Delação de Vorcaro Ganha Força Após Descobertas da PF

Os rumores sobre uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e figura central nas investigações do Caso Master, ganharam intensidade nos últimos dias, impulsionados por novas descobertas da Polícia Federal (PF) e tensões no cenário jurídico envolvendo o caso.
A especulação aumentou em Brasília, especialmente após o início de uma rodada de depoimentos de pessoas ligadas aos negócios do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central após a descoberta de inconsistências bilionárias, estimadas em mais de R$ 41 bilhões.
Contexto da Investigação e Rumores de Colaboração
Daniel Vorcaro, preso inicialmente em novembro no âmbito da Operação Compliance Zero, tornou-se protagonista de um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro brasileiro, focado em suspeitas de fraudes na produção e comercialização de carteiras de crédito falsificadas.
A PF deflagrou recentemente a segunda fase da operação, que incluiu novas diligências na residência do investigado. Segundo a corporação, essas novas buscas foram motivadas pela “evidência de prática de novos ilícitos, supostamente cometidos pelo investigado”, conforme apontado em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Essas novas descobertas e o avanço das apurações no STF, sob relatoria do Ministro Dias Toffoli, parecem estar pressionando o ex-banqueiro. Fontes indicam que Vorcaro teria encaminhado condições à Procuradoria-Geral da República (PGR) para um acordo de colaboração, que incluiria exigências como a imunidade total para ele e seus familiares. Embora não haja confirmação oficial sobre a formalização do acordo, a mera menção gera grande repercussão política, tornando qualquer proximidade com o empresário um fator de desgaste.
Mudanças na Equipe de Defesa
Um fator que corroborou os rumores foi a recente saída do advogado Walfrido Warde da coordenação da defesa de Vorcaro. Warde é conhecido por ser um crítico ferrenho das delações premiadas e sua renúncia, ocorrida em meados de janeiro, levantou imediatamente a possibilidade de que a estratégia defensiva estaria mudando para um caminho de colaboração.
A antiga equipe jurídica, que inclui advogados como Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, havia negado formalmente qualquer negociação de delação, afirmando que a estratégia se concentraria na análise dos aspectos processuais e na busca por nulidades nas provas. No entanto, a defesa, após a saída de Warde, emitiu uma nota reafirmando a inocência de Vorcaro e seu direito de defesa dentro dos limites legais, mas o cenário de especulação persistiu.
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Impacto dos Depoimentos e Questões Processuais
A rodada de depoimentos marcados pela PF visava aprofundar a investigação sobre as irregularidades na venda do Banco Master ao BRB e a operação com carteiras de crédito consignado falsificadas. Contudo, a sessão enfrentou contratempos.
A PF teve que cancelar os depoimentos de alguns ex-sócios, como Augusto Lima e Ângelo Ribeiro, após suas defesas alegarem falta de acesso ao teor integral das investigações, argumentando que não poderiam se manifestar sem conhecer as provas colhidas anteriormente. Augusto Lima, em particular, era visto como peça-chave por sua ligação com o negócio de crédito consignado que utilizava documentos de associações baianas.
Apesar dos cancelamentos, o ex-diretor de compliance do Master, Luiz Antônio Bull, prestou seu depoimento, cujo teor permanece sob sigilo. A colaboração de Bull e a insistência da PF em obter mais informações indicam a continuidade da pressão investigativa sobre o núcleo central do esquema.
O Papel do STF e a Tensão Institucional
O Caso Master tramita sob sigilo no STF, e as decisões do Ministro Dias Toffoli têm sido cruciais. A autorização para a segunda fase da Operação Compliance Zero foi dada após a PF demonstrar a existência de indícios de novos crimes. Relatórios da PF direcionados a Toffoli apontaram a necessidade de novas diligências para delimitar as condutas de outros agentes envolvidos.
Adicionalmente, o caso gerou desconfiança institucional, com pedidos de CPIs em tramitação no Congresso e a própria atuação do ministro relator sendo alvo de debates. Em um episódio paralelo, a assessoria do STF precisou se manifestar publicamente para negar a veracidade de uma reportagem sobre um suposto encontro entre o Ministro Alexandre de Moraes e o investigado em uma mansão, classificando a notícia como parte de um “padrão criminoso de ataques desqualificados” contra a Corte.
A definição sobre a delação de Daniel Vorcaro, se concretizada, promete ser um divisor de águas no desfecho do escândalo do Banco Master, com potencial para revelar a extensão da rede de relações mantidas pelo ex-banqueiro com agentes públicos e financeiros, conforme a investigação busca apurar.
