O movimento dos analistas expõe um contraste dentro do conglomerado chinês: enquanto a divisão tradicional de telefonia móvel enfrenta perda de participação e retração nas vendas, o braço automotivo Xiaomi Auto mantém ritmo acelerado de expansão e acumula pedidos expressivos para sua nova geração de veículos elétricos.
Queda nas remessas globais e pressão no mercado de smartphones
De acordo com o relatório trimestral da consultoria de mercado IDC, as remessas globais de smartphones da Xiaomi caíram 29,2% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 30,7 milhões de aparelhos enviados. No terceiro trimestre de 2025, a fabricante havia registrado 43,4 milhões de unidades.
O recuo da fabricante chinesa foi mais severo que a média da indústria. O mercado mundial de smartphones encolheu 22,0% no período, somando 255,3 milhões de unidades. Analistas da IDC atribuem a crise ao encarecimento acelerado dos chips de memória, puxado pela demanda maciça de semicondutores por data centers voltados ao treinamento de inteligência artificial. Com isso, os custos de fabricação aumentaram e reduziram as margens dos modelos de entrada e intermediários.
Em análise derivada dos dados oficiais (cálculo próprio com base nos relatórios da IDC), a retração anual representou uma perda absoluta de 12,7 milhões de smartphones despachados pela Xiaomi no trimestre. O ritmo de queda da empresa superou o recuo geral do mercado em 7,2 pontos percentuais, reduzindo a participação global da marca de 13,2% para 12,0%, embora a companhia tenha preservado o terceiro lugar no ranking mundial, atrás de Samsung e Apple.
| Indicador (Q3 de 2026) | Xiaomi | Média do Mercado Global |
|---|---|---|
| Remessas de smartphones | 30,7 milhões de unidades | 255,3 milhões de unidades |
| Variação anual (YoY) | -29,2% | -22,0% |
| Participação de mercado (Share) | 12,0% (3ª posição) | 100% |
| Preço-alvo (China Renaissance) | 20,50 HKD (Venda) | — |
Xiaomi Auto contrasta com 70 mil pedidos e prêmio metalúrgico
Em sentido oposto ao segmento mobile, a operação da Xiaomi Auto segue registrando números positivos. Relatórios de mercado apontam que a nova linha de modelos elétricos da marca, incluindo os utilitários da série Pengcheng (modelos N70 e N90), já ultrapassou a marca de 70.000 pedidos firmes de compra no mercado asiático.
Além do volume comercial, a divisão obteve validação técnica relevante. A fabricante confirmou em seus canais oficiais na Xiaomi Community que o aço de ultra-alta resistência de 2.200 MPa, desenvolvido internamente para a gaiola de proteção e a estrutura de seus veículos elétricos como o Xiaomi SU7, conquistou o Primeiro Prêmio no prestigiado Metallurgical Science and Technology Award na China.
O ecossistema veicular da fabricante continua recebendo investimentos técnicos e homologações de novos projetos, a exemplo do recente registro de marca para o Xiaomi SU9 LUX e dos testes práticos de dinâmica estrutural com o Xiaomi YU7 GT.
O que muda para a marca e o consumidor
Para sustentar a rentabilidade dos celulares perante o choque de preços dos componentes de memória, a marca tem concentrado esforços em modelos com maior margem de lucro e especificações voltadas ao segmento intermediário premium e topo de linha, como a iminente estreia do Redmi K100 na China.
No Brasil, onde os carros elétricos da Xiaomi ainda não possuem homologação ou previsão de lançamento oficial, o reflexo mais perceptível da conjuntura global está na precificação de novos smartphones importados ou distribuídos localmente. A pressão de custos da cadeia de suprimentos pode encarecer futuros lançamentos no país, enquanto a companhia equilibra seus aportes bilionários entre a transição automotiva e a defesa de margem no setor mobile.
