BRB Entrega Relatório com ‘Achados Relevantes’ à PF no Caso Master

O Banco de Brasília (BRB) confirmou publicamente a entrega de um relatório preliminar à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC) contendo o que a instituição descreve como “achados relevantes” sobre as investigações que cercam as operações com o Banco Master. A notícia surge em meio a um inquérito recém-aberto pela PF para apurar indícios de gestão fraudulenta no próprio BRB, decorrente das transações com o banco liquidado em novembro de 2025.
A comunicação oficial do BRB, divulgada na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, detalhou que o documento foi produzido por um escritório especializado em auditoria contratado pela própria instituição financeira. O objetivo declarado do banco estatal, controlado pelo Governo do Distrito Federal, é colaborar com as autoridades competentes para confirmar a existência de eventuais atos ilícitos e resguardar seus próprios interesses, buscando a recuperação de créditos e ativos, além de ressarcimento de prejuízos causados por agentes ligados à Operação Compliance Zero.
Contexto da Investigação: O Vínculo BRB-Master
O escândalo do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ganhou proporções maiores ao atingir o BRB após a estatal se tornar a maior compradora de ativos do Master entre 2024 e 2025. As investigações apontam que o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master que, segundo as apurações, não possuíam as devidas garantias ou não eram lastreadas corretamente, o que pode ter gerado um prejuízo estimado em até R$ 5 bilhões para o banco brasiliense.
A relação turbulenta entre as instituições incluiu uma tentativa frustrada de compra de participação no Banco Master pelo BRB em março de 2025. Essa operação, que contava com o apoio do governo do Distrito Federal, foi barrada pelo Banco Central devido a riscos identificados ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Afastamento de Dirigentes e Auditoria Independente
A investigação sobre o Master respingou no BRB em novembro de 2025, quando a primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada. Naquele momento, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia, foram afastados e posteriormente demitidos do cargo. O BRB, então, iniciou uma auditoria independente interna para investigar as transações suspeitas.
O relatório preliminar agora entregue à PF e ao BC é fruto desta auditoria forense, conduzida pelo escritório Machado & Meyer, com suporte técnico da empresa Kroll. O banco informou que o documento foi entregue à PF em 29 de janeiro e ao BC em 2 de fevereiro. Ademais, informações divulgadas indicam que o relatório também foi encaminhado ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
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Detalhes dos “Achados Relevantes”
Embora o BRB não tenha detalhado o conteúdo exato dos “achados relevantes” em sua nota pública, fontes jornalísticas indicam que o relatório preliminar pode apontar indícios de que operações financeiras com o Master foram estruturadas para burlar regras de transparência sobre a titularidade de ações. O crescimento exponencial da carteira de crédito do BRB, que saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões entre setembro de 2024 e setembro de 2025, teve pelo menos R$ 12,2 bilhões atrelados a papéis do Banco Master, uma exposição considerada crítica por especialistas.
Alerta Jurídico Anterior à Aquisição
Um ponto de atenção levantado recentemente é que a área jurídica do BRB havia emitido um parecer pedindo “atenção” aos indicadores de liquidez do Banco Master apenas quatro dias antes de o Conselho de Administração da estatal aprovar a aquisição de 58% do capital do banco de Vorcaro, em março de 2025. O parecer ressaltava a importância da observância do índice de liquidez e do índice de Basileia para a solidez da operação, embora não recomendasse a rejeição do negócio, mas sim diligências adicionais.
Posicionamento e Perspectivas Futuras
Em sua manifestação, o BRB fez questão de reforçar que a instituição “segue sólida” e reafirmou seu compromisso com a preservação de seu patrimônio e dos interesses de seus clientes. O banco mencionou que está adotando medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais em relação aos fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito adquiridas.
O impacto financeiro total dessas negociações com o Master será incluído no balanço do BRB a ser apresentado em março. A instituição também sinalizou que espera receber um aporte do Governo do Distrito Federal para cobrir os prejuízos decorrentes das operações questionadas. O andamento das investigações, que envolvem depoimentos de figuras centrais como Daniel Vorcaro e ex-dirigentes do BRB, segue sob sigilo judicial, mas a entrega do relatório interno representa um avanço na cooperação do banco com a apuração dos fatos no âmbito da crise do Banco Master.
