IA Elimina Tarefas Repetitivas, Mas Gera Mais Trabalho, Afirma CEO da Read AI

A inteligência artificial (IA) está redefinindo o panorama do trabalho, eliminando tarefas repetitivas e liberando tempo para profissionais. Contudo, essa automação não significa ociosidade, mas sim o surgimento de um volume ainda maior de trabalho, com foco em atividades mais estratégicas e criativas. Essa é a visão de David Shim, fundador e CEO da Read AI, apresentada durante o Web Summit Rio na última semana.
Segundo Shim, a tecnologia de IA já é capaz de liberar entre um quarto e metade do tempo dos profissionais, com o trabalho operacional gradualmente desaparecendo. “O trabalho operacional está desaparecendo”, afirmou o executivo. No entanto, ele enfatiza que “Mais trabalho virá”, destacando um dos paradoxos da inteligência artificial.
Avanço da IA e a Transformação do Mercado de Trabalho
O Brasil se destaca na adoção de IA no ambiente corporativo. Uma pesquisa da PwC, divulgada em janeiro, revelou que 71% dos profissionais brasileiros utilizaram IA no trabalho nos 12 meses anteriores ao levantamento, superando a média global de 54%. Outro estudo da própria Read AI, que desenvolve assistentes para reuniões e tarefas repetitivas, indica que quase sete em cada dez brasileiros usam ferramentas de IA diariamente no trabalho.
Alessio Alionço, fundador e CEO da Pipefy, plataforma de gestão, corrobora a visão de Shim. Ele aponta que, nos últimos três anos, o número de atividades que podem ser executadas por agentes de IA, em vez de pessoas, aumentou drasticamente. Se antes cerca de 40% dos processos podiam ser automatizados, hoje esse percentual varia entre 60% e 90% com a chegada dos agentes de IA, que possuem capacidades mais sofisticadas.
O Papel da Read AI na Produtividade
A Read AI atua como uma plataforma de produtividade que utiliza IA para transcrever e resumir reuniões, analisar o tom de voz e gestos dos participantes em videochamadas, e identificar pontos relevantes. A empresa se integra com plataformas como Zoom, Google Meet, Microsoft Teams, Gmail e Slack, e sua agente de IA, Ada, pode responder e-mails e agendar compromissos. Com sede em Seattle e fundada em 2021 por David Shim, Robert Williams e Elliott Waldron, a Read AI expandiu sua presença no Brasil, um de seus mercados prioritários.
Veja também:
Novas Demandas e Habilidades Humanas Valorizadas
A automação de tarefas repetitivas permite que os profissionais dediquem mais tempo a atividades estratégicas, criativas e de tomada de decisão. Este cenário leva ao surgimento de novas funções, como especialistas em dados e IA, analistas de processos automatizados e responsáveis pela ética e governança da IA.
Paradoxalmente, a crescente presença da tecnologia valoriza ainda mais as competências humanas. Habilidades como pensamento crítico, criatividade, comunicação, empatia, gestão emocional e liderança tornam-se determinantes no mercado de trabalho de 2026. Relatórios da PwC indicam que as funções de entrada mais expostas à IA têm sete vezes mais probabilidade de exigir competências “humanas” tradicionalmente associadas a cargos seniores.
Perspectivas Otimistas e Desafios da Adaptação
Apesar de preocupações sobre a perda de empregos, líderes como Jeff Bezos, fundador da Amazon, compartilham uma visão otimista. Ele argumenta que a IA levará à escassez de mão de obra, pois a redução de barreiras de custo e tempo permitirá a execução de mais projetos, aumentando a demanda por profissionais em diversos setores. Bezos compara a IA a um “amplificador de produtividade”, não um substituto do trabalho humano.
O investimento global em inteligência artificial deve ultrapassar US$ 300 bilhões até 2026, evidenciando a crescente integração da IA em todos os setores. Para acompanhar essa transformação, a aprendizagem contínua e o desenvolvimento de novas habilidades são cruciais. A questão central não é se a IA fará parte da aprendizagem corporativa, mas como será utilizada: como atalho para eficiência ou como catalisador de desenvolvimento humano e liderança.
Desdobramentos e o Futuro do Trabalho
A IA está impulsionando um boom de produtividade, com empresas mais expostas à tecnologia registrando crescimento significativo. A transformação não se limita à automação de tarefas, mas à redefinição de funções, competências e modelos de trabalho. O futuro do trabalho não é uma disputa entre “humanos vs. máquinas”, mas uma colaboração “humanos com máquinas”, onde a IA se torna uma infraestrutura invisível, potencializando todas as áreas.
Apesar do avanço rápido da tecnologia, a adaptação organizacional e a complexidade das funções do mundo real significam que a disrupção completa levará tempo. A chave para os profissionais será a capacidade de usar as ferramentas de IA, fazer as perguntas certas, avaliar resultados, entender o contexto e assumir a responsabilidade pelas decisões.
