Haddad CONFIRMA Mello e Cavalcanti para BC e DETONA vazamento

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou publicamente ter sugerido os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para preencher as vagas remanescentes na Diretoria do Banco Central (BC). A confirmação veio após o vazamento das indicações na imprensa, evento que o ministro criticou duramente, afirmando que a divulgação antecipada “atrapalhou” o processo de escolha, que ainda depende da decisão final do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Haddad revelou, em entrevista à rádio BandNews, que as sugestões foram apresentadas a Lula há cerca de três meses, mas que o presidente ainda não formalizou convites a nenhum dos dois nomes. O ministro ressaltou que o presidente é zeloso com cargos que possuem mandato, como os da cúpula da autoridade monetária, e que Lula ainda não tomou a decisão final, apesar de ter voltado a tratar do assunto há poucas semanas.
A Crítica ao Vazamento e a Reação do Mercado
A principal ressalva do Ministro da Fazenda foi direcionada à divulgação não oficial das suas sugestões. Haddad classificou o vazamento como “muito ruim”, alegando que ele prejudicou a tramitação dos nomes e gerou uma “reação orquestrada” contrária, especialmente ao nome de Guilherme Mello. O ministro defendeu a integridade dos indicados, afirmando que ambos são “eticamente irrepreensíveis”.
O vazamento gerou repercussão imediata no mercado financeiro. Analistas da Faria Lima expressaram preocupação com a indicação de Guilherme Mello, que é visto como um nome de perfil mais heterodoxo e próximo ao Partido dos Trabalhadores (PT), tendo inclusive manifestado críticas anteriores à manutenção da taxa Selic em patamares elevados. A resistência do mercado reside no temor de uma maior interferência política direta na condução da política monetária do BC.
Haddad, no entanto, buscou equilibrar a percepção, ao destacar o perfil técnico de Tiago Cavalcanti como um contraponto. O ministro indicou que a intenção por trás das sugestões é buscar um equilíbrio entre a visão política do governo e o rigor acadêmico necessário para a função.
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Perfis dos Indicados para a Diretoria do BC
As duas vagas abertas são cruciais para a definição dos rumos da política monetária brasileira, já que os diretores participam das decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).
Guilherme Mello: Secretário da Fazenda e Perfil Político
Guilherme Mello é o atual Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e um nome do círculo mais próximo de Haddad. Ele possui formação acadêmica robusta, com mestrado em Economia Política pela PUC-SP e doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp, onde também leciona. Mello esteve envolvido na elaboração do plano econômico de Lula para as eleições de 2022, por meio da Fundação Perseu Abramo, e, embora seja considerado um independente dentro do partido, tem a simpatia do próprio presidente.
Tiago Cavalcanti: Professor de Cambridge e Experiência Internacional
Em contrapartida, Tiago Cavalcanti é um economista com forte bagagem internacional. Ele é professor titular de Economia e membro do Trinity College na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Haddad o descreveu como “talvez uma das grandes estrelas da economia” entre os brasileiros abaixo de 50 anos que atuam no exterior. Cavalcanti é graduado pela UFPE, com mestrado e doutorado pela Universidade de Illinois.
- Histórico Político de Cavalcanti: Embora não seja filiado ao PT, seu currículo aponta participação em discussões econômicas nas campanhas presidenciais de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014.
- Mandato: Caso indicado e aprovado, Cavalcanti teria mandato até 31 de dezembro de 2029, ocupando a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Próximos Passos e Cenário
As indicações, uma vez formalizadas pelo Presidente Lula, ainda precisarão passar pelo crivo do Senado Federal, onde serão submetidas a sabatina. A resistência de parte do mercado e de parlamentares da oposição sugere que a aprovação, especialmente de Mello, pode ser rigorosa.
A movimentação de Haddad ocorre em um momento em que o ministro sinaliza sua possível saída do Ministério da Fazenda no final de fevereiro, buscando deixar a estrutura do BC completa antes de sua eventual desincompatibilização. A composição da diretoria é fundamental, visto que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a taxa básica de juros em um patamar elevado, e as novas diretorias influenciarão diretamente as próximas decisões sobre a Selic.
