Mercado Alerta: Lula ‘Solta Mão’ de Galípolo em Meio a Crise do Master

O noticiário político-econômico brasileiro foi agitado por sinais de distanciamento entre o Governo Federal e o Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. A percepção de que o Palácio do Planalto estaria “soltando a mão” de Galípolo surge em um momento delicado, marcado pelo avanço das investigações sobre as fraudes no Banco Master, que apontam indícios de envolvimento de figuras políticas e autoridades.
A análise de fontes ligadas ao cenário político indica que o governo buscou demonstrar ao meio político uma distância da investigação em curso, que tem como um de seus eixos centrais a atuação do Banco Central, instituição presidida por Galípolo. Este movimento ocorre em um contexto onde as apurações sobre as irregularidades no Master, instituição liquidada pelo BC em novembro de 2025, incomodaram diversos setores.
Contexto Político e o Caso Master
O caso do Banco Master tem sido um ponto de tensão, envolvendo auditorias internas no BC para avaliar se havia informações suficientes para uma liquidação anterior e culminando em mudanças na estrutura da autarquia, com o afastamento de diretores ligados à gestão anterior. A pressão política sobre a instituição foi notada, inclusive com o envolvimento de aliados do governo em movimentações relacionadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) em relação a decisões técnicas do BC.
A postura do governo em se distanciar de Galípolo, que anteriormente era visto como um braço direito do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que possui uma trajetória ligada a conceitos econômicos desenvolvimentistas, sugere uma tentativa de blindagem política frente às repercussões das investigações.
Sinais de Desidratação de Galípolo
Além do recuo político percebido, o mercado financeiro também tem monitorado sinais trocados. Um fator que intensificou a desconfiança no mercado foi o surgimento do nome do economista Guilherme Mello, atualmente secretário-executivo da Fazenda, para uma possível vaga na diretoria do Banco Central. A especulação sobre a indicação de Mello, um nome alinhado à equipe econômica do governo, é vista por analistas como uma tentativa de desidratar a influência de Galípolo na diretoria da autoridade monetária, especialmente em um ano com implicações eleitorais.
Apesar de Galípolo ter sido publicamente elogiado pelo Ministro Haddad, a falta de respaldo político nos bastidores reforça a narrativa de enfraquecimento de sua posição institucional perante o Planalto.
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Trajetória e Relação com o Governo
Gabriel Galípolo possui uma carreira que inclui passagens pelo setor público estadual de São Paulo e pelo setor privado, tendo sido presidente do Banco Fator. No âmbito federal, ele foi anunciado como secretário-executivo do Ministério da Fazenda em dezembro de 2022, durante a transição do governo Lula. Sua indicação para o Banco Central, para o cargo de diretor de Política Monetária, ocorreu em junho de 2023, após ser exonerado da Secretaria-Executiva da Fazenda para dar lugar a Dario Durigan, sendo posteriormente sabatinado no Senado.
Galípolo é conhecido por defender uma linha econômica que apoia a industrialização com o Estado, mas também por não rejeitar concessões ou parcerias público-privadas. Sua ligação com o PT remonta a mais de uma década, tendo auxiliado na construção do plano de governo de Aloizio Mercadante em 2010. Contudo, a atual conjuntura política e as investigações em curso parecem estar reconfigurando seu espaço de influência dentro da estrutura governamental.
O mercado financeiro acompanha de perto esses desdobramentos, pois qualquer percepção de aumento da influência política direta nas decisões técnicas do Banco Central, especialmente em ano eleitoral, pode gerar instabilidade e alterar as expectativas sobre a condução da política monetária e fiscal do país.
