Rubio Ameaça: Delcy Rodríguez Pode Ter o Destino de Maduro

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, está sob severa pressão dos Estados Unidos, com o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, advertindo publicamente que ela pode sofrer o mesmo destino do presidente deposto, Nicolás Maduro, caso não coopere com Washington. A ameaça foi formalizada durante um depoimento preparado de Rubio perante uma comissão do Senado dos EUA, onde ele detalhou os próximos passos do governo de Donald Trump após a captura de Maduro em Caracas no início de janeiro de 2026.
Contexto da Advertência e Captura de Maduro
A situação política na Venezuela atingiu um ponto crítico após a operação militar executada por comandos americanos em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levados a Nova York para enfrentar acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos. Com Maduro fora de cena, Delcy Rodríguez assumiu a liderança interina do país sul-americano, iniciando um período de transição sob intensa vigilância e pressão internacional.
Em seu pronunciamento, Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, afirmou categoricamente que Rodríguez “conhece muito bem o destino de Maduro”. A declaração visa pressionar a líder interina a se alinhar aos objetivos estratégicos de Washington, que incluem o rompimento dos laços da Venezuela com nações vistas como adversárias dos EUA, como Irã, China e Rússia, e a reestruturação do setor energético do país.
As Exigências dos Estados Unidos
As agências de inteligência americanas, segundo fontes, levantaram dúvidas sobre o alinhamento total de Rodríguez com a estratégia dos EUA. Washington espera que a nova liderança venezuelana expulse diplomatas e assessores ligados a esses países e abra caminho para maiores investimentos americanos no vasto setor de petróleo venezuelano.
Rubio reforçou a postura firme do governo Trump, declarando que, embora os EUA “não estejam em guerra contra a Venezuela”, a administração está preparada para usar a força para garantir a cooperação, caso outros métodos falhem. Ele defendeu a operação de captura de Maduro, classificando-o como um “narcotraficante indiciado, não um chefe de Estado legítimo”, e ressaltou que a ação foi realizada sem perdas de vidas americanas ou ocupação militar contínua.
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A Postura Ambígua de Delcy Rodríguez
Delcy Rodríguez tem navegado em uma linha tênue desde que assumiu a presidência interina. Sua retórica tem sido marcada por uma postura de “morde-e-assopra” em relação aos Estados Unidos, visando satisfazer tanto sua base de apoio interna quanto as expectativas de Washington.
Recentemente, Rodríguez demonstrou resistência, afirmando em um evento com petroleiros em Anzoátegui que estava “farta” de receber ordens de Washington e que os conflitos internos deveriam ser resolvidos pela “política venezuelana”. No entanto, em um sinal de possível cooperação, a líder interina anunciou que os Estados Unidos iniciaram o desbloqueio de recursos venezuelanos que estavam congelados devido a sanções internacionais. Segundo Rodríguez, esses fundos serão prioritariamente destinados a investimentos em hospitais e equipamentos no país.
Repercussão e Desdobramentos Diplomáticos
A tensão diplomática foi minimizada pelo próprio presidente Donald Trump, que afirmou não ter ouvido os comentários críticos de Rodríguez, ressaltando que os EUA mantêm um “ótimo relacionamento” com a Venezuela. Em um movimento paralelo, o governo Trump notificou o Congresso sobre os primeiros passos para possivelmente reabrir a embaixada americana em Caracas, fechada desde 2019, indicando uma fase de reengajamento gradual.
A comunidade internacional observa atentamente a posição de Rodríguez, que se encontra em uma encruzilhada: alinhar-se completamente aos EUA pode garantir a estabilidade e o acesso a recursos, mas pode alienar setores leais ao chavismo e à antiga estrutura de poder. O destino de Maduro serve como um claro precedente e um aviso explícito sobre as consequências da não conformidade com as exigências americanas.
A legalidade da operação que levou à remoção de Maduro continua sendo um ponto de controvérsia, com pesquisas nos EUA indicando que uma parcela da população desaprova a ação militar sem aprovação prévia do Congresso. Apesar disso, a administração Trump parece determinada a consolidar sua influência sobre a transição venezuelana, usando a ameaça de repetição do “destino de Maduro” como principal ferramenta de negociação com a atual presidente interina, Delcy Rodríguez.
